Aos Pais dos meus Netos (9)

Aos pais dos meus netos




     Passemos agora para Ló, outra história muito triste, porém cheia de ensinamentos. Quando os servos de Abraão e Ló contenderam entre si, Abraão sugeriu que seria melhor se separarem do que oferecer aos amorreus, povo que habitava a terra, uma triste imagem de irmãos na fé e servos do único Deus verdadeiro brigando entre si. Com um amável espírito de modéstia e humildade, Abraão, o mais velho, convidou o seu sobrinho Ló para escolher o lugar onde preferia ficar. A motivação de Ló para aceitar tal proposta é uma lamentável evidência de seu egoísmo.

     Mas assim foi. E ele escolheu as bem regadas planícies de Sodoma para serem a sua nova pátria. Oh! Quantas vezes nós também colocamos as nossas famílias num contato desnecessário com a impureza moral, e isto só pela esperança de obter alguma vantagem para o nosso bolso ou dela!

     Como não teria sido muito melhor por Ló permanecer pobre, em vez de se enriquecer com as riquezas de Sodoma! Nós conhe¬cemos a sua triste história, que começou ao contemplar a planície do Jordão, uma "campina bem regada"; o próximo passo foi ir armando as suas tendas até Sodoma; depois passou a morar na própria cidade e, finalmente, tinha o seu lugar na entrada (no conselho da cidade).

     Mas, também, somos informados de que Ló diariamente afligia a sua alma justa enquanto vivia ali, naquele lugar impuro. Talvez até tenha sido a sua esposa ou a sua família que o convenceram a fixar-se em Sodoma, perma-necendo ali apesar de tanta coisa que dia após dia o atormentava. A razão disso pode ter sido a vantagem que suas filhas teriam em morar num lugar assim tão bem situado. Mas seja o que for, é quase certo que as suas filhas se casariam com homens de Sodoma e que ali estavam a sentir-se bem. Consideremos sempre que tudo começou com aquela escolha bastante egoísta e sem vergonha, escolha que ele próprio tomou, ¬em vez de esperar, que o seu tio escolhesse.

     É o que deveria ter feito, motivado ao menos pela educação e pelo respeito.

     O que eu considero ainda mais lamentável em toda essa triste história, é o relato de Génesis 19,14:

     "Então saiu Ló e falou a seus genros, aos que estavam para se casar com suas filhas, e disse: Levantai-vos, sal deste lugar, porque o Senhor há-de destruir a cidade. Acharam, porém, que ele gracejava com eles."

     Ele se portava como um zombador. Esta, para mim, é uma sentença comprometedora. Como sabem, este pecado é justamente uma tentação especial para mim, e assim eu posso entender, talvez até melhor que vocês, devido à minha própria e dolorosa experiência, que Ló ¬mesmo com a alma afligida - tinha o costume de fazer gracejos. Ele parece ter sido uma pessoa muito espirituosa, sempre com algo engraçado. Bem, se era assim ou não, eu estou certo de que não foi a primeira vez que Ló "aprontava uma" com os seus genros, porque do contrário não se equivocariam ao entender que o desespero e os sérios gestos de Ló naquela terrível noite fossem uma brincadeira.

     Pensem nisto, meus queridos, os gracejos de Ló custaram-lhe a vida dos noivos das suas filhas e talvez das famílias de outras filhas casadas que tinha (v. 15). Estes padeceram juntamente com a cidade, por causa daquilo que consideramos "brincadeiras inocentes". Eu creio que é neste sentido que também podemos entender a palavra de Eclesiastes 10:1: "as moscas mortas fazem fermentar e cheirar mal o unguento do perfumista; assim também uma pequena loucura ao que é estimado por sábio e honrado" (adaptado ao original). Quão diferente é o cheiro dos unguentos do Senhor em Cantares 1:3, ou o aroma agradável que preencheu aquela casa aonde estavam assentados Jesus e os Seus discípulos. Que pena se este fosse anulado por algumas "moscas mortas".

     Por isto, não nos maravilhamos ao notar que o Novo Testamento é tão insistente em exortar aos que têm alguma responsabilidade na igreja para que sejam sóbrios e temperantes (1 Timóteo 3:2,8,11; Tito 1:8; 2:2), e a todos nós adverte sobre as palavras vãs e os gracejos, porque não nos convém (Efésios 5:4). Que tormento para a consciência, quando pessoas que amávamos têm que passar toda a eternidade no lago de fogo, por causa das nossas brincadeiras!

     Com tudo isso a triste história da família de Ló já poderia terminar!

     Mas ela ainda não acabou. O facto da sua esposa ter olhado para trás indica-nos aonde estava o seu coração; tomou-se uma estátua de sal; que severa advertência para todos nós. As suas próprias filhas, que foram salvas de Sodoma, embriagam a Ló (o que não parece ser anormal para ele) por duas noites seguidas e se tomam, para vergonha dele e delas, mães dos moabitas e dos amonitas - dois dos mais ferrenhos inimigos de Israel.

     Estas são as consequências dos caminhos de um "homem justo", caminhos que começaram com um desejoso olhar para as bem regadas planícies deste mundo.

     Oh! Nosso Deus, guarda-nos disso, nós te pedimos!

“AOS PAIS DOS MEUS NETOS”
Cartas de um avô aos pais dos seus netos
G. C. Willis

(Continua)

Aos Pais dos meus Netos (1)
Aos Pais dos meus Netos (2)
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