23-07-09 - Max Lucado: “O Inferno existe, de facto!”
Excertos de uma entrevista dada por um dos mais populares autores cristãos da actualidade, Max Lucado, à Cristianismo Hoje.Autor consagrado com mais de 60 livros que venderam algo perto de 50 milhões de exemplares em todo o mundo, ele é um fenómeno das letras cristãs. A abrangência da sua obra pode ser avaliada pela diversidade dos temas que aborda. Derrubando Golias, Ele escolheu os cravos, Seguro nos braços do Pai, Nas garras da graça e Simplesmente como Jesus são alguns títulos que demonstram o seu ecletismo.
Max Lucado é tido nos Estados Unidos como uma referência cristã que transcende os muros da Igreja. O seu trabalho é enaltecido por publicações seculares como o New York Times e o USA Today. Mesmo assim, ele não é condescendente com a actual situação de seu país. “Os Estados Unidos não são mais uma nação cristã, porque o Cristianismo não influencia mais suas decisões”, critica. Casado com Denalyn e pai de três filhas, Lucado vive em San Antonio, no Texas, EUA.
MAX LUCADO – Sou pastor, e todos os meus livros são para a Igreja – ou seja, eu faço-os a pensar na Igreja, e ela necessita de saber que estamos numa época em que precisamos de estudar um Evangelho simples. E como fazer isso? Explicando tudo numa frase bem simples, expressando opiniões mais simples ainda. Então, considero o texto de João 3.16 como uma passagem ideal. O curioso é que a primeira vez em que pensei neste livro foi em 1998, quando ouvi uma música da cantora Jacy Velasquez baseada justamente na passagem de João 3.16. Aí, uma pessoa deu-me a ideia de escrever um livro baseado também naquele texto. Bem, passados estes anos, aí está o livro.
Porque é que o dia 11 de Setembro, data tão emblemática para a humanidade, foi escolhida para o lançamento mundial de um livro que fala justamente da antítese do ódio?
Há uma maneira de comparar 9/11 com João 3.16 – e é precisamente a contraposição do medo contra a esperança.
Na sua opinião, o que mudou na Igreja após aquele episódio? Ela também perdeu um pouco da sua esperança? E agora, passados seis anos dos atentados, como é que os cristãos americanos lidam com a questão?
Infelizmente, nada mudou desde então. Eu lembro-me de que nos primeiros dias após o atentado, todas as igrejas estavam lotadas. Só que o tempo passou e as pessoas não permaneceram naquela busca pelo Senhor. Agora, está tudo normal. Infelizmente, o Cristianismo não influencia os Estados Unidos. Aliás, os Estados Unidos não são um país Cristão, mas um país que tem Cristãos. Um país Cristão glorifica a Cristo nas suas decisões e os Estados Unidos não estão a fazer isso. Eu acho que os Estados Unidos não estão a crer no Senhor como a Coreia do Sul, o Brasil ou a China.
Qual a sua expectativa quanto ao efeito de João 3.16 sobre os leitores?
Eu tenho duas expectativas. Uma delas é a de alcançar as pessoas que não são discípulos de Cristo – para isso, quis apresentar-lhes um livro que explicasse o Evangelho de forma simples. A outra é edificar os cristãos, fazendo-os entender o Evangelho. Eu quis descomplicar as coisas importantes da Palavra de Deus.
Mas o livro tem alguns capítulos que abordam temas bem complicados, como a existência do céu e do inferno. Algumas modernas interpretações da Bíblia têm procurado relativizar essa doutrina, sugerindo que um Deus tão amoroso jamais lançaria pessoas no inferno, e que este termo, na realidade, significaria apenas “sepultura”. O senhor considera que as referências ao céu e ao inferno, na Palavra, são literais e referem-se mesmo a estados eternos a que serão destinadas todas as pessoas?
Eu procurei achar todas as possibilidades e caminhos para concordar com as pessoas que dizem que não existe literalmente o inferno. Mas, simplesmente, não concordo com isso. As Escrituras descrevem uma punição eterna com a mesma convicção que falam sobre a existência do céu. Eu estou convencido de que o inferno existe de facto – e é o destino eterno das pessoas que passam a vida inteira a dizer para Deus as deixar sós. Pois no final, será exactamente isso que Ele irá fazer.
Desde o lançamento de O maior vendedor do mundo, de Og Mandino, os temas motivacionais e princípios da auto-ajuda proporcionaram o surgimento de um dos principais géneros literários da actualidade. Qual a sua opinião acerca deste tipo de literatura?
A auto-ajuda é uma boa ideia – mas uma mão limpa não pode ajudar a limpar uma suja. Logo, os princípios da auto-ajuda não são suficientes para o ser humano. Por isso, temos que buscar ajuda de outro lugar. Precisamos de ter a ajuda de Deus. É por isso que eu prefiro a Cristo-ajuda …
Na sua opinião, o Cristão tem uma percepção correcta do sofrimento e do seu significado?
É muito necessário entendermos o propósito do sofrimento. Ele é a ferramenta usada por Deus para tratar o carácter humano. A Bíblia diz que o sofrimento nos prepara para sermos fortes; ele prepara-nos para a vida eterna. E é fundamental ressaltar que a Palavra de Deus não nos revela que não teríamos sofrimentos – mas afirma que Cristo nos fortaleceria nestes momentos.
Agora, uma pergunta inevitável: Qual o segredo do sucesso dos seus livros?
Olhe, eu não sei o porquê de os meus livros serem bem recebidos. Simplesmente, não tenho explicação para isso. Eu apenas gosto de escrever para pessoas que não gostam de ler, pois sou uma pessoa bem simples.
Porque é que resolveu aposentar-se do pastorado da Oak Hills Church, congregação onde exerceu o ministério desde 1987?
Na verdade, não estou a reformar-me. Só estou a mudar de cargo, já que vou ficar a trabalhar como professor da Bíblia. Acontece que conciliar o ofício de escritor com o cargo de pastor principal é demais. Só estou a simplificar as coisas …
Em João 3.16, Deus apresenta o seu amor infinito ao homem. Como é que tem vivido este amor na sua vida?
O amor de Deus é a coisa mais importante da minha vida. Eu lutei muito com o Senhor nos primeiros dias da minha conversão. Era alcoólatra e achei que Deus poderia perdoar-me; e aí, finalmente, comecei a acreditar nesse amor divino e efectivamente cri que Deus pode perdoar-nos.
Leia também:
09-01-08 - Max Lucado Lança o Movimento João 3:16
A conversa mais famosa da Bíblia segundo o livro "3:16"
Uma expressão universal
Tradução de "crer"
Novo nascimento
O povo da caverna




