Melhor do que quem?

Um dos equívocos mais perigosos em que os Cristãos podem cair é o pensamento de que porque são Cristãos, são melhores do que as pessoas que não o são. Por exemplo, são melhores mães, melhores maridos, melhores filhos, melhores professores, melhores treinadores, ou têm melhores casamentos, melhores famílias, etc.
Para além deste pensamento transparecer soberba ou justiça própria, pode não ser necessariamente assim. Esta maneira de pensar pode emanar de uma genuína mas incorrecta assunção de que o Cristianismo, para ser verdadeiro, tem de produzir pessoas melhores. Por outras palavras, tomamos a responsabilidade de defender a verdade mostrando vidas “melhores”.
É óbvio que estamos todos a crescer em Cristo com o objectivo último de nos tornarmos como Ele, mas isso não significa necessariamente que sejamos “melhores” do que as outras pessoas. Significa que estamos no processo de nos tornarmos mais afectuosos, mais verdadeiros, mais pacíficos, mais pacientes, e mais bondosos. “Melhor” é muitas vezes definido em termos que têm pouco a ver com o tornarmo-nos como Cristo. Os líderes religiosos dos dias de Jesus nunca O teriam descrito como sendo melhor do que alguém. De facto, eles pensavam que Jesus era um malandro – chamaram-n’O de beberrão e de glutão (Mat. 11:18,19). Portanto, “melhor” é um termo relativo.
A verdade é que nos devemos tornar melhores, mas “melhores” comparados a quê? Comparados a nós mesmos – ao que costumávamos ser – que ainda pode estar a uma longa distância de outra pessoa que talvez seja na sua globalidade mais sã. Ponto principal: Não é bom que te compares com outros, sejam eles Cristãos ou não. “Melhor” significa melhor do que eu era ontem, não melhor do que tu.
Admitir que um ateu possa ter um melhor casamento, um Mórmon filhos melhores, um Muçulmano uma família mais afectuosa, ou um Budista mais sanidade, não significa que isso constitua uma ameaça para o Cristianismo de alguém. A questão principal é que, como Cristãos, nós estamos salvos e essa é a coisa mais importante. Todos nós somos pecadores salvos pela graça e, mais importante do que nos querermos tornar diferentes dos demais, devemo-nos concentrar nas nossas semelhanças. Se precisamos de Jesus, todos os demais precisam, o que nos torna basicamente semelhantes ao resto da humanidade.
Eu penso que sou um bom pai mas sabes bem que há por aí inúmeros bons pais, e no que diz respeito à paternidade, tenho muito que aprender. Por isso muitos podem ensinar-me sobre paternidade, e eu, por minha vez, posso comunicar Cristo a essas pessoas porque elas podem estar a experimentar uma carga enorme de culpa interior, ou podem estar a trazer consigo um sentimento de fracasso, ou podem sentir-se sós e distantes de Deus e a interrogarem-se sobre o que é afinal a sua vida.
Portanto, como vês, ser um bom Cristão não tem nada a ver com sermos melhores que outrem; tem tudo a ver com melhorarmos, que é algo que todos podemos conseguir.



