Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLV – Atos 25:1-22 (2)

Acts dispensationally considered

 

HERODES AGRIPA VISITA FESTO

O INTERESSE DE AGRIPA NO CASO DE PAULO

 

     “Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesareia, a saudar Festo.

     “E, como ali ficassem muitos dias, Festo contou ao rei os negócios de Paulo, dizendo: Um certo varão foi deixado por Félix aqui preso,

     “A respeito de quem os principais dos sacerdotes e os anciãos dos Judeus, estando eu em Jerusalém, compareceram perante mim, pedindo sentença contra ele.

     “A eles respondi que não é costume dos Romanos entregar algum homem à morte, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da acusação.

     “De sorte que, chegando eles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem.

     “Acerca dele, estando presentes os acusadores, nenhuma coisa apontaram daquelas que eu suspeitava.

     “Tinham, porém, contra ele algumas questões acerca de sua superstição e de um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver.

     “E, estando eu perplexo acerca da inquirição desta causa, perguntei se queria ir a Jerusalém e lá ser julgado acerca destas coisas.

     “Mas, apelando Paulo para que fosse reservado ao conhecimento de Augusto, mandei que o guardassem até que o envie a César.

     “Então, Agripa disse a Festo: Bem quisera eu ouvir também esse homem. E ele disse: Amanhã o ouvirás.”

 

- Atos 25:13-22.

 

     Festo enfrentava agora um problema embaraçoso. As acusações formais apresentadas contra Paulo não haviam sido sustentadas por um pingo de testemunho em primeira mão. Elas deveriam, portanto, ter sido rejeitadas como inválidas, o caso deveria ter sido indeferido e Paulo deveria ser libertado. No entanto, como é que Festo poderia irritar os Judeus agora? E - haveria algo mais por detrás de todo aquele reclamar pela vida de Paulo? Havia alguma outra acusação que pudesse ser feita contra ele validamente?

     As “muitas e graves acusações” feitas contra Paulo - todas não provadas (Ver. 7) deixaram Festo num dilema sobre o que eles realmente tinham contra ele e, para piorar as coisas, Paulo tirou o caso das suas mãos apelando para César. Que tipo de relatório Festo poderia agora enviar ao imperador sem fazer transparecer ser um juiz incompetente (Vers. 26,27)? Isto seria mau logo após assumir o cargo na Judeia.

     Aconteceu, porém, que Herodes Agripa II e Berenice entraram em cena, tendo vindo, evidentemente, para reconhecimento formal do novo procurador.

     Agripa II, o último dos Herodes, não era, como os seus predecessores, “rei dos Judeus”. Lucas chama-o simplesmente de “rei” (Ver. 14, Ctr. Lucas 1:5). O domínio que César concedeu primeiro a Herodes, o Grande, fora dividido em dois, de modo que Arquelau era “etnarca” sobre metade da província. Essa metade foi novamente dividida em duas, de modo que Herodes Antipas era um “tetrarca”, ou governador de mais de um quarto de uma província. E o presente Herodes recebera ainda menos território, incluindo parte da Galileia, mas não da Judeia, de modo que ele não era nem mesmo “Rei dos Judeus”. O título “rei” foi-lhe conferido apenas por cortesia. A história regista, no entanto, que ele era o guardião designado do templo com o direito de nomear o sumo sacerdote.

     Nisto tudo temos evidências adicionais do declínio constante da nação de Israel. Durante anos, os reis de Israel, que deveriam ter vindo da linhagem real de David, e os sumos sacerdotes, que deveriam ter vindo da linhagem sacerdotal de Aarão, foram designados por imperadores pagãos; o imperador nomeava diretamente o rei, dando ao rei, por sua vez, o poder de nomear o sumo sacerdote. Mas esses Herodes não só não tinham o sangue real da linhagem de David, como eram Idumeus, excluídos por nascimento, embora passassem pelo processo de abraçar a religião Judaica.

     Como Agripa representava pelo menos uma parte do povo de Israel, era aconselhável que ele mantivesse as melhores relações possíveis com o procurador Romano em Cesareia. Daí esta visita. Além disso, Festo também precisava dele - especialmente agora – por causa do seu conhecimento da religião Judaica e das leis e costumes Judaicos.

