10-03-15 - Áustria restringe direitos de muçulmanos com medo de ataques terroristas

Parem o Islão

     
Para evitar a influência de grupos extremistas, a Áustria resolveu restringir alguns direitos antes dados os muçulmanos no país. A nova medida desagradou os religiosos, principalmente os imãs que serão os mais afetados por ela.

     A lei de 1912 que igualava o Islão aos direitos dos cristãos e judeus agora tem algumas ressalvas: as mesquitas não podem receber dinheiro do exterior, o imã que recebe dinheiro de fora não poderá pregar no país e o ensino da fé muçulmana só poderá acontecer em alemão e não mais em outras línguas.

     A decisão partiu do governo austríaco que é comandado pela coligação formada pelo Partido Social Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular Austríaco (ÖVP). A ideia é que o Islão na Áustria tenha ligação com a população local sem receber influência de fora.

     “Nós queremos um Islão com um caráter austríaco”, disse o ministro da Integração, Sebastian Kurz, em outubro do ano passado durante uma declaração feita na TV pública ORF.
 

    “Tivemos que ser um pouco mais restritos sobre o financiamento de outros países no caso do Islão”, disse Kurz, afirmando que as outras religiões não trazem preocupação em relação a influência de outras nações.

     A maior preocupação com o país é a forma como outros países influenciam o Islão; um exemplo é o financiamento dos imãs feito pela Turquia. Esses religiosos falam apenas em turco e não aprendem a língua oficial da Áustria que é o alemão.

     “Existe muita influência política. Nós queremos ver imãs treinados aqui, pregando em alemão, entendendo a nossa cultura”, explicou a porta-voz do Partido Social Democrata, Alexandra Hopf.

     Já a porta-voz da Confissão Religiosa Islâmica na Áustria (IGGIÖ), Carla Amina Baghajati, vê que a relação entre o país europeu e os muçulmanos que ali vivem será abalada. “A velha lei era significativa para os muçulmanos. Ela nos dava laços emocionais profundos com a Áustria. Depois que essa nova lei for aprovada, eu não estou certa de que os muçulmanos vão continuar sentindo esse mesmo vínculo emocional”, diz.

     Em sua opinião o governo austríaco não tem com que se preocupar. “É como se eles acreditassem que a sharia vá tomar conta da Áustria. Nós dissemos várias vezes que somos pelo pluralismo, pelo domínio da lei e pela igualdade.”

     O Islão cresce na Áustria e há relatos de pessoas que fugiram para lutar com o Estado Islâmico (EI).

     Em 2013, 7% dos austríacos afirmaram-se como muçulmanos, o que representa cerca de 574 mil pessoas. Em Viena a estimativa é que 12,5% sejam fiéis do Islão. Mas ao contrário de outros países da Europa, a maioria desses religiosos não é formada por árabes, mas sim de origem bósnia. Outras etnias comuns no país são os persas, os chechenos e, depois, os árabes.

     O governo está preocupado, principalmente depois que 190 pessoas, exilados chechenos na sua maioria, terem deixado o país para lutar ao lado dos extremistas do EI. No ano passado duas adolescentes fugiram do país para se casar com jihadistas na Síria e no começo deste ano vários menores de idade foram detidos, suspeitos de se envolverem com o terrorismo.

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