O Ministério da consolação

Leitura das Escrituras:
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação.” — 2 Coríntios 1:3
Desde a entrada do pecado no mundo, o caminho do homem tem sido tudo menos fácil. Jó parece ter compreendido o assunto quando escreveu: “… No entanto, o homem nasce para as dificuldades tão certamente como as fagulhas voam para cima.” (Jó 5:7 NVI) É interessante, porém, que quando a calamidade ocorre, os homens são rápidos em culpar a Deus ou perguntar por que Ele permite tais ocorrências nas suas vidas. Mas devemos culpar a Deus pelo que o homem trouxe sobre si mesmo? Deus me livre! O homem é produto da sua própria loucura.
“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim, também, a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.” (Rom. 5:12).
Alguns afirmam que se estivessem no jardim do Éden tudo teria sido diferente. Eu certamente não tenho motivos para duvidar deles. Com toda a probabilidade, eles teriam empurrado Adão para o lado a fim de alcançarem o fruto proibido antes dele! Nota que Deus viu toda a humanidade em Adão, como somente Ele poderia fazer. Então, quando Adão estendeu a mão para comer do fruto proibido, cada um de nós também o estava a alcançar – somos a sua posteridade, portanto, compartilhamos da sua culpa. Deus poderia ter condenado toda a humanidade ao Lago de Fogo e ter sido perfeitamente justificado ao fazê-lo. Felizmente, não recebemos o que merecemos com justiça, pois “Misericordioso e piedoso é o Senhor: longânimo e grande em benignidade.” (Sal. 103:8)
COMO DEUS NOS CONSOLA
“Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus.” (2 Cor. 1:4).
Aqui, é claro, o apóstolo refere-se aos crentes. O nosso Pai celestial sabe que somos frágeis criaturas de pó, sobrecarregadas de tristeza, doença e até morte; para não mencionar as convulsões espirituais que surgem no nosso caminho. Sempre solidário com nossa situação, Ele caminha connosco a par e passo da jornada da vida, confortando-nos em todas as nossas tribulações. A tribulação citada aqui pelo apóstolo Paulo não é uma referência ao período da grande tribulação conhecido como o tempo da angústia para Jacó. Paulo está a falar das tribulações pessoais que ele enfrentou devido a conflitos espirituais e problemas de saúde. As provações pessoais vêm de todas as formas: críticas, rejeição, reveses financeiros, doença, luto, etc.
Quando a tristeza nos oprime como uma vaga do oceano, o Senhor na Sua bondade está sempre presente para nos confortar no nosso momento de necessidade. Mas como é que Deus nos conforta, exatamente, na dispensação da graça? Sabemos, por exemplo, que o Céu está silencioso e que nem o Senhor nem qualquer das Suas hostes angelicais aparece visivelmente para ministrar aos santos hoje. Durante a administração da Graça, o Senhor, antes de tudo, conforta-nos por meio da Sua Palavra.
Por exemplo, há uns anos a morte levou a minha bisavó. Ela ocupou sempre um lugar muito especial no meu coração e até hoje emociono-me quando às vezes penso nela. O meu sentimento de perda seria difícil de suportar, se não fosse o consolo que recebi da Palavra de Deus. O Senhor mostrou-me que não preciso de me entristecer como os outros que não têm esperança. Um dia, em breve, a trombeta soará e os mortos em Cristo serão ressuscitados. Então seremos arrebatados juntamente com todos aqueles entes queridos que foram salvos, e assim estaremos para sempre com o Senhor! Não é de admirar que Paulo diga: “Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (1 Tes. 4:13-18).
Outra maneira pela qual o Senhor nos consola é trazendo alguém às nossas vidas no momento certo para nos encorajar nesses momentos de desespero. Certamente temos um precedente para isso na vida do próprio Paulo. A intensidade da guerra espiritual em Éfeso e na Macedónia havia cobrado o seu preço sobre o apóstolo, tanto física quanto espiritualmente. “Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito” (2 Cor. 7:5-7). A chegada de Tito foi resultado direto da intervenção divina não apenas para encorajar Paulo, mas também para que ele pudesse ajudar na obra.
Finalmente, Deus consola-nos, ou conforta-nos, não para nos deixar confortáveis, ou consoláveis, mas sim para sermos consoladores, confortarmos os outros. Foi-nos dado levar a cabo um ministério de encorajamento para aqueles que estão em alguma dificuldade. Pensa nisso. Tendo já recebido a consolação de Deus, Ele usa-nos para abraçar aquele querido amigo Cristão que talvez esteja a enfrentar a sua primeira cirurgia e dizer-lhe: “nós também fizemos essa mesma cirurgia há uns anos e o Senhor ajudou-nos.” Com esperança podemos enfrentar qualquer coisa. É por isso que Deus nos revelou a Bem-aventurada Esperança de que um dia, em breve, estaremos com Ele. Ele é verdadeiramente o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação. AMÉM!
por Paul M. Sadler



