I Tessalonicenses 2:17—3:13 (4)
Mas a situação em Tessalónica era totalmente diferente. Havia lá crentes no Senhor Jesus Cristo com os seus pés firmemente firmados na Palavra de Deus. Como resultado da sua fidelidade eram odiados e perseguidos, mas agora Paulo tinha enviado Timóteo, um homem bem testado nas coisas de Deus, um "bom soldado de Jesus Cristo", e alguém que conheciam, para os encorajar. Paulo chama-o de "nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo", enviado "para vos confortar (Grego: estabelecer) e vos exortar acerca da vossa fé" (I Ts.3:2).
Foi bom que um soldado tão experimentado fosse enviado, porque ele deveria dizer-lhes: que "ninguém se comova por estas tribulações", uma vez que "vós mesmos sabeis que para isto fomos ordenados" (3:3). Como um comandante sábio e fiel de um exército Paulo tinha-os avisado que os soldados precisam de estar prontos para aguentar as aflições (3:4), não, neste caso, retaliar com armas físicas, mas com a "espada do Espírito", a Palavra de Deus. Do mesmo modo que o próprio Timóteo, eles precisavam de ser fortes "na graça que há em Cristo Jesus", prontos para sofrerem "as aflições como bom soldado de Jesus Cristo" (II Tm.2:1,3).
Porém, os crentes de Tessalónica ainda eram novos em Cristo e o Apóstolo sabia muito bem que Satanás procuraria desencorajá-los. Portanto, ele enviou-lhes Timóteo – a grande custo para ele próprio – para que Satanás, o velho Tentador, não os tentasse a desistir da batalha e todo o trabalho do Apóstolo "viesse a ser inútil" (3:5). Não que as preciosas almas ali salvas pudessem ser perdidas novamente. De maneira alguma! Em vez disso, o seu pensamento era que uma grande obra para Deus fosse estabelecida ali. Uma "grande multidão" tinha vindo a regozijar-se em Cristo. Agora ele não queria que este "movimento da graça" fosse anulado por causa do medo da perseguição.
Antes de deixar esta passagem precisamos de aprender a lição que Deus tem para nós aqui. Paulo tinha avisado os Tessalonicenses da perseguição porque ele sabia que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições" (II Tm.3:12).
Pode ser que nem todos sofram perseguição física, porque Satanás emprega vários meios para nos desencorajar. Às vezes a perseguição é de facto física, mas muitas vezes também é um olhar gelado, um ombro frio, o boicote do silêncio, o escárnio, a maledicência, etc. Sem dúvida foi difícil para Paulo aguentar o escárnio e a indiferença que encontrou em Atenas – provavelmente foi mais difícil que o sofrimento físico.
O ponto que deve ser enfatizado é que "todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus PADECERÃO perseguições", e aqueles que não são participantes "das aflições do Evangelho segundo o poder de Deus" devem se interrogar sobre o que está errado e pedir a Deus graça para testemunhar fielmente de Cristo sem temor (I Tm.1:7-8). O sofrimento encontrado será apenas um pequeno preço a ser pago quando comparado com aquela "coroa de gozo": ver outros a regozijarem-se em Cristo, e finalmente Vê-los lá com Cristo porque testemunhámos da Sua graça salvadora.
Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses



