Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO IV - ACTOS 2:4

OS DISCÍPULOS CHEIOS DO ESPÍRITO

     “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” - Actos 2:4.

     Os que defendem que Pentecostes assinala o começo histórico da Igreja desta dispensação deveriam examinar cuidadosamente as passagens bíblicas que tratam do Espírito Santo e da Sua obra. Uma comparação simples da Sua operação em Pentecostes com a Sua operação nos nossos dias, como temos resumidamente nas epístolas Paulinas, não nos conduzirá senão a uma única conclusão: que o baptismo com, ou em (no), Espírito em Pentecostes foi suplantado por um outro baptismo pelo qual os crentes são baptizados num corpo e que o Corpo de Cristo não existia (a não ser na mente de Deus) quando o Espírito foi derramado em Pentecostes. Se os nossos líderes Fundamentalistas verificarem e aceitarem este facto, terão a resposta para o fanatismo “Pentecostal” que está a tomar proporções gigantescas nos nossos dias.

     Como dissemos, os discípulos não foram cheios do Espírito porque tivessem orado durante muito tempo e com o fervor suficiente, mas porque “o dia de Pentecostes” se tinha cumprido; porque tinha chegado o tempo para o cumprimento de uma promessa. Foi-lhes dito que esperassem em Jerusalém, que “esperassem a promessa” do Espírito, não para orarem para que Ele viesse (Actos 1:4).

     Aqueles cento e vinte crentes eram exactamente como todos os crentes ao longo da história. Nem todos tinham o mesmo grau de devoção, de fidelidade, de espiritualidade. Uns eram mais do que outros, e onde alguns se excediam numa certa virtude, os outros excediam-se noutra. Contudo, repentinamente, foram todos CHEIOS do Espírito, sem excepção.

     Porém, quando Israel rejeitou peremptoriamente o seu Messias este método foi posto de parte. Paulo agora exorta-nos: “Enchei-vos do Espírito” (Ef. 5:18).

     Isto agora é algo que só se consegue pela fé. Introspeccione-se o crente honesto e veja se tem estado sempre cheio do Espírito – totalmente sob o Seu controle. Ah, nós podemos ter sentido o Seu poder e experimentado a Sua ajuda às vezes; podemos ter recebido a Sua guia e luz, e gozado a Sua liberdade, mas qual de nós pode honestamente dizer que tem estado sempre cheio do Espírito, ou “cheio dos frutos de justiça” (Fil. 1:11), “cheio do conhecimento da Sua vontade” (Col. 1:9), ou de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:19).

     Certamente que Paulo não disse – nem podia dizer – dos Coríntios ou dos Gálatas ou dos Filipenses ou dos Colossenses que eles estavam todos cheios do Espírito. O registo prova que não estavam, senão qual a razão das exortações e repreensões nas cartas que lhes escreveu?

     O enchimento do Espírito agora, como os outros “enchimentos” acima referidos, é um objectivo colocado diante de nós pela graça, e quando pela fé procuramos atingir este rico objectivo, bênçãos profundas e vitórias espirituais reais são já nossas, para não falar das recompensas vindouras. Que desafio à fé! Contudo poucos aceitam o desafio, e assim torna-se novamente evidente que o povo de Deus na terra nunca agradá-LO-á e honrará consistentemente antes de Ele próprio tomar o seu controlo e os induzir; antes de o Espírito Santo tomar possessão completa deles e sobrenaturalmente os dominar.
É isto que ocorrerá quando as profecias do Velho Testamento respeitantes ao Espírito se cumprirem (Ezeq. 36:24-28). Ora é precisamente disto que Pentecostes era um antegosto.1


O DOM DAS LÍNGUAS

     Mas porque é que lhes era necessário falar em outras línguas?

     Porque seriam testemunhas, de Jerusalém até aos confins da terra (Actos 1:8).

     Testemunhas de quê?

     Testemunhas da ressurreição do Rei crucificado, e o miraculoso dom das línguas era sinal sobrenatural de que o Senhor era o verdadeiro Rei. 2

     É frequentemente suposto que os apóstolos foram enviados “para testificar do Evangelho da graça de Deus”, mas não há nenhum fundamento bíblico que apoie esta suposição, pois nem esta frase nem a mensagem é encontrada nas Escrituras antes da entrada em cena do apóstolo Paulo (Ver Actos 20:24 e cf.  Ef. 3:1-3).

     Quem quiser compreender a mensagem da graça deve ter isto claro nas suas mentes.

     Na sua última conversa com o Senhor ressuscitado os onze perguntaram-lhe se Ele restauraria agora o reino a Israel (Actos 1:6) e apesar de Ele ter declinado em lhes dizer quando é que este reino seria restaurado, comissionou-os enviando-os como Suas testemunhas – obviamente para O proclamarem como o Rei ressuscitado, pois era assim que O conheciam.

     Em Pentecostes eles principiaram a levar a cabo essa “grande comissão” e proclamaram-NO como Rei (Actos 2:29-36; 3:19-21). Na verdade, se Israel tivesse aceite o seu Messias os apóstolos poderiam então ter prosseguido trazendo as outras nações aos pés do Messias.3

     Os doze nadam sabiam ainda do propósito secreto de Deus e da abundante graça que seria manifestada com a promoção de Paulo. Eles não sabiam que o Rei e o Seu reino seriam rejeitados e que o programa profético seria interrompido pela revelação do mistério guardado em segredo desde o princípio do mundo.

     Graças a Deus agora sabemos que era Seu propósito concluir Israel em incredulidade juntamente com os Gentios para que pudesse revelar misericórdia a todos; suspender temporariamente o reino Messiânico de modo a que “a dispensação da graça de Deus” pudesse ser uma realidade e pobres pecadores num mundo sob a ameaça de juízo pudessem encontrar salvação plena e gratuita, pela graça, por meio da fé no Filho de Deus crucificado, ressuscitado e exaltado.


1  Ver o fascículo do autor: O Andar do Crente Neste Presente Século Mau.

2
Quando Israel rejeitou Cristo certamente que as línguas continuaram sem dúvida como “um sinal ...  para os que não crêem” (I Cor. 14:22); depois cessaram (I Cor. 13:8).

3
  É verdade que a rejeição a que Israel votou Cristo e os juízos resultantes daí já tinham sido preditos, mas tudo isto deve ser visto à luz de passagens tais como Mat.23:37; Lucas 4:18,19; 19:41,42.

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