A cruz de Cristo (XIV)

Notemos que é dito que Cristo participou “das mesmas coisas”. A palavra grega aqui é metecho, que significa que Cristo “participou das mesmas coisas, mas não na sua totalidade.” Ao ser gerado miraculosamente e nascendo de uma virgem, Cristo tomou a carne humana mas não herdou a natureza pecaminosa do homem. Uma vez que “a vida da carne está no sangue,” podemos supor com segurança que o sangue de Cristo não estava manchado com o pecado. O mesmo não pode ser dito de nós mesmos. A vida da carne está no nosso sangue, apenas no sentido em que o sangue que corre nas nossas veias mantém-nos vivos para o pecado dia após dia. Não é de admirar que o apóstolo Pedro refere-se ao “precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pedro 1:19). O sangue de Cristo é o antídoto para a doença dos nossos pecados.
Embora negado por alguns, nós cremos que Cristo derramou literalmente o Seu sangue na Cruz. Quando o sacerdote em Israel derramava o sangue na base do altar, simbolizava os pés da Cruz de Cristo, onde o sangue do Cordeiro seria derramado (Levítico 4:32-34). O sangue tem um interessante paradoxo: os criminosos tentam livrar-se dele, mas Deus limpa os nossos pecados através dele. A teia carmesim é tecida através das epístolas de Paulo, deixando uma tapeçaria de redenção.
“Mas, Deus prova o seu amor para connosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9)
No presente tempo Deus justifica os pecadores unicamente pelo sangue derramado de Cristo. Neste contexto, a justificação significa ser declarado por Deus justo por toda a eternidade. Justificação é um termo jurídico. Por exemplo, se um prisioneiro for levado perante o tribunal, há uma e uma só forma de ser justificado. Ele tem ser considerado como não culpado do crime. Se for provado que não é culpado, então é um homem justo aos olhos das leis humanas.
Consideremos outro caso. Um homem comete um determinado crime, considerado culpado e condenado à morte. O presidente pode perdoar este homem, mas nunca o pode justificar. Apesar de este homem ser perdoado, continua a ser um criminoso culpado do seu crime. Não há forma humana possível de o justificar e remover a culpa do seu crime.
Mas maravilha das maravilhas, embora achados culpados diante do tribunal da justiça de Deus, somos justificados pela graça de Deus. A Lei aponta o seu dedo na nossa direcção e diz: tu és pecador, culpado de todas as acusações, e portanto condenado a morrer. “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso, nenhuma carde será ustificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Romanos 3:19-20). Quando a sentença dos nossos pecados está prestes a ser lida, Jesus Cristo diz ao Pai: “Eu vou pagar a sua culpa e sua punição.” Cristo deu-Se a Si mesmo em resgate por cada um de nós. Ele tomou o nosso lugar!
Deus não ignorou o castigo dos nossos pecados: a morte de Cristo na Cruz pagou-o na sua totalidade. Os nossos pecados e a nossa culpa foram colocados sobre Si e a Sua justiça foi imputada sobre nós. Em Cristo, somos totalmente inocentes diante de Deus, aceites no Amado e livres da ira futura. Esta é a ira de Deus que iríamos experimentar no grande trono branco do julgamento e consequentemente a sentença do lago de fogo. Pelo graça de Deus, estamos agora longe do alcance do justo juízo de Deus. Tal como o apóstolo Paulo declara em Romanos 8:1: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito.”
(Continua)
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