Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XXIV - ACTOS 15:1-3 (Cont.)

     Como resultado da controvérsia que se levantou, ficou determinado ”que Paulo, Barnabé, e alguns de entre eles, subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão” (Vers.2).

     Duma forma geral todos concordam que esta visita de Paulo e Barnabé é idêntica à referida em Gál.2, mas uma vez que a concórdia não é unânime apresentamos algumas razões porque cremos ser assim.

     As únicas outras visitas registadas de Paulo a Jerusalém, a que Gál.2 se poderia referir, são as de Actos 11:30 e 18:22.

     Os argumentos contra a visita de Actos 11.30 ser idêntica à de Gál.2 são os seguintes:

1. Parece impossível ajustar os 14 anos de Gál.2:.1 no período de Actos 9:27 (a sua primeira visita após a sua conversão) a Actos 11:30.

2. O propósito da sua visita em Actos 11:30 é declarado ser para levar “socorro” financeiro aos santos pobre da Judeia.

3. Não existe nenhum registo do problema da circuncisão ter sido levantado então e é duvidoso que tenha sido levantado logo após o esclarecimento de Actos 11:18.

4. Se o acordo de Gál.2:9 tivesse sido feito durante a visita de Actos 11:18, antes do concílio de Actos 15, decerto que neste concílio ter-se-ia apelado para tal acordo. De facto, o concílio de Actos 15 teria então sido desnecessário.

     Os argumentos contra a visita de Actos 18:22 ser idêntica à de Gál.2 são os seguintes:

1. O intervalo entre as visitas de Actos 9:27 e Actos 18:22 é, sem dúvida, consideravelmente maior que 14 anos.

2. Não é verosímil que o problema da circuncisão dos Gentios tenha sido levantado de  novo após a decisão escrita do concílio de Actos 15.

3. Se tivesse sido levantado certamente que se teria apelado para a decisão prévia no concílio de Actos 15.

     Por estas razões e devido à similaridade geral dos registos de Actos 15 e de Gál.2, cremos que eles se referem à mesma visita. A principal objecção levantada contra este ponto de vista é que em Gál.1:18-2:1 o próprio Paulo declara solenemente que depois da sua visita com Pedro, três anos após a sua conversão, ele não subira a Jerusalém para ver de novo os apóstolos senão “catorze anos depois”. Mas esta dificuldade não é insuperável, pois o argumento do apóstolo em Gálatas não é que ele tenha ido a Jerusalém tão espaçadamente, mas que ele tinha estado espaçadamente privado do contacto com os apóstolos,1 e por conseguinte não poderia ter obtido deles o seu ensino. A omissão que ele faz da visita de Actos 11:30 na passagem aos Gálatas é evidentemente devida ao facto de ele não ter visto nenhum dos apóstolos nessa altura, e não indica falta de candura (Ver as nossas notas nas Pp. 123-126, sobre a visita de Actos 11:30).

     Mas será que este enviar de Paulo aos apóstolos e aos anciãos em Jerusalém para esclarecer este assunto indica que ele estava sujeito a eles? De modo algum. Não foram somente os crentes em Antioquia que “resolveram” enviar, nesta altura Paulo a Jerusalém; o Senhor também o enviou, e para um propósito muito especial, como ele diz em Gál.2:2:

     “E SUBI POR UMA REVELAÇÃO, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os Gentios...”

     Este caso não foi o primeiro, pois na sua primeira visita a Jerusalém , após a sua conversão, a sua vida tinha sido exposta de tal forma ao perigo, que “os irmãos” o tomaram pela mão e “o enviaram para Tarso” (Actos 9:30). Mas em Actos 22:17,18 o apóstolo explica como naquela mesma visita, enquanto orava no templo, ele foi arrebatado:

     “E VI AQUELE QUE ME DIZIA: DÁ-TE PRESSA, E SAI APRESSADAMENTE DE JERUSALÉM; PORQUE NÃO RECEBERÃO O TEU TESTEMUNHO ACERCA DE MIM”.

     Assim nestas duas ocasiões ele foi enviado, primeiro de Jerusalém e depois a Jerusalém tanto pelos irmãos, como pelo Senhor. E a relação dessas duas visitas também é significante. Na primeira ocasião ele foi enviado de Jerusalém pelos irmãos para a sua segurança física, mas pelo Senhor por causa da incredulidade de Israel (Actos 22:18).

     Na segunda ocasião ele foi enviado a Jerusalém pelos irmãos para esclarecer um problema controverso respeitante à circuncisão, mas pelo Senhor para poder comunicar aos líderes em Jerusalém o Evangelho que ele tinha estado a pregar aos Gentios e para que eles pudessem reconhecê-lo oficial e publicamente como o apóstolo dos Gentios, enviado a proclamar “o Evangelho da incircuncisão” (Gál.2:2,7,9).

