1 Tessalonicenses 2:1-16 (4)
A PERSEGUIÇÃO DOS TESSALONICENSESA genuinidade da fé dos crentes em Tessalónica reflectia a de Paulo e, como ele, eles manifestaram a sua fé.
Ele diz em I Ts.1:6-7: "E vós"... recebestes "a Palavra em muita tribulação. De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedónia e Acaia."
"Porque vós, irmãos... padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que os judeus lhes fizeram a eles" (2:14).
A verdade é que o mundo incrédulo odeia Cristo e os crentes de Tessalónica já tinham descoberto isto. Os Tessalonicenses tinham sofrido perseguições dos próprios compatriotas, do mesmo modo que as igrejas da Judeia tinham sido perseguidas pelos conterrâneos delas.6
Mas geralmente eram os judeus incrédulos que incitavam os gentios contra os crentes gentios. Em Filipos, parece que a perseguição veio directamente dos senhores pagãos da jovem possuída por demónios. Mas em Tessalónica foram os judeus que "alvoroçaram a cidade" acusando os crentes de violar a lei de César (At.17:5-7). Também em Bereia foram os judeus de Tessalónica que "foram lá" e "excitaram as multidões" contra Paulo (At.17:13).
Isto também não começou em Tessalónica. Em Actos 13 temos um daqueles tipos de histórias que abundam no Livro dos Actos. É um relato profundamente significativo de dois homens chamados Paulo, de um gentio que desejava ouvir a Palavra de Deus e um judeu que procurou mantê-la longe dele – e de um gentio que foi salvo porque um judeu foi cegado.
Aconteceu em Pafos, evidentemente sede do governo da Ilha de Chipre. Nesta cidade morava Sérgio Paulo, o governador da ilha. Este Sérgio Paulo tinha um conselheiro chamado Bar-Jesus (At.13:6-7). Apenas isso já é significativo, porque os gentios deveriam ter recebido ajuda e luz dos judeus, e Sérgio Paulo era um procônsul romano, representando o mundo gentio, enquanto que Bar-Jesus (hebraico: Filho de Jeová-Salvador) era um profeta, representando apropriadamente Israel.
Mas Israel não trouxe luz e salvação aos gentios – de facto a nação até procurou manter isto longe deles, e à luz deste facto a história torna-se ainda mais significativa.
Bar-Jesus, embora nascesse provavelmente de pais piedosos (para ter um nome como tinha) tornara-se mágico, falso profeta. Por outro lado, é dito que Sérgio Paulo era "um homem prudente", e foi de facto prudente quando chamou Barnabé e Saulo para ensinar-lhe a Palavra de Deus.
Mas quando Bar-Jesus, Elimas (hebraico: Aquele Que Conhece) soube do interesse do governador na Palavra de Deus, reconheceu imediatamente que a sua própria influência sobre Sérgio Paulo estava a ser ameaçada. Por isso Bar-Jesus resistia a Barnabé e Saulo "procurando apartar da fé o procônsul" (13:8).
Paulo mostrou a todos o que o enganador era e julgou-o. Chamou ao presumido "Filho de Jeová-Salvador" de "filho do diabo" e ao acusar o conselheiro de confiança de estar "cheio de todo engano e de toda a malícia", o Apóstolo disse: "não cessarás de perturbar os rectos caminhos de Senhor?", acrescentando "Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo" (13:9-11).
Como resultado Sérgio Paulo, o procônsul romano, "vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor" (13:12).
Mas tudo isto era típico do que iria acontecer a seguir, numa escala muito maior.
Neste mesmo capítulo de Actos encontramos os gentios a pedirem para ouvir a Palavra de Deus (At.13:42) e os judeus, que deveriam ter sido os instrumentos da bênção gentia, estavam a opor-se a Paulo e Barnabé.
"E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a Palavra de Deus" (13:44), mas como Elimas tinha procurado “apartar da fé o procônsul" (13:8) em Pafos, agora em Antioquia os judeus: "encheram-se de inveja... contradiziam o que Paulo dizia" (13:45).
6 Outro indício de que a igreja de Tessalónica era composta predominantemente de gentios na carne.
Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses



