Provocação

A. W. Tozer

 

     A palavra provocação significa incitação, estímulo. Pode ser usada num bom sentido, embora raramente seja usada dessa forma. Na maioria das vezes, refere-se ao ato de enfurecer alguém por meio de uma afronta, real ou imaginária.  

     Todos nós já vimos a rapidez com que muita gente se desculpa por uma explosão alegando que o fizeram em resposta a provocação. Dessa forma, culpam os outros pelo seu próprio pecado. O que não se percebe nessa elegante maneira de se autodesculpar é que a provocação não pode incitar algo que já não esteja ali. Ela de forma nenhuma adiciona alguma coisa ao coração humano; ela meramente traz à tona aquilo que já se encontra ali. Ela não altera o caráter; ela simplesmente o revela.  

     A pessoa é aquilo que faz quando é provocada. A lama já tem de estar no fundo da piscina, caso contrário não poderá ser agitada. Não se consegue turvar água limpa.  A provocação não gera a podridão moral; ela apenas a traz até à superfície. Nada mais do que isso.  

     Um homem santo não pode ser incitado a agir de forma ímpia. Um homem de coração purificado talvez seja incitado à ação por meio de vários estímulos, mas a ação será sempre conforme a pureza do seu coração. "[o amor] não se exaspera (não se irrita, não se deixa provocar)", disse Paulo em 1 Coríntios 13.5. Mesmo que se admita que o amor seja provocado, ele não pode ser provocado a nenhuma ação incompatível consigo mesmo. Se for incitado a agir, essa ação estará de acordo com a sua própria natureza. O amor não pode ser outra coisa senão amor.  

     Para o homem que acabou de se irritar ou que se permitiu demonstrar mau humor talvez seja uma espécie de consolo fácil argumentar que foi provocado a isso por outra pessoa; mas se ele valoriza a própria alma, não vai se desculpar dessa forma. A honestidade exigirá que admita que já possuía uma disposição má e que a provocação meramente a trouxe à superfície. A falta é mesmo sua, e não daquele que a trouxe à luz.  

     Todavia, temos de acrescentar uma coisa mais: o Novo Testamento alerta-nos que aqueles que incitam os outros ao mal trarão sobre si mesmos severo juízo. O diabo tentou a Cristo, mas não pôde persuadi-lO a agir mal. Cristo não pôde ser incitado ao mal porque não havia n'Ele nenhum mal para incitar. Os esforços de Satanás foram vãos, e ele não pôde fazer nenhum dano; contudo ele haverá de encarar o terror do julgamento de Deus por causa das suas perversas tentativas.  

     Qualquer que puser uma pedra de tropeço no caminho de um Cristão haverá de receber justa punição, quer seja bem-sucedido ou não em provocar-lhe a queda. É verdade que, antes que se possa turvar a piscina, a lama já tem de estar ali no fundo, mas a fervente ira de Deus agirá contra aquele que se delicia em remexê-la.

- A. W. Tozer

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