A clareza da sinceridade

Há cerca de 2.000 anos, o apóstolo Paulo deu a um jovem ministro chamado Tito alguns conselhos que são bons para todos os Cristãos que desejam ministrar doutrinas bíblicas sólidas a outros:
“Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção, gravidade, sinceridade” (Tito 2:7).
O dicionário diz que a palavra sincero significa puro e sem mistura. É por isso que Paulo escreveu,
“Pelo que façamos festa, não com … o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade …” (1 Coríntios 5:8).
Deus disse aos judeus debaixo da lei para observarem a “festa” dos pães ázimos logo após celebrarem a páscoa, não misturando fermento no seu pão (Lev. 23:4-8), e Paulo diz que a maneira de celebrar essa festa hoje debaixo da graça é manter o fermento do pecado fora das nossas vidas para mostrarmos a Deus como somos gratos por “Cristo, nossa páscoa”, ter sido “sacrificado por nós” (1 Coríntios 5:7).
Agora, tu pensarias que todo o crente deve saber que as nossas vidas devem ser puras e não misturadas com pecados como a “malícia” e a “maldade” ao ensinarmos a doutrina da graça. Porém, os carnais coríntios estavam a ensinar a graça, mas a viver em malícia (1 Coríntios 14:20) e maldade (1 Coríntios 5:13), acreditando erroneamente que a graça é licença para pecar estes pecados específicos e muitos outros. Se isso descreve a tua vida cristã e ministério da doutrina da graça de Deus, eu convido-te a considerar mostrar sinceridade na doutrina. A nossa vocação é elevada e santa!
E há outras coisas com as quais a doutrina não deve ser misturada. Paulo descreveu o seu ministério aos coríntios assim: “O testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo, e maiormente convosco” (2 Coríntios 1:12). Corinto era uma cidade da Grécia, e os gregos eram conhecidos pela “sabedoria” dos seus filósofos. Assim, ao escrever aos coríntios, Paulo condenou “a sabedoria dos homens” repetidamente (1 Cor. 1:17-3:19), insistindo que ele não havia misturado doutrina com sabedoria mundana (1 Cor. 2:4) como evidentemente os “dez mil” falsos mestres de Corinto haviam agido entre eles (1 Coríntios 4:15). Talvez a razão pela qual eles parecem ter acreditado nisso é que pensavam que tal mistura era a única maneira de tornar a doutrina da graça mais saborosa e popular. Isso levou Paulo a dizer-lhes o que disse a Tito, que a doutrina deveria ser pregada com sinceridade.
Agora, pensarias que quase 2.000 anos depois, os pregadores saberiam melhor do que misturar a doutrina bíblica com a sabedoria dos homens. Mas quando a teoria da evolução surgiu, muitos pastores foram intimidados pela ciência - ciência que na verdade nada mais era do que “falsamente chamada ciência” (1 Timóteo 6:20). Então, alguns deles misturaram aquele exemplo de sabedoria mundana antibíblica com a doutrina da criação e surgiram com algo chamado “evolução teísta”. Essa é a teoria que afirma que a evolução é real, mas que foi posta em movimento e supervisionada por Deus! E há muitos outros exemplos que poderiam ser citados de misturar a doutrina com a sabedoria dos homens.
Mas, em vez de usar o teu valioso tempo para citar mais exemplos da loucura da sabedoria mundana, prefiro apontar mais uma coisa com a qual a sã doutrina bíblica não deve ser misturada, algo que Paulo apontou quando falou aos filipenses sobre alguns que “pregam a Cristo por inveja e porfia; ... por contenção, não puramente [ou, sinceramente]” (Fil. 1:15,17). Existem crentes que misturam a sã doutrina com coisas como inveja, discussão e contenda. Em outras palavras, eles pregam doutrina apenas para começar uma briga com os outros! Eu ouço homens assim o tempo todo, e acredito que é tão desonroso ao Senhor quanto misturar doutrina com maldade carnal ou sabedoria carnal.
Antes de deixar este artigo de lado, porque não orar sobre este importante assunto? Doutrina que não se mistura com carnalidade, sabedoria humana ou inveja e contenção contenciosa certamente dará às tuas palavras a clareza da sinceridade que anseias ao comunicar a verdade sobre a graça aos outros.
por Ricky Kurth



