A cruz de Cristo (VIII)

Paul Sadler

 Um pedido ambicioso

    
“E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou de parte os Seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes: Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lO-ão à morte. E O entregarão aos gentios para que d'Ele escarneçam, e O açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará” (Mateus 20:17-19).


     Agora, na sombra da Cruz, o Senhor dirige-Se juntamente com os Seus discípulos para um lugar à parte, para lhes contar com maior detalhe os eventos que iriam de seguida acontecer em Jerusalém. Ele confirma as palavras do profeta, segundo as quais Ele iria ser traído e entregue nas mãos dos homens ímpios, os quais O condenariam à morte. Notemos também que os Gentios iriam sofrer a responsabilidade de colocar em prática a vontade dos líderes de Israel, crucificando Cristo. Esta é a primeira vez que o Senhor afirma especificamente a forma da Sua morte. Ele iria sofrer morte por crucificação, tal como profetizado no Salmo 22!

     Naquele tempo, exactamente o que é que os discípulos e os santos do reino compreendiam acerca da morte, sepultura e ressurreição de Cristo? Nada! Claramente os discípulos não compreendiam o significado destes acontecimentos, nem tão pouco colocaram a sua fé na vinda de Cristo para morrer no Calvário como forma de serem salvos, apesar de ser esse o meio pelo qual eles iriam ser redimidos. De acordo com relatos bíblicos, estas coisas lhes eram encobertas (Ver Lucas 18:31-34).

     Ao lermos estes versículos, percebemos melhor a razão pela qual os discípulos pareciam tão alheios às palavras do nosso Senhor. Eles estavam mais interessados nas glórias do reino e as posições que eles teriam quando reinassem com Ele. Este pensamento pode ser comprovado nos versículos que se seguem: 

“Então se aproximou d'Ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-O, e fazendo-Lhe um pedido. E Ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda, no Teu reino” (Mateus 20:20-21).

     Certamente todas a mães desejam o melhor para seus filhos, mas por vezes a sua ambição pode ser um produto da carne. Concluindo de que o reino seria brevemente estabelecido, a mãe de Tiago e João queriam que seus filhos tivessem honra distinta de todos os outros, sentados à mão direita e à mão esquerda do Mestre. Claro que Tiago e João pensavam ter legitimidade para fazer este pedido. Afinal, eles estavam entre os primeiros que tinham deixado as suas redes de pesca para trás e seguiam agora o Senhor Jesus. A verdadeira intenção deste seu pedido era apenas garantir posições de autoridade para poderem governar sobre outros, tal como desejam os gentios. Mas o desejo dos gentios por tal poder é apenas por mero egoísmo.

Infelizmente eles não compreenderam que o reino nunca poderia ser estabelecido antes que o Mestre sofresse e morresse pelos pecados da nação. O Senhor também revela nesta porção bíblica que eles, da mesma forma, iriam beber deste mesmo cálix. Ele então acrescenta: “Mas o assentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda não Me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem Meu Pai o tem preparado.” Muito provavelmente esta honra será dada a Moisés e Elias, os quais representam a lei e os profetas (Mateus 16:28; 17:1-3).

     Podemos constatar que a chave para a glória no reino não estava baseada em posição ou poder, coisas que os gentios cobiçam, mas sim no carácter. Eles deveriam seguir o espírito de nosso Senhor, que não veio a este mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Cristo é o Criador de todas as coisas, mas mesmo assim Ele humilhou-Se a Si mesmo e tomou a forma de um humilde servo. Assim, o Mestre admoesta os Seus discípulos: “Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal” (Mateus 20:23-28). Acreditamos que este mesmo princípio pode ser aplicado ao Corpo de Cristo, quando nos lugares celestiais reinarmos com Cristo.

Paul Sadler
(Continua)

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