Actos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO IX- ACTOS 5:17-25

O CRESCIMENTO CONTÍNUO DA IGREJA PENTECOSTAL

A FÚRIA DO ADVERSÁRIO


     “E, levantando-se o sumo-sacerdote, e todos os que estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus), encheram-se de inveja.

     “E lançaram mão dos apóstolos, e os puseram na prisão pública.

     “Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, e, tirando-os para fora, disse:

     “Ide e apresentai-vos no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida.

     “E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo, e ensinavam.

     Chegando, porém, o sumo-sacerdote, e os que estavam com ele, convocaram o conselho e todos os anciãos dos filhos de Israel, e enviaram ao cárcere, para que de lá os trouxessem.

     “Mas, tendo lá ido os servidores, não os acharam na prisão, e voltando, lho anunciaram.

     “Dizendo: Achámos, realmente, o cárcere fechado, com toda a segurança e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achámos dentro.

     “Então o capitão do templo e os principais dos sacerdotes, ouvindo estas palavras, estavam perplexos acerca deles e do que viria a ser aquilo.

     “E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.” - Actos 5:17-25.

     Uma igreja purgada e purificada, o poder restaurado, o adversário enfurecido. Esta sequência é natural, pois o nosso adversário, o diabo, não pode ver o povo de Deus fazer progresso espiritual.

     O sumo-sacerdote e os seus associados tentaram exercer o auto controle nesta crise, mas estavam agora a começar a perder as estribeiras.

     Será proveitoso, rever aqui ainda que dum modo breve o cenário para que possamos ver quão poderoso foi o testemunho da ressurreição de Cristo e quão fúteis as tentativas para o abafar.

     Certamente que no julgamento de Cristo foram “os principais dos sacerdotes e os anciãos” que “persuadiram a multidão que pedisse Barrabás, e matasse Jesus”. Como resultado, “todo o povo” uniu-se a eles em clamor “O Seu sangue caia sobre nós, e sobre os nossos filhos” (Mat. 27:20,25).

     Contudo, uns dias mais tarde, confrontados com a evidência da ressurreição do Senhor de entre os mortos, os líderes já não estavam prontos a responsabilizarem-se pela Sua crucificação. Agora pagavam “muito dinheiro” aos soldados que tinham guardado o sepulcro para os persuadir a modificarem o seu testemunho quanto ao que tinham visto e ouvido.

     Daqui em diante os principais dos sacerdotes e os anciãos colocaram-se na penumbra e nada fizeram para que este problema fosse de novo ventilado. No entretanto os apóstolos pregavam Cristo no próprio templo, com a multidão dos discípulos “perseverando unânimes todos os dias no templo” (Actos 2:46).

     E as coisas pioraram para os líderes religiosos de Israel quando o coxo mendigo à Porta Formosa foi curado e mais multidões creram.

     “Ofendidos e atormentados” por os apóstolos poderem produzir tal evidência da ressurreição de Cristo – na realidade, o sistema Saduceu estava a ser minado – e determinados a abafar o testemunho, se possível, trouxeram os apóstolos a juízo.

     Mas no julgamento os principais dos sacerdotes depressa se colocaram na defensiva, quando os apóstolos os acusaram do homicídio de Cristo e os avisaram que Ele tinha na verdade ressuscitado de entre os mortos (Actos 4:1-14).

     Convencidos nos seus próprios corações que os apóstolos tinham visto e estado com o Cristo ressuscitado, os líderes meramente os ameaçaram para não falarem mais no nome de Jesus. Mas a essas fracas ameaças os apóstolos replicaram firmemente afirmando que não podiam falar senão no que tinham visto e ouvido (Actos 4:17-20).

     É claro que os líderes cometeram um erro ao trazerem os apóstolos a juízo, pois não achando “motivo para os castigar” foram forçados a deixá-los ir, mesmo a despeito da sua declaração de que continuariam a pregar Cristo.

     Com vitória tão peremptória da parte dos apóstolos neste litígio os principais dos sacerdotes retrataram-se de novo, esperando, talvez que o tempo passasse. Mas em vez disso a Igreja Pentecostal foi abençoada com maior poder do que nunca, quando sinais e maravilhas foram operados entre o povo, e mais “crentes” eram “acrescentados ao Senhor”.

      E agora desenvolve-se na realidade uma disputa! O sumo-sacerdote e os seus associados erguem-se irados, estendendo as mãos aos apóstolos e colocando-os na “prisão pública”. Porém um anjo do Senhor abre as portas da prisão dizendo: “Ide, apresentai-vos (lit. tomai a vossa posição) no templo, e dizei ao povo todas as palavras desta vida”.

     Isto é suficientemente encorajante. Os apóstolos, desafiando o perigo, desafiaram os líderes aparecendo abertamente no templo para ensinar o povo.

     Entretanto o Sinédrio e todo o Senado 1 de Israel, ignorando tudo isto, reúnem solenemente para o julgamento! Contudo os servidores que são enviados a trazerem os apóstolos da prisão voltam,

     “Dizendo: Achámos, realmente, o cárcere fechado, com toda a segurança, e os guardas, que estavam fora, diante das portas; mas, quando abrimos, ninguém achámos dentro” (Ver. 23).

     Que quadro! Como Deus os coloca em irrisão! O Supremo Tribunal da nação reúne para julgar os apóstolos por pregarem Cristo, não sabendo que os apóstolos (acabados de ser presos na noite anterior) se encontram agora a pregar ousadamente Cristo no templo! E os guardas da prisão estiveram todo o tempo diante das portas da prisão, guardando cuidadosamente – para nada!

     Naturalmente os líderes ficam emudecidos com a informação dos servidores e cabalmente alarmados com as suas implicações.

     Como o movimento ganha ímpeto! Quão ousados e confiantes se tornam estes adoradores do Messias!

     Os apóstolos tiveram ajuda interior? Será que um novo milagre ocorreu? Os líderes parecem sentir a verdade.


 1 A Assembleia dos Anciãos, um corpo maior que o Sinédrio e provavelmente idêntico a “todo o conselho dos anciãos” em Actos 22:6.

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