20-10-2025 - Extremistas islâmicos usam a violência sexual para massacrar Cristãos, apontam factos

Um caso ocorrido no estado de Plateau, na Nigéria, ilustra o uso da violência sexual como forma de perseguição religiosa contra comunidades cristãs na África Subsaariana. Rifkatu*, esposa de um pastor local, foi sequestrada por extremistas da etnia fulani, juntamente com sua cunhada.
O sequestro ocorreu quando as mulheres haviam retornado temporariamente à sua aldeia de origem para colher alimentos, após terem se deslocado devido a ataques anteriores. De acordo com o relato de Rifkatu, aproximadamente vinte homens armados cercaram-nas e levaram-nas para uma casa abandonada, onde sofreram abusos sexuais múltiplos.
“O homem que me levou perguntou por que eu chorava. Eu disse que era casada, mas ele respondeu: ‘Se seu marido fosse forte, ele a teria resgatado das nossas mãos'”, declarou a vítima.
Após um dia de cativeiro, foram transportadas para um acampamento militante, onde a violência sexual continuou. Rifkatu afirmou que não identificou outros muçulmanos entre os sequestrados no local. A libertação ocorreu somente quando começou a apresentar hemorragia, o que de acordo com o seu depoimento, levou os captores a temerem que um aborto espontâneo trouxesse “má sorte” ou expusesse sua localização.
O líder do grupo, após ser informado dos abusos, teria se desculpado e libertado as duas mulheres sem exigir resgate, deixando-as próximas a uma igreja em vilarejo vizinho.
O retorno ao lar, no entanto, marcou o início de novos desafios. Rifkatu desenvolveu um trauma severo, incluindo medo de aproximação masculina, mesmo do marido. Dois meses após o retorno, engravidou, mas o parto teve complicações que resultaram em condições de desenvolvimento especiais para a criança.
A família enfrentou estigmatização da comunidade local. “Ao perceberem a condição da nossa filha, as pessoas começaram a espalhar boatos de que ela pertencia aos fulani. Muitas mulheres evitam entrar em nossa casa com medo de que a visão da criança possa afetar suas próprias gestações”, relatou o pastor Zamai*, marido de Rifkatu.
Organizações de monitorização de perseguição religiosa indicam que a violência sexual é intencionalmente utilizada contra mulheres cristãs na região não apenas como agressão individual, mas como estratégia para destruir laços familiares e comunitários, criando estigmas duradouros e desestabilizando comunidades inteiras.
*Nomes alterados para proteção da identidade das vítimas.
- in Portas Abertas
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