Não anulando a mensagem

william_macdonald.jpg  “...nem ainda se nomeie entre vós …nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convém …” (Eph. 5:4).

     A excessiva ligeireza deve ser evitada, porque resulta inevitavelmente num esvaziamento de poder espiritual.

     O pregador trata de assuntos sérios respeitantes à vida e à morte, ao tempo e à eternidade. Ele pode proferir uma obra-prima de mensagem, mas se nela houver humor indevido, as pessoas tendem a lembrar-se das piadas, esquecendo-se do resto.

     Muitas vezes o poder de uma mensagem pode-se dissipar a seguir, através de uma conversa banal. Um solene apelo do Evangelho pode resultar no silêncio da eternidade abater-se sobre uma reunião. No entanto, quando o povo se levanta para sair, há o murmúrio de conversa social. As pessoas falam dos resultados do futebol ou do trabalho diário. Não é de admirar que o Espírito Santo se entristeça e nada aconteça para Deus.

     Os idosos que estão sempre a contar piadas têm pouco impacto espiritual real nos jovens que procuram neles inspiração. Eles podem pensar que o seu senso de humor agrada aos jovens, mas a verdade é que estes ficam com um forte sentido de desapontamento e desilusão.

     Uma forma de ligeireza especialmente prejudicial são os gracejos que se fazem com a Bíblia, usando passagens da Escritura para fazer rir em vez de mudar uma vida. Sempre que fazemos gracejos com a Bíblia, rebaixamos o seu sentido de autoridade nas nossas próprias vidas e nas vidas dos outros.

     Isto não significa que um crente deva ser taciturno, cinzentão, sem revelar um traço de humor. Significa, sim, que ele deve controlar o seu humor de modo a não anular a sua mensagem.

     Kierkegaard fala do palhaço de circo que precipitou-se para uma cidade aos gritos, dizendo que a tenda do circo, na periferia, estava em chamas. O povo ouviu os seus gritos e desatou a rir. Ele tinha feito tanta palhaçada que perdeu a credibilidade.

     Charles Simeon mantinha uma foto de Henry Martyn, no seu gabinete. Sempre que Simeon entrava nele, parecia que Martyn o seguia com os olhos e dizia: "Sê fervoroso, sê fervoroso, não brinques, não brinques." E Simeão respondia: "Sim, serei fervoroso; serei, serei fervoroso; não brincarei, pois almas estão a perecer, e Jesus deve ser glorificado".      

William MacDonald
One Day at a Time

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