     Mais uma vez, temos um casal iníquo diante de nós. Herodes, claro, vinha de pais iníquos e teve um passado sombrio e infame. Berenice, que é mencionada mais três vezes juntamente com ele (Vers. 13,23; 26:30), não era outra senão a irmã de Drusila, amante depravada de Félix e, portanto, a própria irmã de Herodes, com quem ele vivia em relacionamento incestuoso.

     Passaram-se “muitos dias” (Ver. 14) antes de Festo se decidir mencionar o caso de Paulo a Agripa; dias passados, sem dúvida, em procissões e festividades em honra do “rei”. Mas finalmente chegou o momento em que Festo contou o seu problema, relativamente a Paulo, ao homem que ele esperava que poderia ajudá-lo .

     O seu relato do caso, embora basicamente factual, revela mais do que a sua ignorância da religião e da lei Judaicas; revela a sua total cegueira espiritual.       

     Ele afirmou que as acusações apresentadas contra Paulo não eram as que ele esperava. No entanto, Paulo havia sido acusado de profanar o templo (que estava sob proteção Romana) e até mesmo de sedição. Estas não eram acusações que ele deveria ter sido capaz de tratar? A resposta é que evidentemente os acusadores haviam falhado tão completamente em fornecer evidências da verdade dessas acusações que Festo considerou-as inválidas.

     Os Judeus, disse Festo, realmente tinham “certas questões” contra Paulo “acerca de sua superstição[1] e de um tal Jesus, defunto, que Paulo afirmava viver” (Ver. 19).

     A referência de Festo a “um tal Jesus” mostra que ele sabia pouco ou nada sobre Cristo, embora tivesse observado que o sentimento Judaico no julgamento de Paulo dizia  profundamente respeito Àquele que, em sua opinião, estava evidentemente morto, mas “que Paulo afirmava estar vivo”. No entanto, os acusadores de Paulo poderiam estar a tentar deturpar a verdadeira questão - era isso.

     Mas porque é que Paulo deveria insistir que este Jesus estava vivo, ou porque é que os Judeus deveriam tão amargamente se opor a isso, ou como a decisão judicial sobre o caso resolveria o que quer que fosse, era mais do que Festo podia ver.

     Pobre pagão cego! Ele não via que não era uma questão de “a sua religião” ou “a nossa religião”, mas de a verdade. Ele não via que aquelas “questões” o afetavam a ele. Ele não via que a redenção do homem – a sua redenção - dependia do facto de Cristo estar ou não vivo.

     Quantas pessoas “respeitáveis” hoje estão espiritualmente cegas como Festo! Que os outros se apeguem à “sua religião” se quiserem; considerem essas “questões”, neguem ou creiam que Cristo ressuscitou dos mortos, mas “como é que isso me diz respeito a mim?” Assim, milhões passam de ânimo leve por cima das verdades mais vitais - verdades essenciais até mesmo para a sua própria salvação.

     Festo não disse a verdade, pelo menos não toda a verdade, quanto à sua razão para sugerir um julgamento Judaico a Paulo, pois o registo inspirado de Lucas não indica que Festo sentisse que um julgamento em Jerusalém seria mais justo, mas sim que ele procurou “comprazer os judeus”, entregando Paulo nas suas mãos (Ver. 9).

     Agripa, ao contrário de Festo, tinha ouvido muito sobre Jesus e, sem dúvida, também sobre Paulo. Este último facto é indicado pela sua observação: "Bem quisera eu ouvir também esse homem”, ao qual Festo respondeu: “Amanhã ... o ouvirás” (Ver. 22).

 


[1] Deisidaimonia, medo dos demónios, era a palavra deles para religião. Festo não ofenderia o seu visitante real, ele próprio Judeu, chamando de superstição à religião Judaica. Veja as nossas anotações sobre Atos 17:22 e as versões TB e RA. em ambas as passagens. [Nesta passagem a melhor tradução é, pois, religião, não superstição – Nota do Tradutor].

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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