04-11-2025 - Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial conclui-se com a posse de novo Secretário-Geral que quer resgatar significado original de Evangélico
Botrus Mansour falando aos delegados da WEA (Aliança Evangélica Mundial) durante a cerimónia de encerramento da assembleia geral em Seoul, South Korea, no dia 30 de outubro de 2025. (Photo: Christian Daily International)
A Assembleia Geral da Aliança Evangélica Mundial (WEA) concluiu-se em Seul, Coreia do Sul, na noite da passada quinta-feira, após quatro dias de discussão e deliberação sobre questões centrais que afetam o evangelicalismo e a evangelização.
Durante o encontro, o Dr. Botrus Mansour foi empossado como o novo Secretário-Geral da WEA, encerrando um período de um ano e meio em que o cargo esteve vago. Natural de Nazaré, Mansour traz uma vasta experiência para o cargo, sendo ex-advogado e tendo ocupado diversos cargos de liderança em instituições eclesiásticas e educacionais na Terra Santa, incluindo o de co-presidente da Iniciativa de Lausanne para a Reconciliação Israel-Palestina.
Falando aos jornalistas, afirmou que estava a “calçar sapatos grandes” e que, embora a nova nomeação fosse “impressionante”, ele estava ali “para servir”.
No seu primeiro discurso como Secretário-Geral da WEA, na noite de quinta-feira, declarou ser “especial” ser nomeado para o cargo como cristão palestiniano de Israel, sobretudo pouco tempo depois do acordo de cessar-fogo alcançado com o Hamas.
“Rendo homenagem ao meu povo e ao meu país”, disse, acrescentando que orava para que o cessar-fogo se mantivesse.
Disse ainda sentir-se “profundamente honrado” por ter sido eleito e que sentia uma “grande responsabilidade” perante a organização, que reúne 161 alianças nacionais em todo o mundo, representando mais de 650 milhões de evangélicos.
“Estou aqui para servir”, repetiu, expressando o desejo de ver uma WEA marcada pelo “trabalho em equipa” e pela “unidade”, e pelo fortalecimento das alianças regionais.
“Somos pessoas diferentes, mas temos um só Espírito, uma só missão, um mesmo núcleo de crenças. Poderemos nós elevar-nos ao nível da oração de Jesus — ‘Que eles sejam um, assim como Nós somos um’?”, questionou.
Mais adiante no discurso, Mansour afirmou querer “resgatar” a palavra ‘evangélico’, devolvendo-lhe o seu significado original como “portadores de boas notícias”.
“Tem sido politizada e alterada, e as pessoas usam-na de diferentes maneiras… queremos ser portadores das boas notícias para o mundo inteiro. Trabalharemos para cumprir essa tarefa”, afirmou.
É a primeira vez que tanto o Secretário-Geral como o Presidente da WEA são provenientes do . Yogarajah afirmou que isso é “um reflexo do que está a acontecer globalmente”, tendo em conta o “crescimento fenomenal do Cristianismo” nessa região.
“Sinto-me honrado e humilde por ter sido eleito presidente”, disse, acrescentando que o Conselho Internacional está pronto para servir as alianças nacionais.
“Agradeço-vos por depositarem em mim a vossa confiança.”
A assembleia geral da WEA foi hospedada pela Igreja SaRang, em Seul — com 60.000 membros —, e reuniu mais de 850 evangélicos de todo o mundo.
A Declaração de Seul
No último dia de reuniões, foi apresentada aos delegados a Declaração de Seul, um documento de 15 páginas elaborado por um grupo internacional de teólogos, incluindo oito sul-coreanos. O texto define posições evangélicas sobre várias questões — género e sexualidade humana, guerra, aborto, liberdade religiosa e as divisões contínuas na Península Coreana.
Um porta-voz da WEA explicou que o documento pretende ser um “marco orientador” para os seus membros, com perspetivas teológicas cuidadosamente ponderadas sobre questões-chave do mundo atual e “como a Igreja deve orientar-se para o futuro”.
