Intoxicados com Deus - Puritanos
O Compromisso puritano com a Palavra de Deus originou-se da devoção à pessoa de Deus como seu autor. No século passado, foi A. W. Tozer quem melhor expressou a necessidade de uma alta conceituação de Deus:
"A questão mais séria para a Igreja é sempre o próprio Deus, e o facto mais portentoso acerca de qualquer homem não é o que ele, num momento determinado, é capaz de dizer ou fazer, mas o que ele, no seu íntimo, concebe que Deus seja. Temos a tendência, por uma lei secreta da alma, de seguirmos a nossa imagem mental de Deus. Isto é verdade não apenas no Cristão, mas no grupo de Cristãos que compõem a Igreja. Sempre, a coisa mais reveladora acerca da Igreja é a ideia que ela faz de Deus, assim como a sua mensagem mais importante é o que ela diz sobre Ele ou deixa de dizer, pois o seu silêncio é, via de regra, mais eloquente do que o seu discurso. Ela não consegue fugir da auto-revelação do seu testemunho relativo a Deus".
De acordo com Tozer, um conceito correcto a respeito de Deus é tão básico para o viver diário quanto o é para a teologia, "corresponde a adorar o que a fundação é para o Templo: onde quer que ela seja inadequada ou esteja fora de esquadria, toda a estrutura, mais cedo ao mais tarde, ruirá" - Em termos práticos, todos os erros doutrinários e morais podem ser, em última análise, uma baixa concepção de Deus. Falando a respeito dos seus próprios dias, Tozer declarou: "Penso que o conceito cristão de Deus em vigência nesta metade do século XX é tão decadente que está completamente abaixo da dignidade do Deus Altíssimo, constituindo-se, na realidade, para os crentes professos, algo que roça a calamidade moral" (imagine agora – no início do século XXI). Este comentário hoje é mais precioso do que nunca.
Em contraste, os puritanos eram conhecidos por serem pessoas intoxicadas com Deus. Até mesmo a própria teologia foi definida por um teólogo puritano como a doutrina do Deus vivo. Ele elaborou com requinte o que queria dizer:
"Toda a arte possui as suas regras para as quais correspondem a obra da pessoa que a pratica. Já que o viver é a obra mais nobre de todas, não pode haver estudo mais adequado do que a arte do viver.
Já que o tipo de vida mais elevado para um ser humano é o que mais se aproxima do Deus vivo e provedor de vida, a natureza da vida teológica é viver para Deus.
O ser humano vive para Deus quando vive de acorda com a vontade de Deus, para a glória de Deus, e com a operação de Deus nele" ( Ames).
Isto expressa uma cosmovisão teocêntrica - relacionando tudo na vida de alguém, incluindo todos os problemas pessoais, com a natureza, com o carácter e com o propósito de Deus. Da mesma forma, a psicologia, como conhecimento do homem, estava arraigada à teologia, que se constituía no conhecimento de Deus. Para os Puritanos, a teologia não era uma ciência esotérica e enigmática a ser estudada por uma elite académica; ao contrário, foi um assunto eminentemente relevante para todos os crentes.
"Agora, já que esta vida tão desejada é verdadeira e propriamente a nossa prática mais importante, fica evidente que a teologia não é uma disciplina especulativa, mas prática - não somente no respeito comum, que todas as disciplinas possuem... a boa prática como seu fim, mas de uma maneira peculiar e especial, quando comparada a todas as demais... A teologia, portanto, é para nós a última e mais nobre de todas as artes exactas que se pode ensinar. Ela é um guia, um plano-mestre para nosso propósito mais alto, enviada de forma especial por Deus, que trata das coisas divinas, voltada para Deus, e que conduz o homem a Deus" (Ames)
Este foco dos puritanos centrado em Deus brotava de uma devoção profunda e adequada ao Criador. Thomas Watson, teólogo inglês do século XVII, é quem melhor capta a ênfase puritana acerca do amor por Deus na sua explicação da natureza, grau e fruto do amor. Por natureza, o amor a Deus deve ser completo, sincero, fervoroso, activo, exclusivo e permanente. De acordo com Watson; "O verdadeiro amor ferve, mas não derrama. O amor a Deus, assim como é sincero e sem hipocrisia, é constante e sem apostasia". O grau de amor a Deus deve ser imensurável, já que ele é a quintessência de tudo o que é bom. Já que Deus é central à nossa percepção, Ele deve ser detentor daquilo que é central nas nossas disposições e inclinações - Watson.
O que Watson concluiu a partir disso é o que diferencia a visão de Deus do puritanismo inglês da atitude evangélica contemporânea em relação a Ele. "Você talvez ame demais a criatura. Você pode amar demais o vinho e a prata; mas não há como você amar Deus em excesso. Se isso fosse possível, esse excesso seria uma virtude; mas é por causa do nosso pecado que somos incapazes de amar a Deus o suficiente" (Watson) - Já que Deus é infinito, Ele sempre transcende nosso amor por Ele e excede o nosso conhecimento d’Ele. Portanto, jamais devemos cessar de buscar maior compreensão de Seus próprios propósitos e maior devoção à Sua pessoa. Um anseio consumidor por Cristo deixa pouco espaço para distracções como a busca da auto-satisfação. Por conseguinte, os puritanos que tanto amavam a Deus não viviam ocupados com suas próprias necessidades quanto nós que vivemos na "Geração do Eu". Eles captavam a verdade de que um conhecimento preciso do eu vem somente por meio de um conhecimento prévio de Deus. Desse modo, o seu ponto teocêntrico favorável conferiu-lhes uma perspectiva diferente acerca da natureza do homem, particularmente no que diz respeito ao funcionamento das faculdades humanas.
