Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLIII – Atos 23:12-35 (2)

A CONSPIRAÇÃO DESCOBERTA
Ah, mas Deus, apesar de não estar a intervir diretamente, estava a superintender. Aquele que Se havia apresentado a Paulo para o tranquilizar na noite anterior apresentava-se agora para cumprir a Sua promessa.
O apóstolo tinha uma irmã cujo filho, na providência de Deus, estava em Jerusalém naquela altura. Se ele morava lá com a mãe não se sabe, mas se assim fosse, pode indicar que eles não eram crentes, já que Paulo não se havia apresentado a eles nesta visita, nem lemos que ele tivesse algum contacto com eles.
O apóstolo tinha parentes crentes em Roma (Rom. 16:7,11), mas não há indicação de que alguém da sua família imediata tenha sido salva, nem qualquer razão para supor que fossem salvos, pois a verdade não se aplica automaticamente às famílias.
Talvez o rapaz, como tantos outros, estivesse em Jerusalém apenas para os dias de festa, mas o ponto é que Deus tinha a pessoa certa ali na hora certa para ouvir sobre a conspiração contra a vida de Paulo.
Quer o rapaz fosse, ou não, simpatizante da causa de Paulo, ele era da sua própria carne e sangue e ele não podia permitir que Paulo fosse assim morto a sangue frio. Além disso, o registo indica que ainda ele era muito jovem, de modo que ele não seria suspeito de traição, quer por Paulo quer por Lísias.
O apóstolo, sendo um prisioneiro ainda não-condenado, foi evidentemente detido simplesmente sob uma forma moderada de custódia militar, pois parece que o seu sobrinho tinha livre acesso a ele (Ver. 16; cf. 24:23; 27:3; 28:16 30).
A presença tranquila e equilibrada com que Paulo recebeu o relato do rapaz e agiu, era característica dele. Deus assegurou-lhe que ele iria a Roma, mas ele não desconsiderou o relato como não representando qualquer ameaça à sua segurança. Ele sabia que, embora Deus seja soberano, a responsabilidade e o esforço humanos fazem parte dos Seus planos (cf. Atos 27:24,31). Por conseguinte, chamando um dos centuriões, ele disse simplesmente: “Leva este jovem[1] ao tribuno, porque tem alguma coisa que lhe comunicar” (Ver. 17).
O centurião então conduziu o rapaz a Lísias com a mensagem do “preso Paulo”, uma designação que se tornaria familiar para muitos. O tribuno, a seguir, “tomando-o pela mão”, levou-o a um espaço à parte e perguntou-lhe o que ele lhe tinha a dizer.
A maneira com que Lísias recebeu o rapaz parece indicar adicionalmente a tenra idade do rapaz e o interesse simpático de Lísias por Paulo.
O rapaz relatou, com algum sentimento os factos de que soubera sobre a conspiração, suplicando ao tribuno: “Mas tu não os creias, porque mais de quarenta homens dentre eles lhe andam armando ciladas” (Ver. 21).
[1] Gr., Neanias, juventude.
Atos dispensacionalmente Considerados
Cornelius R. Stam



