Mordomos Fiéis
“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requere-se nos despenseiros, que cada um se ache fiel.” (1 Cor. 4:1-2).
Anteriormente nesta carta, Paulo escreveu: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.” (1 Coríntios 1:9). Deus é sempre fiel na Sua natureza e ações (Deut. 7:9; Lam. 3:22-23).
As instruções na Palavra de Deus para que sejamos fiéis é uma chamada para sermos como Ele, para sermos imitadores de Deus (Efésios 5:1). A humanidade, no entanto, na fraqueza da carne, é propensa a vacilar, ser mutável, instável e desleal. Portanto, a fidelidade é um fruto que Deus produz através das nossas vidas à medida que andamos no Espírito.
Paulo declarou: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo”. A palavra grega traduzida por “ministros” significa servos, mas literalmente sub-remadores. Refere-se a alguém que era remador numa grande galé antiga. Isso traz-me à mente o filme clássico de 1959, Ben-Hur, e como Judá, o personagem interpretado por Charlton Heston, era um escravo de galé e remador condenado injustamente à nau capitânia do cônsul romano Quintus Arrius. Sub-remadores eram escravos sob a autoridade de um homem que coordenava os seus esforços individuais para remar e impulsionar o navio para diante.
Um sub-remador era um servo sob autoridade, assim como cada crente é um servo sob a autoridade do Senhor Jesus Cristo, exceto no facto de servirmos a Cristo, nosso Senhor e Mestre, de bom grado e voluntariamente. Somos servos de Cristo e, pela Sua graça, Ele usa-nos para remarmos e movermos o navio da Sua igreja e a Sua causa neste mundo.
Primeira Coríntios 4:1 ensina que os crentes são servos e mordomos, “despenseiros dos mistérios de Deus”. Em Lucas 12:42, “E disse o Senhor: Qual é, pois, o MORDOMO fiel e prudente, a quem o Senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?”
Um mordomo é um servo que é gerente de uma casa. A palavra grega traduzida por mordomo é oikonomos e está relacionada com a palavra grega para “dispensação”, oikonomia, que significa administração ou gestão de uma casa. Às vezes, na sua Bíblia, a palavra grega para dispensação é traduzida por “mordomia” (Lucas 16:2-4).
Um mordomo estava encarregado da administração da propriedade do seu senhor. Ele dedicava o seu tempo, talentos e energia a cuidar dos interesses do seu senhor em vez dos seus próprios interesses. Um mordomo supervisionava a propriedade do senhor, os campos, as vinhas, as roupas, as finanças, a comida e os outros servos. E ele dispensava e dava coisas para a casa conforme fossem necessárias. Ele também protegia os bens e posses do seu senhor. Tudo isso mostra que muita responsabilidade era colocada num mordomo.
Da mesma forma, para nós, é dada muita responsabilidade espiritual. Como mordomos dos mistérios de Deus, devemos dispensar a revelação do mistério aos da “família, ou casa, de Deus” (Efésios 2:19). Paulo escreveu anteriormente em 1 Coríntios: “Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou, antes dos séculos, para nossa glória” (1 Coríntios 2:7). Como mordomos, dispensamos; damos a verdade a outros e fazemos conhecer fielmente a sabedoria de Deus em mistério.
Os mordomos nos dias de Paulo eram encarregados dos bens preciosos do seu senhor e, da mesma forma, nós somos encarregados de um tesouro: “o Evangelho da glória de Cristo” (2 Coríntios 4:4,7) e as riquezas da graça de Deus, reveladas ao apóstolo Paulo e por seu intermédio no mistério. Os mordomos protegiam fielmente o tesouro do seu senhor, e por isso devemos manter e guardar a verdade do mistério. Como Paulo desafiou Timóteo: “Conserva o modelo das sãs palavras, que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, pelo Espírito Santo que habita em nós” (2 Tm 1:13-14).
Em 1 Coríntios 4:1, Paulo refere-se aos “mistérios de Deus”, falando das verdades não reveladas anteriormente incorporadas no “mistério”, o corpo de verdade revelado a Paulo para esta presente dispensação da graça. Por outras palavras, devemos defender e dar a conhecer as muitas facetas do mistério (Romanos 11:25; 16:25; 1 Coríntios 15:51-53; Efésios 1:9; 3:3-5 ,9; 5:32; 6:19; 1Timóteo 3:16).
Grande responsabilidade era confiada a um mordomo nos dias de Paulo, e a qualidade mais importante de um bom mordomo era a fidelidade. Esta era “exigida aos mordomos”. E, da mesma forma, juntamente com a grande responsabilidade que recebemos como mordomos da verdade de Deus, devemos ser fiéis e confiáveis. Somos chamados a ser fiéis ao Senhor e à Sua revelação do mistério, inabaláveis e recusando-nos comprometer a mensagem, ensinando-a consistentemente sem desculpas, defendendo-a e levantando-nos para defendê-la e protegê-la.
por Kevin Sadler