“Reunimo-nos num momento crucial da história humana — marcado pelas consequências de uma pandemia global, incerteza económica generalizada, conflitos crescentes em várias regiões e pela rápida introdução da inteligência artificial na esfera pública. A Igreja global não tem estado imune a estas pressões; muitas das nossas comunidades continuam a sofrer dificuldades, sofrimento e fragmentação social”, lê-se na introdução.
“Neste contexto sóbrio, a nossa assembleia decorre numa terra moldada tanto por profunda frutificação do Evangelho como por duradoura divisão. A Península Coreana, dividida há mais de oito décadas, simboliza a dor da separação e a esperança resiliente da reconciliação. Reconhecemos este contexto único ao reunir-nos em comunhão com as Igrejas coreanas — uma comunidade cujo testemunho evangélico contribuiu significativamente para a missão global, a vida pública e a profundidade teológica.”
A declaração reafirma que a evangelização e o discipulado são “a nossa missão mais importante e principal”.
Contudo, os evangélicos são chamados ao arrependimento por não terem sido sal e luz, e pela “fragmentação do Corpo de Cristo”, que “enfraqueceu o testemunho público da soberania de Deus sobre todas as áreas da vida e o sofrimento dos nossos irmãos perseguidos”.
O texto ora para que os líderes cristãos sejam preservados do abuso de autoridade, da imoralidade e da secularização, e que sirvam com a humildade de Cristo.
Dignidade da vida e sexualidade bíblica
Numa secção sobre a dignidade da vida, a declaração lamenta o “fracasso coletivo” dos evangélicos em agir com mais firmeza contra sistemas que perpetuam racismo, tribalismo, castas e discriminação contra refugiados, migrantes, mulheres e crianças. Também lamenta “a incapacidade de manter uma posição clara” sobre aborto, eutanásia e cuidado dos idosos.
Reconhece que os evangélicos “têm negligenciado deveres ambientais” e “não têm feito o suficiente” para combater o abuso da criação de Deus.
Respondendo implicitamente a críticas sobre as relações inter-religiosas da WEA, que motivaram protestos de alguns cristãos coreanos durante os quatro dias da assembleia, o texto afirma o compromisso da WEA com a “colaboração sem compromisso”, permanecendo alerta “aos perigos do pluralismo e do sincretismo religiosos”, enquanto se mantém firme “no Evangelho, na ortodoxia bíblica e no poder renovador do Espírito”.
A declaração reconhece que “muitos nas nossas sociedades lutam profundamente com questões de identidade, sexualidade e pertença” e compromete os evangélicos a “ouvir com humildade, caminhar com compaixão e ministrar com clareza bíblica e ternura pastoral”.
“Afirmamos, portanto, que a prática da homossexualidade é pecado (Romanos 1:26–27), contrária ao desígnio de Deus para a sexualidade humana. Mas proclamamos esta verdade não com condenação, mas com amor — oferecendo esperança, cura e liberdade que se encontram somente em Cristo (1 Coríntios 6:9–11).”
“Desejamos ser uma Igreja que fala a verdade enquanto manifesta graça, lembrando sempre a nossa própria necessidade de misericórdia (Tito 3:3–7).”
O documento também reafirma que os seres humanos foram criados “homem e mulher, iguais em dignidade e valor”, e que o casamento é uma união sagrada entre um homem e uma mulher.
Mais adiante, rejeita “a cultura da morte que desvaloriza os fracos, os idosos e os não nascidos”, afirmando “a sacralidade da vida desde a conceção até à morte natural”.
Compromete ainda a WEA a “resistir corajosamente a todos os sistemas ideológicos que suprimem a liberdade de fé e distorcem a antropologia bíblica”, proclamando Cristo “com compaixão, humildade e coragem”.
- in Christan Today
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