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08-01-2018 - Atea, Associação que defende o ateísmo e odeia religião é acusada de intolerância religiosa

intolerancia religiosa 4 638

 

     A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), teoricamente representa 1 de cada 10 brasileiros — somando ateus (1%), agnósticos e os sem religião (8%).

     Em nome dessas pessoas (evidentemente nem todas sentem-se representadas pela Atea), o grupo ajuizou dezenas de ações contra o que considera atentados ao princípio do Estado laico. A maioria questiona iniciativas cristãs respaldadas pelo poder público.

     Entre os processos está uma ação contra o Rio e seu presidente de câmara, Marcelo Crivella, “pela realização de eventos religiosos em escolas municipais” — o suposto uso já foi explicado pelo secretário de educação. Outra é contrária à instalação de um templo evangélico na sede do Bope (PM-RJ).

     A investida judicial estende-se a outros credos.

      Mas a Atea não é apenas autora de ações na justiça, ela também é ré. O Ministério Público paulista já pediu a instauração de inquérito policial por postagens no Facebook da associação consideradas ofensivas e que poderiam incorrer na “prática de crime de ultraje a culto”. Em outras palavras: intolerância religiosa.

     É isso mesmo, admite o presidente da Atea, o engenheiro Daniel Sottomaior. “A gente quer odiar a religião, ela merece. Querem nos culpar por memes religiosos? Pois nos declaramos culpados desde já.”

     Publicação recente traz a reportagem de um museu em Amsterdão com “a maior coleção de deformidades humanas” (fetos com deficiências guardados em jarros). A legenda: “OBRIGADO, SENHOR!!!”.

     Dois posts provocaram ira ao apanhar boleia em momentos de comoção para questionar a fé. Ante a foto do menino sírio de rosto enterrado na areia após se afogar, a Atea fustigou: “Se Deus existisse, seria um (não ousamos citar)”. Após a tragédia aérea com a Chapecoense, nova provocação: uma foto da equipa orando no campo, outra do avião destroçado, mais a legenda “pode confiar, amiguinho, Deus é fiel”.

     A Atea desculpou-se depois, “por não ter mostrado mais claramente como a religião se aproveita de momentos de dor como este para impedir o pensamento racional”.

     À reportagem da Folha de São Paulo, Sottomaior lança uma metáfora para explicar a sua birra com a “ficção divina”. “Digamos que um dia alguém evoque o Supremo Enxugador de Gelo. O movimento dá crias, começam as desavenças, o enriquecimento com enxugamento de gelo alheio, ‘quem não enxugar gelo é mau’… No fim, enxugar gelo não vai ajudar ninguém.”

 

Estado laico não é ateu

     Para alguns representantes religiosos, a defesa do Estado laico não deve ser feita com intolerância religiosa como propõe a Atea, a mesma entidade que reclama do preconceito que as pessoas sem religião sofrem num país religioso como o Brasil.

     “O Estado é laico e tem que continuar assim. Mas eles, os ateus, têm que entender que o povo daqui é 85% cristão. A democracia é clara. A maioria vence”, declarou o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR).

     O babalorixá Diego de Aira, do Movimento Nacional Brasil contra a Intolerância Religiosa, diz defender tanto o direito “de se ter uma religião ou de não se ter”. Para ele não se trata apenas da religião, mas da tradição e cultura de um povo.

     Para dom Sergio da Rocha, presidente da CNBB, o Estado laico não pode interferir na cultura de um povo que foi formada com base na religião. “É preciso ter presente que o Estado é laico, mas a cultura brasileira é marcada pela religiosidade. O próprio Estado deve garantir a liberdade de expressão religiosa, não somente privada, mas também pública”, diz.

     Ele ainda critica a postura da Atea. “Quem combate as manifestações religiosas não contribui para a construção de uma democracia madura.”

- in Folha de São Paulo, JM Notícia e Gazeta do Povo

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