Queixume

William MacDonald
 
 
“E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor” (1 Coríntios 10:10).
 

     Os Israelitas eram queixosos crónicos na sua caminhada pelo deserto. Eles queixavam-se da falta de água. Eles queixavam-se da falta de comida. Eles queixavam-se dos seus líderes. Quando Deus lhes deu o maná do céu, eles logo se fartaram dele e desejaram os porros, cebolas e alhos do Egipto. Embora não houvessem supermercados ou sapatarias no deserto, Deus providenciou um suprimento incessante de géneros alimentícios durante quarenta anos, e sapatos que nunca se gastaram. Mas em vez de terem sido agradecidos por esta provisão miraculosa, os Israelitas queixavam-se sem se cansar.

     Os tempos não mudaram. Os homens hoje queixam-se do tempo:  ou está demasiado calor, ou demasiado frio. Queixam-se da comida, como soupa mal passada ou torradas queimadas.  Queixam-se do seu trabalho e salários, e do desemprego quando aquele lhes falta. Vêem faltas no governo e nos impostos, ao mesmo tempo que exigem cada vez mais benefícios e serviços. São infelizes com outras pessoas, com os seus automóveis, com o serviço de restauração. Queixam-se de pequenos achaques e dores, e desejavam ser mais altos, mais magros, com melhor aspecto. Independentemente do quão bom Deus tenha sido para eles, dizem, “Tudo me acontece, ultimamente!”

     Deve ser uma experiência dura para Deus ter pessoas como nós nas Suas mãos. Ele tem sido tão bom para connosco, providenciando não só para as necessidades da vida, mas deleites e luxos que o Seu próprio Filho não desfrutou quando esteve aqui na terra. Nós temos boa comida, água pura, casas confortáveis, vestuário em abundância. Temos vista, audição, apetite, memória e tantas outras misericórdias que tomamos como dados adquiridos. Ele tem-nos protegido, guiado, e sustido. Melhor ainda, Ele deu-nos a vida eterna por meio da fé no Senhor Jesus Cristo. E que acção de graças recebe Ele? Demasiadas vezes Ele nada mais escuta senão um rol de queixas.

     Há anos que tenho um amigo em Chicago que tinha uma boa resposta quando lhe perguntavam, “Como está?”. Ele respondia sempre, “Seria um pecado queixar-me”. Muitas vezes penso nisso quando sou tentado a murmurar. O queixume é pecado. O antídoto para o queixume é a acção de graças. Quando nos lembramos de tudo quanto o Senhor fez por nós, tomamos consciência de que não temos razão para nos queixarmos.

William MacDonald

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