Uma Doxologia Paulina!

Uma doxologia é uma expressão de louvor a Deus que às vezes é cantada como um hino curto. Talvez a doxologia mais famosa seja o hino latino Gloria in excelsis Deo, que significa “Glória a Deus nas alturas” (Lucas 2:14). Quando eu era miúdo, cantei essa doxologia como parte de um programa de música de Natal na minha escola pública. A minha professora de música ensinou-nos pronunciar a palavra excelsis (não era fácil).
Depois de confessar ser o principal dos pecadores (1 Tim. 1:15) e de referir a “misericórdia” e a “longanimidade” que o Senhor demonstrou ao salvá-lo (v. 16), o apóstolo Paulo naturalmente irrompeu numa doxologia toda muito sua!
“Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” (1 Timóteo 1:17, ACF).
No contexto, o “Rei” aqui refere-se ao Senhor Jesus Cristo, referido no versículo anterior. Ele é descrito como sendo “dos séculos”, ou seja, eterno, (cf. Miquéias 5:2) e “imortal”, uma palavra que significa ser impossível de morrer. É claro! “Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre” (Rom. 6:9). O Senhor não era “invisível” quando esteve aqui na Terra, mas agora no céu Ele é invisível no mesmo sentido que Deus Pai, que disse: “homem nenhum verá a minha face e viverá.” (Êxodo 33:20) Mas isso não significa que o nosso abençoado Salvador será invisível para nós quando chegarmos ao Céu, pois naquele dia seremos revestidos “da imortalidade” (1 Cor. 15:53,54), e poderás contemplar no rosto do Salvador para contento do teu coração. Ele também é o “único … sábio” (cf. Judas 1:25, ACF), mas não no sentido de que o Pai não seja também “único sábio” (Rm 16:27), mas apenas no sentido de que Ele é o único Deus sábio entre os outros “deuses” mencionados nas Escrituras (1 Cor. 8:5).
Quando Paulo conclui essa doxologia, insistindo que a Ele “seja honra e glória para todo o sempre”, volta ao ponto inicial que levou o apóstolo a louvar a Deus, pois “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber … honra, e glória” (Ap 5:12). Todos os outros atributos do Senhor são maravilhosos, mas esta é a joia da coroa, desta e de todas as outras doxologias.
Se estás ansioso por te juntares ao coro que está a cantar esta doxologia, não negligencies o facto de eles estarem a cantar para “um Cordeiro, como havendo sido morto” (v. 6). Isso indica que o Senhor ainda traz com Ele os ferimentos abertas, ferimentos que Ele convidou Tomé a tocar (João 20:27), ferimentos que Ele trará Consigo durante toda a eternidade, a fim de que nunca nos esqueçamos do preço que Ele pagou pela nossa redenção. É maravilhoso cantar sobre contemplarmos a face do Senhor, mas ficamos sem fôlego ao nos lembrarmos que a Sua face ainda será “tão desfigurada, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens.” (Isaías 52:14). Como Isaac Watts escreveu: “Amor tão admirável, tão divino, exige a minha alma, a minha vida, o meu tudo”.
por Ricky Kurth



