Estrada 395

Portanto nós, também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado, que tão de perto nos rodeia, e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o Qual, pelo gozo que Lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-Se à dextra do trono de Deus. – Hebreus 12:1-2
Certo verão, realizámos o nosso acampamento de jovens numa estância de esqui em Mammoth Mountain, lendária pela sua beleza e grandiosidade. Localizada nas High Sierras, este cenário majestoso é de tirar o fôlego (em parte porque está a 2.700 metros de altitude)! Quando olhei para as instruções do itinerário da viagem, vi que seguiríamos pela Estrada 395 durante mais de quatro horas! Quatro horas sem espaço para parar; conduzindo uma carrinha cheia de garotas calouras. Ai!
Deixa-me descrever-te a maior parte da viagem na Estrada 395 numa única palavra: nada. Além do redemoinho de poeira que ocasionalmente esvoaçava pelos quilómetros estéreis de pó, não havia nada para ver, nenhum lugar para parar, nenhuma estação de rádio para ouvir e poucas conversas inteligentes para ter. Eu estava entediado. As estudantes ficavam enfastiadas com as minhas perguntas e a minha frase constante era: “Podes falar um pouco mais alto? Eu fiquei surdo devido a tantos anos a ministrar a jovens.” Foi uma odisseia de quatro horas de dor.
E então, finalmente, dobrámos uma curva, subimos íngremes cerca de 5 kms e vimos o pico da Mammoth Mountain espiando-nos de cima de uma nuvem. O ar arrefeceu durante a subida. O sol parecia mais espetacular, mais sereno e mais brilhante. A cordilheira estava gravada contra o horizonte como uma pintura em aquarela, resplandecente em laranja, vermelho e dourado. Chegar a Mammoth depois de conduzir na Estrada 395 foi como sair do Inferno e entrar no Paraíso.
Saímos do carro, alongámos os nossos músculos, respirámos profundamente e deliciámo-nos com a beleza. Para ser sincero, fiquei tentado a cair de joelhos e confessar que, ao longo do caminho, pensei onde poderia enterrar algumas das raparigas.
Refletindo sobre a viagem, reaprendi algo que já sabia, mas que sempre tendo a esquecer: por mais desafiadora que a viagem seja, o destino certo faz a viagem valer a pena.
Isso também é verdade na jornada cristã. As subidas e descidas que percorres na vida valem a pena. As curvas e desvios dos desafios da vida podem trazer bênçãos maravilhosas quando confiamos em Deus e permitimos que Ele nos molde. Os longos percursos da vida normal são enriquecidos quando deparamos com a beleza encontrada no relacionamento com a família e amigos. Os quilómetros que percorres para construir um relacionamento íntimo e próximo com o Senhor valem muito o investimento de tempo e esforço.
E um dia, chegar ao Céu fará com que a viagem aqui na Terra tenha parecido uma viagem curta, mesmo que a tua vida tenha sido como uma longa viagem na Estrada 395. Farás uma curva, sentirás uma aragem fresca revigorante na tua face, sabendo que és guindado a uma altitude mais elevada e ali ficarás, no esplendor e na glória do Céu, com o Senhor Jesus Cristo, para todo o sempre. Cairás de joelhos e adorarás. Que dia, esse dia será!
Até então, continuemos a conduzir, meus amigos. Estamos juntos nisto.
APROFUNDANDO:
1. Onde te encontras hoje na jornada da vida? Estás no deserto árido, no topo da montanha ou em algum lugar intermédio?
2. Como vês Deus a moldar a tua vida enquanto segues para o teu destino final?
LEITURA ADICIONAL:
1 Coríntios 2:9; Tiago 1:4; Romanos 8:18
- Por Doug Fields



