E OS HIPÓCRITAS NA IGREJA?

A hipocrisia da sociedade | Wall Street International Magazine

 

     Infelizmente, um obstáculo à aceitação do Cristianismo que muitas vezes se levanta é erguido pelos próprios Cristãos. Dito de várias maneiras, o cerne da objeção é: "Se o Cristianismo é verdadeiro, porque existem hipócritas na igreja?"

     “E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás ao teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho; estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.” – Mateus 7: 3-5 

     Com estas palavras sagazes, mas também mordazes, O Senhor Jesus Cristo faz com que os Seus ouvintes - naquele tempo e hoje - examinem cuidadosamente as suas próprias vidas. Tendemos a acusar os outros de pequenas deficiências quando, na verdade, nós próprios ignoramos o nosso próprio comportamento? Nesse caso, somos hipócritas. Quando a nossa hipocrisia for removida, estaremos em posição de ajudar os outros.

     Infelizmente, um obstáculo à aceitação do Cristianismo que muitas vezes se levanta é erguido pelos próprios Cristãos. Formulado de várias maneiras, o cerne da objeção é: “Se o Cristianismo é verdadeiro, por que existem hipócritas na igreja?” Por outras palavras, se o Cristianismo realmente deve mudar as pessoas, então porque razão alguns que professam crer no Senhor Jesus Cristo são exemplos tão maus? Este artigo responderá à “objeção da hipocrisia” ao Cristianismo. Mas, primeiro, vamos explorar a definição de hipocrisia em geral, bem como no sentido bíblico.

 

O que é um hipócrita?

     O Oxford English Dictionary (Dicionário de Inglês de Oxford) define hipocrisia da seguinte forma: “A assunção de uma falsa aparência de virtude ou bondade, com dissimulação do verdadeiro caráter ou reais inclinações, especialmente em relação à vida religiosa ou crenças; portanto, em sentido geral, dissimulação, fingimento, farsa. Também um exemplo do seguinte.” Define hipócrita assim: “Aquele que falsamente professa ser virtuoso ou religiosamente inclinado; alguém que finge ter sentimentos ou crenças de uma ordem superior do que a realidade; portanto, geralmente, um dissimulador, fingidor.” The Compact Oxford English Dictionary, 2ª edição (Oxford: Oxford University Press, 1991), s.v., “hipocrisia”, “hipócrita”.

     Em termos mais simples, um hipócrita é alguém que não apenas não pratica o que prega, mas uma pessoa que faz o contrário daquilo que apregoa. Um pai segurando uma cerveja e fumando um cigarro que adverte o filho a não beber ou fumar, por exemplo, pode ser considerado um hipócrita pela criança.

     Semelhantemente, os críticos do Cristianismo que levantam a objeção da hipocrisia geralmente apontam para alguma falha moral na vida dos Cristãos que eles conhecem como exemplos do Cristianismo ser falso ou pelo menos altamente suspeito.” “Vejam!” exclamam. “Eis mais outro hipócrita na igreja! Como posso crer no Cristianismo se a igreja está cheia de hipócritas?”

     Antes de responder diretamente à pergunta, daremos uma breve olhada nos exemplos bíblicos de hipocrisia.

 

A Bíblia e Hipocrisia

     “Hipocrisia” ou variações dela aparecem 17 vezes na Bíblia. Frequentes vezes vemos Cristo chamar às pessoas de hipócritas (ver, por exemplo, Mateus 6:2,5,16; 7:5; 15:7; 22:18; 23:13,15; 23:23,25,27,29; 24:51; Marcos 7:6; Lucas 6:42; 12:56; e 13:15). "Hipócritas!" na verdade, é um termo recorrente.

