Seja Alegre LXV

w_wiersbe_warren.jpg     2. O infalível poder de Deus (4:11-13)

     Paulo tem pressa em mostrar aos seus amigos que não está a lamentar-se! A sua felicidade não depende de circunstâncias ou coisas; a sua alegria vem de algo mais profundo, algo que não depende nem da pobreza nem da prosperidade. Muitos de nós temos aprendido a «ficar abatidos», porque quando as dificuldades surgem corremos imediatamente para o Senhor! Mas são poucos os que têm aprendido a «ter abundância». A prosperidade tem causado mais dano aos crentes, do que a adversidade. «Rico sou e estou enriquecido, e de nada tenho falta» (Apõe. 3:17).

     A palavra «instruído» no versículo 12 não é a mesma empregada para «aprendido», no versículo 11. «Instruído» significa «iniciado no segredo». Essa palavra era usada nas religiões pagãs com referência aos seus «segredos mais íntimos». Através das aflições e provas Paulo foi «iniciado» no maravilhoso segredo do contentamento, independentemente de pobreza ou prosperidade: «Posso todas as coisas naquele que me fortalece» (v. 13). Era o poder de Cristo nele que lhe dava contentamento espiritual.

     O nevoeiro tinha coberto o campo de aviação de 0'Hare, o aeroporto que serve Chicago, e a minha partida estava atrasada. Encontrava-me sentado no terminal, lendo um livro e pedindo intimamente ao Senhor que cumprisse os Seus planos em relação a minha viagem. Ao meu lado estava um senhor à espera do mesmo avião, mas ele andava para a frente e para trás, como um leão enjaulado, e a linguagem que usava para descrever o nevoeiro tornava a atmosfera ainda mais densa! Pensei comigo mesmo: «Aqui está um homem sem qualquer recurso interior.» Mais tarde, ele perguntou-me como é que eu podia estar tão calmo, quando os aviões estavam todos atrasados, e eu tive então oportunidade de partilhar o evangelho com ele.

     Ao regressar de avião a Chicago, vindo do norte do Estado de Nova Iorque, via cidade de Nova Iorque, tivemos, como acontece muitas vezes, de sobrevoar o aeroporto Kennedy durante mais duma hora. Quando a hospedeira de bordo anunciou que iríamos aterrar com uma hora de atraso, um passageiro que se encontrava do outro lado da coxia, gritou: «Traga-me um licor!» Era esse o seu único recurso quando as coisas lhe corriam mal.

     Tudo na natureza depende de recursos escondidos As grandes árvores enviam as suas raízes para o interior da terra para puxarem água e sais minerais Os rios têm as suas fontes nas montanhas cobertas de neve. A parte mais importante duma árvore é aquela que não se pode ver — o sistema das raízes; e a parte mais importante da vida dum cristão é aquela que só Deus vê. A não ser que puxe-mos os profundos recursos de Deus pela fé, fracassaremos perante as pressões da vida. Paulo dependia do poder de Cristo em acção na sua vida. (Ver 1-6,21; 2:12-13 ; 3:10). «Eu posso — por Cristo!» era o seu lema, e pode ser também o nosso.

     «Eu estou pronto para tudo pela força daquele que vive em mim», é assim que J. B. Phillips traduz o versículo 13. A Bíblia Viva apresenta o mesmo versículo deste modo: «Eu posso fazer tudo o que Deus me pede, com a ajuda de Cristo que me dá a força e o poder.» Seja qual for a tradução que preferiremos, todas elas dizem a mesma coisa: o cristão tem dentro de si todo o poder de que necessita para estar apto a enfrentar as exigências da vida. Só precisamos de libertar esse poder pela fé.

     Todo o cristão devia ler O Segredo Espiritual de Hudson Taylor escrito pelo Dr. e senhora Howard Taylor, pois ilustra este princípio de poder interior na vida dum grande missionário na China. Durante muitos anos, Hudson Taylor trabalhou esforçadamente e achava que estava a confiar em Cristo para a satisfação das suas necessidades, mas mesmo assim ele não tinha alegria nem liberdade no seu ministério. Foi então que uma carta dum amigo lhe abriu os olhos para a suficiência de Cristo. «Não é por confiar na minha própria fidelidade, mas por esperar no Fiel!» —disse ele. Isto marcou uma reviravolta na sua vida. Momento após momento, ele extraía o poder de Cristo para cada responsabilidade diária, e o poder de Cristo levava-o à vitória.

     Jesus ensina esta mesma lição no sermão a respeito da videira e das varas, em João 15. Ele é a Videira; nós somos as varas. A vara só serve para produzir fruto. Doutra maneira, podemos perfeitamente queimá-la. A vara não dá fruto pelo seu próprio esforço, mas extraindo vida da videira. «Sem mim, nada podeis fazer» (João 15:5). À medida que o crente mantém a sua comunhão com Cristo, o poder de Deus está presente para o ajudar a chegar ao fim. «Eu sou auto-suficiente na suficiência de Cristo» (Fíl. 4:13, BA).

     A soberana providência de Deus e o infalível poder de Deus são dois recursos espirituais de que podemos extrair o poder de que necessitamos para sermos suficientes para as tarefas da vida. Existe, contudo, um terceiro recurso. 

Warren W. Wiersbe

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