Atos Dispensacionalmente Considerados - CAPÍTULO XLVI – Atos 25:23-26:32 (5)

Acts dispensationally considered

 

A ANTERIOR INIMIZADE DE PAULO CONTRA CRISTO

 

     “Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos;

     “O que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles.

     “E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui.”

- Atos 26:9-11.

 

     No testemunho de Paulo diante de Agripa, ele mostra quão pervertida a consciência humana se pode tornar. Ele realmente “imaginou” que “deveria praticar muitos atos” contra Cristo - isto é, que ele deveria opor-se a Ele de todas as formas possíveis.

     O nosso próprio Senhor preveniu os Seus discípulos: “... vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus” (João 16:2). Isso justificou, então, Saulo nas suas ações? De jeito nenhum. Ele podia e deveria saber que Jesus era o Cristo, pois as Escrituras eram bastante claras quanto a isso, mas como o Fariseu de Lucas 18:11 havia orado “consigo”, assim o Fariseu de Atos 8 e 9 tinha “pensado consigo”, e as suas conclusões, embora sinceras, fizeram dele um inimigo de Deus e um assassino do Seu povo.

     Não, a sinceridade de Paulo não o desculpava, embora proporcionasse a Deus motivos para Ele lhe mostrar misericórdia (1 Tim. 1:13).

     Paulo sem dúvida tinha um propósito triplo ao referir-se à sua amarga inimizade anterior contra Cristo. Primeiro, indicava que ele não mudou levemente a sua atitude para com Cristo. Segundo, isso indicava que se alguém tão sincero podia estar tão errado, a posição dos seus ouvintes, aos olhos de Deus, poderia ser muito pior. Em terceiro lugar, o seu “eu ... eu” expressa a simpatia do apóstolo pelos seus ouvintes e a sua esperança de que Deus os poderia também salvar.

     E com isso o apóstolo passa a recordar alguns dos detalhes da sua perseguição aos seguidores de Cristo em Jerusalém. Ele não apenas imaginou, ele praticou muitas coisas contrárias ao nome de Jesus.

     “Muitos” dos seguidores de Cristo tinham sido encerrados[1] na prisão, com “autorização dos principais dos sacerdotes”; (que agora se opunham a ele) e quando esses discípulos foram condenados à morte, ele lançou o seu voto[2] contra eles.

     O testemunho de Paulo de que “muitos” santos foram aprisionados e condenados à morte, indica que Estevão não foi o único mártir durante este período. Sem dúvida, o martírio de Estêvão é o único mencionado por Lucas porque era crucial e representativo na história de Israel. Lucas informa-nos que o assassinato de Estevão desencadeou uma “grande perseguição” que Saulo fez “contra a igreja” (At 8:1,3) e saiu “respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor” (9:1). Além disso, na sua conversão, os Judeus em Damasco exclamaram: “Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este Nome?” (9:21). Finalmente, o próprio Paulo escreveu mais tarde aos Gálatas como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava [Lit., considerava lixo]” (Gál. 1:13). Assim, não há razão para duvidar do testemunho de Paulo diante de Agripa, ou concluir que é contraditado pelo facto de Lucas registar apenas o martírio de Estêvão.

     Mas não bastava que aqueles que eram presos pela sua fé em Cristo fossem presos, julgados e executados, pois Saulo havia primeiro torturado muitos deles para forçá-los a se retratar. “Castigando-os muitas vezes”, diz ele, “por todas as sinagogas [em Jerusalém, Ver. 10 e 22:18,19], os obriguei[3] a blasfemar” (Ver. 11).

     E o flamejante líder da rebelião contra Cristo não ficou satisfeito nem mesmo com isso. Os Judeus em outras cidades teriam que aprender a temer a adoração de Cristo como sendo uma praga. Enlouquecido com enraivecida fúria contra os crentes, ele até “nas cidades estranhas os [perseguiu]”[4] (Ver. 11), procurando eliminar a adoração e a memória de Jesus de Nazaré.

     Esta é a análise considerada por Paulo quanto ao seu estado anterior, como a recorda diante de Agripa e dos outros presentes. Ele declara-a assim para poder ser visto como alguém que veio a conhecer a verdade - conhecer a Cristo - e, assim, acordou para a realidade.

     A aposta do apóstolo nas almas dos seus ouvintes é vista ainda mais no facto de ele agora chamar aqueles a quem tão ferozmente perseguiu de “santos” (santos ou consagrados) e afirma que os puniu para fazê-los “blasfemar” - blasfemarem de Cristo, claro. Poderia ele implicar mais claramente que ele agora olhava para Cristo como Deus?

 

[1] Este termo intenso, katakleio, é usado apenas aqui e em Lucas 3:20, e mostra quão irritado ele estava com os crentes.

[2] “Voz”, Gr., Psephos, uma pedra usada para votar. O facto de que Paulo poder lançar tais votos parece indicar ainda mais que ele era um membro do Sinédrio ou do corpo maior, “o conselho dos anciãos” (Cf. Gál. 1:14).

[3] Isto se refere ao objeto, e não ao resultado da punição, pois tempo imperfeito é usado. Os torturados não cederam necessariamente, senão não teriam sido mortos “muitos”.

[4] Isto prova que a sua jornada a Damasco não foi a primeira e única daqueles empreendimentos, mas a última de muitos como este.

 

 

 Atos dispensacionalmente Considerados

Cornelius R. Stam

 

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