I Tessalonicenses 5:1-11 (4)
Mas biblicamente "os tempos dos gentios" também podem ser chamados de o dia do homem. Enquanto Israel, mesmo debaixo de seus reis, foi constituída como um teocracia, com Jeová sendo a sua autoridade final, encontramos mais tarde o profeta Daniel a interpretar para Nabucodonozor, imperador de Babilónia, o significado de uma imagem colossal de um homem que este tinha visto num sonho. A cabeça era de ouro, o peito e braços de prata, o tronco de bronze, as pernas de ferro e os pés de ferro misturados com barro. Estes, como descritos na ordem em que se apresentam, significavam evidentemente os impérios Babilónico, Medo-Persa, Grego e Romano – e ainda o Império Romano restaurado (Dn.2:37-43). Os metais desde a cabeça aos pés, descendo de do ouro para prata, de bronze para ferro e para ferro misturado com barro, significava a deterioração no governo gentílico desde Nabucodonozor à "besta", a cabeça do Império Romano restaurado (Dn. 2:38-3; cf. Ap.13:1).
Daniel depois predisse ainda que seria nos últimos dias destes impérios, com os seus dez dedos de pé, ou reis (2:44, 7:24; Ap.13:1), que "uma pedra … cortada, sem mão" desferiria um golpe nos pés e toda a estrutura desequilibrada cairia: o dia do homem chegando ao fim com a "pedra", o Senhor Jesus Cristo, golpeando "estes reinos" e estabelecendo Seu próprio reino na terra:
"Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino que não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre" (Dn.2:44).
Portanto, o dia do homem dará lugar ao "dia do Senhor", sendo este dia, logicamente, o dia em que Ele reinará sobre o mundo. Então,
"Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada, E SÓ O SENHOR SERÁ EXALTADO NAQUELE DIA" (Is.2:11).
Entretanto, um facto importante sobre a imagem de Daniel 2 passa despercebido à maioria dos professores bíblicos, isto é, o grande hiato entre o Império Romano da época de nosso Senhor e a futura restauração do mesmo. Roma, de facto, regeu como império de ferro, tendo sido Nero o seu último César, mas os séculos subsequentes contam-nos a história da sua queda. O império não foi ainda restaurado, mesmo passados 1500 anos.1
Tão-pouco a profecia de Daniel toca nos impérios que estão entre a queda do Império Romano e a sua ainda futura reanimação, tal como o Império Britânico, cuja regência foi tão vasta que por um tempo podia-se dizer: "O sol nunca se põe sobre a Inglaterra."
Porque é que existe esta lacuna na profecia? Porque é que nada é dito sobre este período de intervalo? A resposta é aquela que a maioria dos professores bíblicos, hoje, falham em enxergar, e em alguns casos até se opõem, como se fosse uma doutrina falsa. É um facto que programa profético foi divinamente interrompido pela revelação do "mistério", um segredo sagrado: a entrada da "dispensação da graça de Deus" através do Apóstolo Paulo, o principal dos pecadores, salvo pela graça (Ef.3:1-4; Cl.1:24-27). Deste modo a profecia deu lugar ao "mistério" e os seus mistérios associados revelados em primeiro lugar a Paulo (I Co.4:1-2).
Quando o último destes "mistérios associados, a vinda de Cristo para levar os Seus (I Ts.4:14-17; I Co.15:51-52), tiver acontecido, Roma será rastaurada, em seguida ferida pela "pedra, sem mãos"2 e destruída. Depois disto seguir-se-á a manifestação plena do "dia do Senhor".
Aqueles que falham em enxergar na profecia este "hiato" têm problemas reais com o que está a acontecer, ou não, hoje. Uma dessas pessoas afirmou-nos: "Vemos os dez reinos a formarem-se diante dos nossos olhos!" O autor vem ouvindo isto há cinquenta anos e está a começar a ficar um pouco cansado. Como é que estes dez reinos, acima referidos, podem estar a formar-se actualmente quando o Império Romano nem sequer foi restaurado? Como é verdade este ditado: "Compreenda o 'mistério' e terá menos problemas a compreender as profecias."
1 Bem que recordamos a vanglória de Benedito Mussolini: "Levantem os vossos corações, as vossas bandeiras, as vossas espadas, para saudarem, depois de 1500 anos, o reaparecimento de um império nas colinas fatídicas de Roma!" Mas pouco depois Mussolini estava dependurado pelos pés numa praça de Roma enquanto os transeuntes lhe cuspiam no rosto.
2 Ou seja, isto será totalmente a obra de Deus.
Cornelius R. Stam
Comentário Sobre as Epístolas de Paulo aos Tessalonicenses



