1 Tessalonicenses 1:5-10 (1)
OS SANTOS DE TESSALÓNICA E O EVANGELHO DA GRAÇA DE DEUS"Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza; como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós.
"E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.
"De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedónia e Acaia.
"Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedónia e Acaia, mas também em todos lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;
"Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus para servir o Deus vivo e verdadeiro.
"E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura".
O PODER DA MENSAGEM DE PAULO
Deve-se observar que não há palavra alguma sobre qualquer milagre realizado entre os Tessalonicenses. Em vez disso, o poder manifestado era o associado à pregação da Palavra de Deus, ou mais especificamente: "o Evangelho da graça de Deus" que Paulo proclamava.
No v.5 ele enfatiza, como faz em tantos outros lugares, que foi o seu Evangelho que lhes foi proclamado "em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza". Isto é clara evidência que At.17:2-3 não ensina que Paulo, nem naquela época nem em qualquer outra, pregou o "Evangelho do reino". Ele meramente provou-lhes que o Jesus crucificado era o Messias prometido, pois como é que eles O aceitariam como seu Salvador se não acreditassem que Ele era o Messias, mas um impostor?
E agora ele chama-os à atenção sobre a sua conduta entre si, pois continua:
"...como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós" (v.5).
Esta é a primeira de sete frases em 1:5 a 2:11, em que ele lembra-os que eles sabem como ele se conduziu no seu meio. Em sequência estas frases ler-se-iam assim:
"...como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós... Porque vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã... Mas, havendo primeiro padecido, e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de nosso Deus com grande combate... Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza... Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga: pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus... Vós e Deus sois testemunhas quão santa, e justa, e irrepreensivelmente nos houvemos para convosco, os que crestes... Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos" (I Ts.1-5 —2:11).
Certamente Paulo e seus companheiros não tinham trabalhado entre os Tessalonicenses para seu próprio proveito. O Apóstolo podia desafiá-los tão sinceramente como fizera mais tarde aos crentes de Corinto, quando perguntou-lhes: "Porventura aproveitei-me de vós... Porventura Tito se aproveitou de vós?" (II Co.12:17-18). De facto, a passagem acima lembra-nos das suas palavras aos anciãos de Éfeso quando ele os desafia:
"De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido.
"Vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos4 me serviram" (At.20:33-34).
Este tipo de conduta tinha granjeado muito respeito a Paulo no meio destes irmãos a quem ele tinha ministrado. E as suas palavras mostram que ele tinha consciência do desrespeito que um comportamento contrário traria. Daí os seus avisos urgentes a Timóteo e Tito sobre os perigos de usarem o ministério para proveito próprio.
Como, hoje, precisamos de ministros do Evangelho que preguem a Palavra "bem manejada" (correctamente dividida) e "em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza" – e cujas vidas são testemunho da verdade da sua mensagem! Como é que um ministério deste tipo poderá falhar em dar fruto?
4 Quase podemos vê-lo a estender as suas mãos diante deles.
Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses



