A natureza das bestas
“Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são … bestas ruins …”
Quando aquele profeta cretense disse que os cretenses são “bestas ruins”, ele estava a dizer que eles eram homens que “desprezam as dominações [ou, governos], …, não receando blasfemar das dignidades … como animais irracionais” (II Ped. 2:10-12), homens que "rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades ... como animais irracionais" (Judas 1:8-10). Do mesmo modo que uma fera recusa deixar que um homem imponha a sua vontade sobre ela, os homens que não deixam que os governantes civis imponham a sua vontade sobre eles são chamados de bestas.
Quando Paul adicionou,
“Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (v. 13),
ele estava a afirmar que é impossível resistir às “potestades” governamentais (Rom.13:1,2) e ainda ser considerado sólido na fé.
Vemos mais evidências de que este era um problema em Creta, quando Paulo disse a Tito mais adiante,
“Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam … Que a ninguém infamem [ou, falem mal] …” (Tito 3:1,2).
Os cristãos que falam mal das potestades e de outros governantes são tão numerosos hoje em dia que poderiam ser chamados de “Legião", pois “são muitos” (Marcos 5: 9). É importante notar como o apóstolo Paulo arrependeu-se imediatamente quando soube que involuntariamente falara mal do líder de sua nação (Atos 23:1-5).
Por vezes ouvimos os Cristãos objetarem dizendo que se as críticas que fazem às dignidades no governo são verdadeiras, tal não é falar mal. No entanto, tudo o que Paulo disse sobre seu líder era verdade. Deus feri-lo-á um dia porque ele era uma “parede branqueada” (Atos 23:3), um hipócrita que fingiu julgar Paulo de acordo com a lei, mas ordenou que ele fosse ferido contra a lei. Ainda assim e apesar disso, sabemos que Paulo considerou as palavras que pronunciou contra o seu líder, apesar de verdadeiras, como palavras más, pois ele admitiu que havia violado o princípio interdispensacional de: “Não dirás mal do príncipe do teu povo” (v. .5).
Isto faz lembrar os Cristãos de hoje que dizem que não temos que obedecer aos nossos líderes no governo porque eles geralmente agem de forma contrária à constituição, à lei do nosso país. Todavia Paulo arrependeu-se de falar mal do líder de sua nação, apesar de ele ter ordenado que Paulo fosse ferido contra a lei da sua terra, a lei de Moisés.
O ponto principal é que simplesmente não há justificação ou desculpa de qualquer tipo para a forma vergonhosa como o povo de Deus costuma falar dos líderes civis a quem Paulo chama de “ministros de Deus” (Rom. 13: 6).
“Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor” (2 Pedro 2:11).
Ao longo dos anos, podes ter lutado muito para ser sólido na fé ao compreenderes o que Paulo ensinou sobre assuntos difíceis e delicados, como o batismo na água, o dom de línguas e o dom de curar. Mas se o teu coração anseia por ser verdadeiramente são em todos os aspectos da fé, se desejas ser paulino em todas as questões de fé e prática, eu convido-te a considerares seguir igualmente Paulo como ele seguiu a Cristo nesta área crítica da fé (1 Cor. 11:1).
Afinal, o poder que Pilatos exerceu para crucificar o Senhor era certamente um poder maligno, mas o Senhor disse que o poder lhe foi dado “de cima” (João 19:10,11). Aprender a não falar mal do poder muitas vezes exercido de forma maléfica pelos líderes civis é um caminho incomensuravelmente difícil de trilhar para alguns, mas foi o caminho trilhado pelo Apóstolo Paulo e o seu Cristo. E é meu sincero apelo que este seja o caminho que tu também escolhas.
por Ricky Kurth



