Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLI – Atos 21:27-22:30 (2)

Acts dispensationally considered

 

PAULO E LÍSIAS

     Supondo que Paulo tinha sido o responsável pelo motim, o tribuno levou-o sob custódia, ordenando aos seus soldados que o atassem “com duas cadeias”.[1]A profecia de Ágabo já estava a ser cumprida (ver Vers. 10,11).

     Mas a confusão era tão grande que era impossível a Lísias chegar à raiz do problema. Como aconteceu em Éfeso, “uns pois clamavam de uma maneira, outros de outra” (cf. Ver. 34 com 19:32). Lísias, portanto, “mandou conduzi-lo para a fortaleza” e nas escadas Paulo teve que realmente ser carregado pelos soldados, “por causa da violência da multidão”. Entretanto, um clamor único consistente elevava-se acima da multidão irada; o mesmo clamor que tinha sido ouvido no julgamento do Senhor Jesus: "Mata-o!" Tudo isto antes de o apóstolo ser ouvido. Como o preconceito e dogmatismo religioso pode tornar os homens irracionais violentos e cruéis.

      Alguém poderia supor que tendo acabado de ser resgatado de uma surra severa por homens com a intenção de matá-lo e ouvindo até agora o clamor selvático pela sua vida, o apóstolo estaria mais do que grato por ser levado para um local de abrigo e segurança, mas não foi assim. Ele, aparentemente, era a única pessoa fria em toda aquela multidão. Além disso, o seu coração sangrava por aqueles cujo ódio cego e amargo para com Cristo era apenas o reflexo dos seus próprios sentimentos, quando ele conduziu a sua nação numa guerra brutal contra o Messias.

     Foi assim que o apóstolo, ao ser agora conduzido à fortaleza, pediu respeitosamente ao tribuno em Grego: "Posso falar contigo?" O facto de que Paulo se ter dirigido a ele em Grego surpreendeu o tribuno, que supôs que ele fosse um egípcio com quem Roma já tivera problemas. E aqui Paulo demonstra sua educação e consciência aristocrática. Com dignidade calma ele identificou-se, enfatizando a Lísias o facto de ele ser um cidadão de Tarso, “cidade não pouco célebre”,[2] pedindo-lhe uma oportunidade para falar à multidão.

     Esta abordagem diplomática, juntamente com a sua postura em tais circunstâncias, evidentemente atingiu Lísias, de modo que ele lhe concedeu permissão para se dirigir à multidão furiosa.

     Mas agora Lísias depara-se com uma outra surpresa, pois Paulo no topo da escada vira-se para falar à multidão, não em Grego, que todos podiam entender, mas em Hebraico! Na sua precaução e presença de espírito, o apóstolo tinha pelo menos duas razões para isto.

     Primeiro, para conciliar os Judeus. Eles esperariam que ele se dirigisse a eles em Grego; em vez disso, ele fá-lo na linguagem que ninguém, exceto a circuncisão, poderia entender e que estava associada nas suas mentes com tudo o que era sagrado no Judaísmo pelo qual eles lutavam. Isso falar-lhes-ia de lealdade à lei de Deus, e não de apostasia (veja 22:2).

     Em segundo lugar, ele não queria que Lísias entendesse. Para Lísias ele acabara de dizer: “... Sou ... um homem Judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre ...” (Ver. 39), mas para os Judeus ele agora diz em Hebraico: "Sou varão Judeu, nascido em Tarso ... e nesta cidade criado” (22:3). A eles, ele coloca Tarso no fundo e coloca a ênfase em Jerusalém. Além disso, seria melhor se Lísias não soubesse como ele havia perseguido “até à morte” muitos dos seus parentes ou ele poderia voltar o tribuno contra ele.

     Quão graciosamente Deus havia superintendido! Uma revolta impediu Paulo de oferecer os sacrifícios que estava prestes a fazer, o que em grande parte teria anulado o seu testemunho. E agora, por causa desse mesmo alvoroço, ele tem a oportunidade de se dirigir aos seus compatriotas em maior número do que poderia ter sido organizado de qualquer outra maneira. Tal reunião nunca poderia ter sido convocada, nem qualquer edifício poderia conter uma multidão tão grande. De que outra forma poderiam ser reunidos para ouvir um testemunho final de Cristo tantos Judeus de Jerusalém e da dispersão? E que circunstâncias seriam mais bem calculadas para conquistar a sua mais profunda atenção? Esta foi a sua oportunidade. Poderia ele voltá-los para Cristo e proclamar-lhes “as boas notícias da graça de Deus”?

     Quando o apóstolo “fez sinal com a mão ao povo” com aquele gesto característico que mais do que uma vez conquistou a atenção do seu público (veja Atos 13:16 e 26:1), o povo fez “grande silêncio” (Ver. 40). No entanto, estava aqui uma vasta audiência que testaria o poder daquela voz já fortalecida por muitos discursos públicos.

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[1] Provavelmente a dois soldados, nos pulsos (Cf. 12:6).

[2] Altamente honrada pelo governo Romano.

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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