Tessalonicenses - Introdução (1)

crstam.jpgINTRODUÇÃO

TESSALÓNICA

     Tessalónica (agora chamada de Salónika) era, na época de Paulo, uma cidade proeminente da Macedónia (agora o norte da Grécia), um porto activo na costa do norte do Mar Egeu. Estava situada ao longo da famosa Via Agiana, a qual ligava Roma com toda a região norte do Egeu. Deste modo tinha uma dupla vantagem geográfica para a propagação do Evangelho.

     A proclamação de Paulo do "Evangelho da graça de Deus" estava a ter um impacto poderoso, levando o Cristianismo do Médio Oriente à Europa, um outro continente, um lugar de onde seria ainda levado para Roma e provavelmente para a Espanha, durante o seu tempo de vida, e posteriormente para o norte da Europa – e para a América do Norte!

     O Apóstolo tinha viajado para a Macedónia em resposta a uma visão que tinha recebido em Troas, na qual um macedónio tinha orado, dizendo "Passa à Macedónia, e ajuda-nos." (Actos 16:9). Tessalónica era a segunda cidade da Macedónia e Paulo e Silas tinham ministrado entre os seus habitantes, tendo primeiro estabelecido uma igreja em Filipos. Ambas as cidades tinham vantagens estratégicas para o ministério do Apóstolo.

A FUNDAÇÃO DA IGREJA EM TESSALÓNICA

     Depois de terem sido "agravados" em Filipos (I Ts.2:2, cf. Act.16:19-24) Paulo e Silas, foram para Tessalónica, e "Paulo, como tinha por costume" foi primeiro à sinagoga, onde por "três sábados disputou com eles sobre as Escrituras",1 provando-lhes que o Jesus que tinha sido crucificado era de facto o Messias das profecias (Act.17:3, cf. I Pe.1:11).

     Entretanto, os patrícios do Apóstolo em Tessalónica, ao contrário dos que estavam em Bereia, como um todo, não aceitaram a Palavra com corações e mentes abertos. Em vez disso, o resultado da sua pregação foi a profunda e duradoura inimizade entre eles. Assim, de modo diferente dos "muitos" judeus que creram em Bereia, apenas "alguns" entre os judeus da Tessalónica creram 2 – e novamente, em contraste com "alguns" dos judeus que creram, lemos as palavras: "e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais [isto é, distintas]" (At.17:4).

     Os "gregos religiosos" aqui referidos, não eram meramente devotos nas próprias religiões, porque foram encontrados na sinagoga. Ao invés disso, embora não fossem prosélitos, eram gentios que temiam a Deus. Sendo assim, é preciso adicionar que, quase imediatamente depois disso, eles juntamente com Paulo e Silas, começaram a ganhar multidões de pagãos para Cristo, porque não só é claro que a igreja em Tessalónica era em sua grande maioria uma congregação gentia quando Paulo escreveu, mas também que o seu número consistia, na sua maioria, daqueles que se tinham convertido dos ídolos a Deus, e não do judaísmo (I Ts.1:8-9). Isto ainda é confirmado pelo facto de que não existe sequer uma citação do Velho Testamento nas cartas aos Tessalonicenses.

     Portanto, os gentios tinham envergonhado os judeus em relação à atitude deles para com o Evangelho.

     Mais triste ainda, "os judeus desobedientes" eram tão agressivos no seu ódio por Paulo e seus companheiros que aliaram-se a "alguns homens perversos... ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade". Tão-pouco hesitaram em apelar para Roma contra eles (o opressor que eles mesmos tinham desprezado e detestado por tanto tempo), acusando-os de sedição e traição (Act.17:5-7). De facto, eles até seguiram Paulo até Bereia com o objectivo de instigar o povo contra o Apóstolo – e contra Cristo (Act.17:13).

     Portanto, os crentes em Tessalónica foram desde o início iniciados na perseguição e sofrimento (I Ts.1:6), e isto, por sua vez, contribuiu para o seu crescimento espiritual (II Ts.1:3-4). É por isso que muitos estudantes das Escrituras chamam à congregação de Tessalónica a igreja modelo.

     A primeira viagem apostólica de Paulo levou-o para longe do seu quartel-general em Antioquia na Síria, mas agora, estabelecendo igrejas na Europa, ele não podia revisitá-las periodicamente para as aconselhar e animar. A esta expansão do seu ministério devemos as suas cartas apostólicas.


1 A palavra "sábado" no Novo Testamento é usada tanto para o sétimo dia da semana como para a semana de sete dias. Mas o dia do sábado seria, logicamente, a hora oportuna para encontrar grandes aglomerações na sinagoga. O registo também não diz que Paulo ministrou a Palavra ali por três sábados apenas. Pode ser que por apenas três sábados ele tivesse liberdade ali como na sinagoga de Pisídia (At.13:14-15). Tais passagens como Fp.4:16; I Ts.2:9 e II Ts.3:8 parecem indicar que ele trabalhou em Tessalónica  por um período mais longo.

2 A palavra grega epeisthesa, que vem da raiz peitho, não é a palavra que geralmente está traduzida como "crer" na nossa Bíblia, mas é uma palavra mais forte, geralmente traduzida por "persuadido". Aqueles que de facto creram em Tessalónica  não foram facilmente convencidos.

Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses

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