A bênção das interrupções

william_macdonald.jpg     "E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco … E foram sós num barco para um lugar deserto. E a multidão viu-os partir, e muitos o conheceram; e correram para lá, a pé, de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles, e aproximavam-se d’Ele.  E Jesus … teve compaixão deles” (Marcos 6:31-34).

     É fácil ficarmos aborrecidos com interrupções. Eu envergonho-me ao pensar quantas vezes me irritei com exigências inesperadas que me impediram de realizar alguma tarefa que eu tinha determinado fazer. Talvez eu estivesse a escrever, e as palavras estivessem a fluir facilmente. Depois o telefone tocava ou alguém estava à porta a precisar de um conselho. Era uma intrusão indesejada.

     O Senhor Jesus nunca ficou aborrecido com interrupções. Ele aceitava todas elas como parte do Seu plano do Pai para esse dia. Isto dava enorme estabilidade e serenidade à Sua vida.

     Na realidade, a medida em que somos interrompidos é muitas vezes um índice da nossa utilidade. Um escritor no Digest Anglicano disse: "Quando você se exaspera com interrupções, tente lembrar-se que a sua muito frequência pode indicar a preciosidade da sua vida. Apenas as pessoas que estão cheias de ajuda e força são sobrecarregadas com as necessidade de outras pessoas. As interrupções com que nos irritamos são as credenciais da nossa indispensabilidade. A maior condenação que alguém poderia incorrer - e é um perigo de que nos devemos guardar - seria ser demasiado independente, tão inutilmente, que ninguém o interrompesse a ponto de ficar desconfortavelmente só.

     Todos sorrimos nervosamente quando lemos sobre a experiência de uma dona de casa ocupada. Um dia, quando ela tinha planeado uma rara agenda preenchida, ela viu de soslaio o seu marido chegar a casa mais cedo do que o habitual. "O que estás a fazer aqui?", perguntou com irritação velada. "Moro aqui", respondeu ele com um sorriso triste. Ela escreveu mais tarde: "A partir daquele dia eu fiz questão de deixar de lado o meu trabalho, quando o meu marido chega a casa. Dou-lhe um acolhimento amoroso e faço-o saber que ele é realmente de primeira categoria."

     Todas as manhãs, devemos entregar o dia ao Senhor, pedindo-Lhe que organize todos os detalhes. Então, se alguém nos interromper, é porque Ele enviou essa pessoa. Devemos descobrir a razão e ministrar-lhe. Essa poderá ser a coisa mais importante que fazemos no dia todo, mesmo que tenha vindo disfarçada de interrupção.

William MacDonald
One Day at a Time

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