     Paulo tinha plena autoridade da parte do Senhor inteiramente à parte dos doze. Ele tinha sido salvo e ordenado apóstolo no caminho para Damasco, longe de Jerusalém e dos doze. Ele também tinha sido enviado na sua primeira grande jornada apostólica da Antioquia da Síria, inteiramente à parte dos doze. Presentemente já tinha sido usado para voltar grandes números de Gentios para o Senhor, nunca necessitando uma única vez sequer, de receber instruções ou autoridade da parte dos apóstolos em Jerusalém. A razão porque ele, agora, era enviado a Jerusalém pelo Senhor não foi por amor dele, mas por amor deles e por amor do programa que agora estava a ser iniciado.

     Devemo-nos lembrar que os apóstolos em Jerusalém tinham sido originalmente enviados a “todo o mundo” e a “todas as nações” (Mat.28:19; Marc.16:15). Era sua esperança e expectação Israel receber Cristo, o Rei ressuscitado e assim a salvação e a benção fluírem por meio de Israel para os Gentios. Mas Israel rejeitou o seu Rei e os há muito prometidos “tempos de refrigério”. O apedrejamento de Estevão foi, nas palavras de Sir Robert Anderson “a crise secreta” na história de Israel e, ao preparar-se para pôr de parte temporariamente Israel e suspender o estabelecimento do reino, Deus levantou um outro apóstolo e enviou-o a proclamar graça aos Gentios inteiramente à parte da instrumentalidade de Israel; não devido à nação de Israel ter aceitado Cristo, mas porque O rejeitou e contra Ele se rebelou.

     Este acontecimento afectou, naturalmente, a “grande comissão” aos onze. Sob este novo programa Paulo, não os apóstolos em Jerusalém, tornar-se-ia no apóstolo para “todas as nações” e “todo o mundo” e os apóstolos em Jerusalém, dali em diante, limitariam o seu ministério aos da circuncisão. Paulo compreendia perfeitamente isto, mas eles, também deviam compreendê-lo e reconhecê-lo, para que não Operassem em propósitos cruzados.

     Ademais, sob esta nova dispensação a parede de separação que se encontrava no meio dos Judeus e Gentios seria gradualmente derrubada, e por conseguinte seria necessário que os crentes Judeus reconhecessem os crentes Gentios como seus irmãos em Cristo. Certamente que isto não era senão o começo. Eles ainda não podiam compreender a sua completa unidade em Cristo e ainda se encontravam longe de reconhecerem em si mesmos o que verdadeiramente eram: “UM só Corpo em Cristo, e todos membros uns dos outros” (Rom.12:5, cf. I Cor.1:2; 12:13).

     Tudo isto, em adição ao facto de que deveria ser esclarecido de uma vez por todas e para todos que pelo menos os Gentios não deveriam ser obrigados a sujeitarem-se à lei de Moisés. De novo, isto não era senão um começo, pois o concílio em Jerusalém nem considerou sequer a questão dos crentes Judeus deverem ou não permanecer debaixo da lei. Eles assumiam que se encontravam, pois nenhuma revelação tinha ainda sido dada por Deus em como eles deveriam ser libertados dela. Em Actos 21:20 eles ainda eram “todos zeladores da lei”.

     Assim, com o levantamento de Paulo e com o seu primeiro ministério entre os Gentios temos a transição gradual da velha dispensação, para a nova. Deus não revela tudo duma só vez, nem principia igrejas entre os Gentios que permaneçam sem relação com os crentes em Jerusalém. Dos Santos em Jerusalém é esperado que reconheçam a mudança no programa, para o acompanharem na sua evolução, e para que gozem da sua unidade com os santos Gentios.

     Dos que acompanhavam Paulo nesta jornada para Jerusalém só dois nomes são mencionados no registo sagrado: Barnabé (Actos 15:2) e Tito (Gál.2:1). A escolha destes dois pode ter sido muito apropriada, pois Barnabé tinha pertencido, originalmente ao grupo em Jerusalém e era Levita de nascimento, enquanto que Tito era um Grego incircuncidado. Com estes dois e alguns outros, o apóstolo seguiu para Jerusalém.

     Anos mais tarde escreveu da prisão aos Filipenses como um soldado que guarda o tesouro mais precioso: “Eu fui colocado para defesa do Evangelho” (Fil.1:17). Ele sempre teve que se erguer para defender a pureza destas boas novas que lhe tinham sido confiadas: “O Evangelho da graça de Deus”. Agradeçamos a Deus por isso. A sua “discussão e contenda” com os Judaízantes em Antioquia estava a mostrar resultados, pois apesar de “atribulada”, a igreja ali ainda se colocou ao lado de Paulo e Barnabé, como é evidenciado pelo facto da igreja os ter acompanhado, quando começaram a jornada. Também deve ter encorajado Paulo e o seu grupo o verem que as suas novas da conversão dos Gentios da Fenícia e Samaria “davam grande alegria a todos os irmãos” (Actos 15:3). Certamente que eles podiam ter navegado de Antioquia para Jope e evitado a região dos Cananeus e os odiados Samaritanos, mas a escolha desta rota pode muito bem ter sido uma asserção dos princípios pelos quais eles se erguiam.


“Nem tornei a Jerusalém, A TER COM OS QUE JÁ ANTES DE MIM ERAM APÓSTOLOS” (Gál.1:17).

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