Longe

franksmith.jpg     No sentido espiritual, «longe» é uma palavra terrível; é empregada nas Escrituras para descrever o estado daquele que está fora de todas as bênçãos do Senhor. «Vós que estáveis longe, pelo sangue de Cristo chegastes perto», diz o apóstolo aos crentes em Éfeso. Quando uma pessoa está longe de outra, não a ouve bem, não a vê bem e não pode saber bem a sua atitude; assim é aquele que está longe de Deus, perde tudo quanto há de valor nesta vida; não conhece a Deus; não ouve a Sua voz, não sabe a Sua vontade, não vê a bondade e amor do Seu rosto; precisamos aproximar-nos do Senhor para conhecer verdadeiramente a Sua atitude para connosco. De longe, Ele pode parecer terrível, de perto, pelo sangue da Cruz, é o Pai bondoso que nos convida a lançar todos os nossos cuidados sobre Ele.
 

     Há muitos exemplos na Bíblia daqueles que perderam tanto por se terem deixado ficar longe. Um vez dez leprosos vieram ter com o Senhor Jesus, querendo que Ele os curasse. Lemos que «ficaram de longe» e clamaram pedindo que Ele tivesse misericórdia deles. A resposta de Jesus foi que se mostrassem ao sacerdote e, indo eles, ficaram limpos. Um deles, vendo que estava curado voltou para se prostrar aos pés do Salvador, dando-Lhe graças. A esse, Jesus disse «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou.» Todos os dez ficaram de longe; todos tinham fé que o Senhor os curaria; todos mostraram a sua fé indo provar ao sacerdote que estavam curados antes de verem a doença desaparecer. Todos foram maravilhosamente abençoados na cura do corpo, apesar de ficarem de longe; nove deles foram-se embora, contentes com a cura do corpo; e só um se sentiu impelido, pela bênção recebida, a chegar-se mais perto do Senhor: «Veio prostrar-se aos pés d'Ele».

     Os dez receberam muito, mas não receberam tudo quanto podiam ter alcançado; ficaram satisfeitos com a bênção material e ainda permaneceram «longe» do Senhor; desfrutaram a saúde do corpo, mas não entraram na bênção da salvação da alma pela aproximação do Senhor. Uma bênção que não nos aproxima do Senhor, falhou no seu propósito e pode-se tornar num impedimento, gerando a ingratidão.

     Este único foi-se embora possuindo mais do que os outros nove juntos, porque, ao aproximar-se do Senhor, tinha ouvido: «A tua fé te salvou» — a cura do corpo conduziu-o ao lugar de salvação, humilhado aos pés do Salvador. Tantos há que crêem, que recebem, que têm muito do Salvador mas que nunca desfrutaram, por meio dessas bênçãos, a intimidade com o Senhor. Estão ainda «longe» do propósito que o Salvador tinha em os abençoar; têm-nO a Ele como «máquina de bênçãos» em vez de perceberem que detrás dos dons está um Coração que anela a comunhão e tenta atrair a afeição do crente.

     Pedro experimentou o que era seguir «de longe»; Jesus estava preso e era conduzido para a sala de audiência doSumo-sacerdote (Mat. 26,57). Era conduzido para o julgamento, escárnio, vitupério, sofrimento, ao chegar a esse lugar. Mas mesmo antes de lá chegar, é bem provável que não tivesse sido poupado aos insultos e zombaria da multidão, provocados por aqueles que há muito tempo O tinham procurado matar. Dissemos que a palavra «longe» sempre significa perda; por Pedro «seguir de longe» o que é que ele perderia? Perdeu, sem dúvida, a participação em todo o sofrimento e vitupério que caiu sobre o Salvador. Uma perda de que ninguém tem pena! Pode ser. Muitos crentes assim pensam hoje; mas pensemos em que Pedro teve que. permanecer LONGE do Senhor para perder tudo isso; quer dizer, para perder a vergonha que o seu Senhor sofria teve também que perder a Sua companhia. Valeria a pena?

     Assim pensam muitos, mas a alma que já conheceu o que é a..companhia do Senhor, nunca pode responder que sim.   Antes perto, participando em tudo quanto vem sobre nós por sermos do Senhor, do que longe dessa comunhão e abrigados com a multidão do inundo que vitupera o Salvador.

     «Se sofrermos com Ele também com Ele reinaremos» diz o apóstolo. Não podemos assentar-nos no trono celeste sem primeiramente nos sentarmos perante o tribunal do mundo, ouvindo os seus insultos, calúnias, blasfémias e recebendo as suas bofetadas. Tomam parte na marcha triunfal no reino celeste os que têm trilhado o caminho solitário de desprezo e rejeição com o seu Salvador. A vara com que o vencedor despedaça as nações é para aquele que tem sentido os «açoites» deste pobre mundo por seguir de perto o Redentor.

     Pedro perdeu muito por seguir «de longe», não reconhecendo que ser identificado com o seu Senhor na Cruz era levar também a coroa; ele reconheceu mais tarde esse facto, mas estamos nós ainda sem entendimento?

     Elias e Eliseu estavam na sua última viagem (2 Reis 2) e depois de ter suportado a prova, seguindo o seu amo a Betel e a Jericó, Eliseu ouve mais uma vez as mesmas palavras de Elias: «Fica-te aqui porque o Senhor me mandou ao Jordão.» Mas Eliseu estava resolvido a não deixar o seu mestre porque sabia que ia ser arrebatado para o céu. Lemos que foram seguindo para o Jordão e foram também cinquenta dos profetas que estavam em Jericó e que pararam de LONGE defronte do Jordão.

     Elias e Eliseu seguiram, as águas foram divididas e eles passaram em seco. Uma vez do outro lado, Elias dá a Eliseu a oportunidade que ele queria. «Pede-me o que queres que te faça.» «Uma porção dobrada do teu espírito,» foi logo a resposta. Elias foi arrebatado e a sua capa caiu — símbolo de poder. Eliseu tomou a capa, depois de ter rasgado os seus próprios vestidos e caminhou para o Jordão na força desse mesmo Espírito.

     Os cinquenta profetas de Jericó tinham ficado parados de longe. Porquê? Elias não tinha instado com eles para ficarem (não seria preciso instar muito!) como tinha feito com Eliseu. Seria que só tinham vindo para ver? Tantos o fazem! O caminho» não era convidativo; o Jordão era perigoso e não sabiam para onde Elias os conduzia e eles pararam de longe. Mais uma vez, quanto não perderam! Viram Eliseu pagar o preço em perseverança não largando o seu mestre, cumprindo as condições para poder participar na maravilhosa bênção que Elias tinha. Viram mas não experimentaram. Provavelmente ficaram a discutir entre si se esse poder era para eles também ou reservado exclusivamente para Eliseu; as palavras «parados» e «longe» dizem tudo. Foram os mesmos que vieram prostrar-se diante de Eliseu dizendo que o Espírito de Elias repousava sobre ele. Mas não perguntavam a si mesmos por que é que não repousava sobre eles. A condição para receber tal poder era Eliseu poder ver o arrebatamento de Elias e, por isso, tinha que estar perto; mas eles estavam longe.

     Estás pronto a passar pelo Jordão, que simboliza a tua morte com Cristo, ou achas mais cómodo ver os outros passarem? Os profetas estavam do lado de cá do Jordão e era do lado de lá que o Poder descia. De que lado estás?

Frank Smith

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