De acordo com Tozer, um conceito correcto a respeito de Deus é tão básico para o viver diário quanto o é para a teologia, "corresponde a adorar o que a fundação é para o Templo: onde quer que ela seja inadequada ou esteja fora de esquadria, toda a estrutura, mais cedo ao mais tarde, ruirá" - Em termos práticos, todos os erros doutrinários e morais podem ser, em última análise, uma baixa concepção de Deus. Falando a respeito dos seus próprios dias, Tozer declarou: "Penso que o conceito cristão de Deus em vigência nesta metade do século XX é tão decadente que está completamente abaixo da dignidade do Deus Altíssimo, constituindo-se, na realidade, para os crentes professos, algo que roça a calamidade moral" (imagine agora – no início do século XXI). Este comentário hoje é mais precioso do que nunca.
Em contraste, os puritanos eram conhecidos por serem pessoas intoxicadas com Deus. Até mesmo a própria teologia foi definida por um teólogo puritano como a doutrina do Deus vivo. Ele elaborou com requinte o que queria dizer:
"Toda a arte possui as suas regras para as quais correspondem a obra da pessoa que a pratica. Já que o viver é a obra mais nobre de todas, não pode haver estudo mais adequado do que a arte do viver.
Já que o tipo de vida mais elevado para um ser humano é o que mais se aproxima do Deus vivo e provedor de vida, a natureza da vida teológica é viver para Deus.
O ser humano vive para Deus quando vive de acorda com a vontade de Deus, para a glória de Deus, e com a operação de Deus nele" ( Ames).
Isto expressa uma cosmovisão teocêntrica - relacionando tudo na vida de alguém, incluindo todos os problemas pessoais, com a natureza, com o carácter e com o propósito de Deus. Da mesma forma, a psicologia, como conhecimento do homem, estava arraigada à teologia, que se constituía no conhecimento de Deus. Para os Puritanos, a teologia não era uma ciência esotérica e enigmática a ser estudada por uma elite académica; ao contrário, foi um assunto eminentemente relevante para todos os crentes.
"Agora, já que esta vida tão desejada é verdadeira e propriamente a nossa prática mais importante, fica evidente que a teologia não é uma disciplina especulativa, mas prática - não somente no respeito comum, que todas as disciplinas possuem... a boa prática como seu fim, mas de uma maneira peculiar e especial, quando comparada a todas as demais... A teologia, portanto, é para nós a última e mais nobre de todas as artes exactas que se pode ensinar. Ela é um guia, um plano-mestre para nosso propósito mais alto, enviada de forma especial por Deus, que trata das coisas divinas, voltada para Deus, e que conduz o homem a Deus" (Ames)
Este foco dos puritanos centrado em Deus brotava de uma devoção profunda e adequada ao Criador. Thomas Watson, teólogo inglês do século XVII, é quem melhor capta a ênfase puritana acerca do amor por Deus na sua explicação da natureza, grau e fruto do amor. Por natureza, o amor a Deus deve ser completo, sincero, fervoroso, activo, exclusivo e permanente. De acordo com Watson; "O verdadeiro amor ferve, mas não derrama. O amor a Deus, assim como é sincero e sem hipocrisia, é constante e sem apostasia". O grau de amor a Deus deve ser imensurável, já que ele é a quintessência de tudo o que é bom. Já que Deus é central à nossa percepção, Ele deve ser detentor daquilo que é central nas nossas disposições e inclinações - Watson.
O que Watson concluiu a partir disso é o que diferencia a visão de Deus do puritanismo inglês da atitude evangélica contemporânea em relação a Ele. "Você talvez ame demais a criatura. Você pode amar demais o vinho e a prata; mas não há como você amar Deus em excesso. Se isso fosse possível, esse excesso seria uma virtude; mas é por causa do nosso pecado que somos incapazes de amar a Deus o suficiente" (Watson) - Já que Deus é infinito, Ele sempre transcende nosso amor por Ele e excede o nosso conhecimento d’Ele. Portanto, jamais devemos cessar de buscar maior compreensão de Seus próprios propósitos e maior devoção à Sua pessoa. Um anseio consumidor por Cristo deixa pouco espaço para distracções como a busca da auto-satisfação. Por conseguinte, os puritanos que tanto amavam a Deus não viviam ocupados com suas próprias necessidades quanto nós que vivemos na "Geração do Eu". Eles captavam a verdade de que um conhecimento preciso do eu vem somente por meio de um conhecimento prévio de Deus. Desse modo, o seu ponto teocêntrico favorável conferiu-lhes uma perspectiva diferente acerca da natureza do homem, particularmente no que diz respeito ao funcionamento das faculdades humanas.
K. L. Sarles.



