O que a flor disse

J. Sidlow Baxter
 
 
     “... anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Ped. 2:9).

     Durante um certo tempo a minha casa estava situada numa zona semi-rural, a alguns quilómetros do local de reunião da igreja onde eu ministrava, na cidade. Quando o tempo permitia, eu costumava desfrutar de uma longa caminhada a pé, ao Domingo de manhã, na ida para o culto.
 
     Num Domingo de manhã, quando caminhava por um campo, pouco depois de começar, ouvi uma agradável vozita que disse, “Bom-dia, senhor,” mas ao olhar em redor não vi ninguém nas cercanias. Pensando estar equivocado, continuei a caminhada, quando a pequena voz se fez ouvir de novo. Por isso disse, “Não consigo ver-te. Quem és?” Para minha surpresa a pequena voz respondeu, “Porquê? É claro que me pode ver, senhor. Eu sou a pequena flor mais próxima do caminho.”

     Eu não podia acreditar – uma flor a falar! “Bem, bem!” exclamei. “Não sabia que as flores conseguiam falar;” ao que a bonita flor respondeu de novo, “Nem eu, até esta manhã; mas sabe, Deus disse-me para lhe falar.” Isto era realmente demasiado para mim. “O quê?” disse boquiaberto, “Deus disse-te para me falares?” “Sim, Ele disse-me para lhe dizer que pregue esta manhã sobre 1 Pedro 2:9: ‘... anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz’.

     Fiquei fascinado; assim, depois de saudar garbosamente a brisa da manhã e de agradecer com um sorriso o sol matinal, a discreta pequena flor branco rosa continuou, “Sabe senhor, eu não fui sempre assim – uma flor bonita.”

     “Eu era uma feia semente castanha, e parecia que nada de belo ou de valor poderia alguma vez advir de uma pequena feiosa como eu. O que era pior foi eu estar envolvida numa escuridão total, sob o solo, ainda que então eu não soubesse que o seu nome era trevas. Tudo o que eu sabia é que estava enterrada, era uma pequena semente feia, não conseguia ver, e parecia estar a morrer sem descobrir porque é que afinal estava ali. Não sei exactamente por quanto tempo estive assim, mas comecei a sentir uma estranha influência a puxar-me para cima. Havia um poder que operava em mim que eu não conseguia explicar. Eu sentia que de alguma forma tinha de haver algo acima de mim que me atraía e para onde eu iria. Então, uma manhã, quando o sol brilhava após uns aguaceiros, eu senti um poder maravilhoso erguer-me; e de repente vi-me à luz de um novo mundo maravilhoso aqui em cima! Depois disso cresci e transformei-me na linda flor para que está a olhar; e agora, cheia de gratidão, floresço apenas para uma única coisa – anunciar ‘...as virtudes d’Aquele que [me] chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz’.”

     Ia colocar à querida pequena flor uma questão quando ela acrescentou, “E agora, senhor, não me é permitido falar mais; só posso anunciar as virtudes que me transformaram no que sou. Adeus, senhor. Não chegue tarde ao ajuntamento da igreja.”

     Então tudo ficou de novo em silêncio. Mas nunca mais me esqueci daquela caminhada matinal; e alguns crentes na igreja disseram que nunca mais se esqueceriam do meu sermão sobre 1 Pedro 2:9.

     Querido Deus, ajuda-nos a aprender das flores, que não há nada mais elevado ou delicioso do que “anunciar” as Tuas virtudes que nos chamaram “das trevas” para a Tua “maravilhosa luz”.

 

Deus tornou a minha vida numa flor,
Difundindo alegria a rodos.
Contente por ao mundo dar cor
Anuncio Suas virtudes a todos.

 


- J. Sidlow Baxter

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