     O Senhor Jesus Cristo foi culpado de apontar o cisco no olho de outra pessoa quando na realidade ele tinha uma trave no seu próprio olho? De jeito nenhum. Como Josh McDowell e Don Stewart escreveram:

     “O Cristianismo não se mantém ou cai na forma como os Cristãos agiram ao longo da história ou estão a agir atualmente. O Cristianismo permanece ou cai na Pessoa do Senhor Jesus Cristo, e o Senhor Jesus Cristo não era um hipócrita. Ele viveu de forma consistente com o que ensinava, e no final d Sua vida Ele desafiou aqueles que viveram com Ele noite e dia, por mais de três anos, a apontar qualquer hipocrisia n’Ele. Os Seus discípulos ficaram em silêncio, porque não havia nada a apontar. Visto que o Cristianismo depende do Senhor Jesus Cristo, é incorreto tentar invalidar a fé Cristã apontando para coisas horríveis feitas em nome do Cristianismo.” Josh McDowell e Don Stewart, Answers to Tough Questions Skeptics Ask About the Christian Faith (Respostas a Questões Difíceis que os Céticos Perguntam Sobra a Fé Cristã) (Here’s Life Publishers, 1980), 128.

     McDowell e Stewart mencionam três pontos importantes. Primeiro, se o Cristianismo é verdadeiro ou não, não depende de como os seus adeptos se comportam. Isso, é claro, não desculpa a hipocrisia na igreja, mas também não significa que a hipocrisia seja razão suficiente para rejeitar o Cristianismo. Em segundo lugar, Cristo não era um hipócrita em nenhum sentido da palavra. Frequentemente, até mesmo os críticos concordam com este ponto, exaltando os elevados padrões morais de Cristo sem compreender as Suas reivindicações mais amplas. Terceiro, o comportamento aparentemente hipócrita em grande escala, como a Inquisição, também não invalida o Cristianismo. Novamente, isso não desculpa o comportamento hipócrita, mas separa-o do centro do Cristianismo: de Cristo e das Suas reivindicações.

 

A influência positiva do Cristianismo

     Os Cristãos são todos hipócritas? De jeito nenhum! Na verdade, a história da igreja cristã está repleta de exemplos de abnegação, coragem, ação moral e correção e muitas outras influências positivas no mundo. Estes não são atos de hipócritas, mas de crentes sinceros transformados pelo Cristo ressuscitado e movidos pelo Espírito Santo, “fazendo aos outros o que gostaria que fizessem a si” (Mateus 7:12; Lucas 6:31). Veja, por exemplo, o meu opúsculo What Christianity Has Done for the World  (O Que o Cristianismo Tem Feito ao Mundo) (Rose Publishing, 2008) e How Christianity Changed the World (Como o Cristianismo Mudou o Mundo), de Alvin Schmidt (Zondervan, 2004).

     A Igreja é uma obra em curso (e também os seus membros). Como uma catedral que pode levar décadas ou séculos a ser concluída, o processo é longo e árduo, mas um dia ficará completa e será um belo testemunho do poder de Cristo na transformação de vidas para melhor. Lembre-se também de que só alguns Cristãos professos agem hipocritamente. O que dizer de todos os que não agem assim? O que dizer de todos os que vivem consistentemente o amor de Cristo no mundo?

 

Hipocrisia, padrões morais e pecado

     Até a Igreja e todos os seguidores de Cristo serem glorificados, haverá, infelizmente, hipócritas nas igrejas locais. O que é importante lembrar, no entanto, é que isso não reprova o Cristianismo ou as reivindicações de Cristo. Além do mais, as acusações de hipocrisia pressupõem que existe um padrão moral que os hipócritas quebram. E de onde vem esse padrão? Nesse sentido, a objeção da hipocrisia apoia a realidade da existência de um legislador moral transcendente (isto é, Deus), não sendo portanto um argumento contrário.

     Também nos devemos lembrar que, biblicamente falando, “... todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente, pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:23-24). Por outras palavras, ninguém é perfeito e todos dependem de Cristo para a redenção, a salvação e o crescimento em maturidade espiritual. Por outro lado, os Cristãos não devem agir de forma hipócrita, para que não darmos aos críticos uma desculpa para eles rejeitarem a mensagem do Evangelho. Por outro lado, os críticos deveriam saber melhor do que tentar rejeitar o Cristianismo e todas as reivindicações de Cristo com base na objeção da hipocrisia.

Por Robert Velarde 

 

 

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