Árvores

Penso que nunca verei
Um poema tão belo quanto uma árvore - pensei.
Uma árvore cuja boca faminta ferra
O doce seio da Terra;
Uma árvore que todo o dia lança a Deus o seu olhar
E levanta seus braços frondosos para orar;
Uma árvore que, no Verão, pode ostentar
Um ninho de tordos na sua copa capilar;
Sobre cujo seio a neve repousou;
E a chuva permanentemente combinou.
Poemas são feitos por tolos como eu,
Mas uma ávore só pode ser criada pelo Deus meu.
- “Trees” de Joyce Kilmer
Joyce Kilmer nasceu na época natalícia de 1886. O pai dele (sim, Joyce era um homem) inventou o Johnson’s Baby Powder (Pó de Talco Johnson & Johnson para Bebé). Já adulto, Joyce casou-se com a poetiza Aline Murray, e tiveram cinco filhos. A doença da sua filha Rose levou Kilmer a encontrar fé em Deus. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele foi enviado para a Europa, onde morreu aos 31 anos, atingido por um franco-atirador. Se não reconheces o nome de Kilmer, talvez recordes este pequeno verso de um dos seus poemas:
“Poemas são feitos por tolos como eu,
Mas uma ávore só pode ser criada pelo Deus meu.”
Kilmer compara a árvore a um poema de Deus, sugerindo que a verdadeira beleza não é obra humana, mas divina.
“Poemas são feitos por tolos como eu, / Mas uma ávore só pode ser criada pelo Deus meu” mostra a humildade diante da perfeição de Deus.
A árvore representa a obra-prima da Criação, algo que o homem pode contemplar e admirar, mas jamais igualar.
O poder da contemplação e da oração
A árvore “olha para Deus todo o dia” e “ergue os braços frondosos para orar”, mostrando que a oração e a contemplação da natureza são caminhos de comunhão com Deus.
Mesmo sem palavras, a árvore ensina-nos a perseverar na oração, a permanecer na presença divina constantemente.
Isto lembra-nos o Salmo 1:3: “Será como árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto na estação própria.”
Harmonia com a natureza e ciclos da vida
Kilmer descreve a árvore acolhendo chuva, neve e pássaros, mostrando a intimidade da criação com o Criador.
Há aqui uma mensagem espiritual: assim como a árvore recebe a chuva e a neve sem resistir, devemos aceitar as bênçãos e os desafios de Deus com confiança e gratidão.
Reconhecimento da limitação humana
O poeta coloca-se como humano limitado, capaz de criar apenas “poemas” diante de Deus.
Este contraste lembra-nos a humildade necessária diante de Deus e da Sua obra, reconhecendo que a perfeição não está ao nosso alcance.
Aplicação espiritual
Contemplação: Aprender a ver Deus na natureza, reconhecendo a Sua grandeza em cada detalhe.
Oração constante: Como a árvore ergue seus braços, devemos manter a nossa vida em constante ligação com Deus.
Humildade: Reconhecer que todas as nossas obras são limitadas diante da criação divina.
Confiança: Aceitar que Deus nos guia como a chuva e a neve nutrem a árvore, mesmo quando não entendemos tudo.
Em resumo, “Trees” não é apenas um poema sobre árvores: é uma meditação espiritual, ensinando-nos a ver Deus na natureza, a orar constantemente e a viver com humildade e confiança na Sua providência.



