Quando tudo o que é bom se despedaça

Max Lucado

     A pergunta de Davi não é a nossa? Quando tudo o que é bom se despedaça, o que os justos podem fazer? Quando aviões perfuram torres fortes, quando chamas coroam anossa fortaleza, quando cidades sacodem e as pessoas sucumbem, o que podemos fazer?

     Ainda esperamos que vamos acordar. Ainda esperamos que vamos abrir um olho sonolento, balancear a cabeça com cara de travesseiro e pensar "Que sonho!". Mas não vamos. Porque o que vimos não foi um sonho.

     Foi indizível, impensável, mas não foi um sonho. Pessoas morreram mesmo. Prédios caíram mesmo.

     E nós estamos tristes. Estamos tristes pelas pessoas inocentes que morreram, pelos seus filhos que não os verão mais, pelos seus cônjuges que terão que enterrá-los. Nós sofremos a perda da vida.

     Mas o nosso sofrimento vai ainda mais fundo. Quando nos enlutamos pela morte de pessoas, nós enlutamo-nos pela morte de uma imagem. Assim como o horizonte da cidade fica alterado para sempre, também assim ficará a nossa visão do mundo. Nós pensávamos que éramos intocáveis, impenetráveis.

     Com a perda de vidas inocentes vai a perda da própria inocência. Talvez devêssemos saber melhor, mas não sabíamos.

     Então, o que podemos fazer? "Quando tudo o que é bom se despedaça, o que podem fazer os justos?"

     Curiosamente, Davi não responde à sua pergunta com uma resposta. Ele responde com uma declaração: "O Senhor está no seu santo templo. O Senhor está no seu trono no céu".

     Este ponto é infalível: Deus não é afectado pelas nossas tormentas. Ele não é detido pelos nossos problemas. Ele não é atingido por esses problemas. Ele está no Seu santo templo. Ele está sobre o Seu trono no céu.

     Edifícios caíram, mas Ele não. A obra de Deus é mudar a tragédia em triunfo.

     Ele não fez isso com José? Vê-o na prisão egípcia. Os irmãos dele haviam-no vendido; a mulher de Potifar acusou-o de se ter deitado com ela. Se alguma vez um mundo desabou, foi o de José.

     Ou considera Moisés, cuidando de rebanhos no deserto. É isso que ele pretendia fazer com a sua vida? Difícil. O seu coração bate com sangue judeu. A sua paixão é conduzir os escravos, então porque é que Deus o mantém a conduzir ovelhas?

     E Daniel. E Daniel? Ele estava entre os melhores e mais brilhantes jovens de Israel, o equivalente às melhores licenciados do nosso país. Mas ele e toda a sua geração estão a ser levados para fora de Jerusalém. A cidade está destruída. O Templo está em ruínas.

     José na prisão. Moisés no deserto. Daniel em cadeias. Esses foram momentos escuros. Quem poderia ver qualquer coisa boa neles? Quem poderia saber que o José prisioneiro estava a um passo de tornar-se o José Primeiro Ministro? Quem teria pensado que Deus estava a dar a Moisés quarenta anos de treinamento no deserto, no mesmo deserto por onde ele conduziria o povo? E quem teria imaginado que Daniel, o cativo, seria em breve o Daniel, conselheiro do rei?

     Deus faz coisas assim. Ele fez com José, com Moisés, com Daniel, e, mais do que todos, ele fez com Jesus. Os seguidores de Cristo viram na cruz a inocência assassinada. A bondade assassinada. A torre de força do céu foi perfurada. Mães choraram, o mal dançou, e os apóstolos tiveram que querer saber: "Quando todas as coisas boas se despedaçam, o que fazem os justos?"

     Deus respondeu à sua pergunta com uma declaração. Com o estrondo da terra e com o rolar da rocha ele lembrou que "O Senhor está no seu santo templo; o Senhor está no seu trono no céu".

     E hoje nós devemo-nos lembrar: ele ainda está. Ele ainda está no Seu templo, ainda sobre o Seu trono, ainda no controlo. E ele ainda transforma prisioneiros em príncipes, cativos em conselheiros e sextas-feiras em domingos. O que ele fez então, ele ainda fará.

     Cabe a nós pedir que Ele o faça.

Max Lucado

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