Fonte de lágrimas

william_macdonald.jpg     “Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho? atendei, e vede, se há dor como a minha dor, que veio sobre mim, com que me entristeceu o Senhor, no dia do furor da Sua ira” (Lam. 1:12).

     Às vezes, quando me sento na Ceia do Senhor, eu interrogo-me: "O que se passa comigo? Como é que posso sentar-me aqui e contemplar a paixão do Salvador e não ficar derretido em lágrimas?"

     Um poeta desconhecido encarou as mesmas questões; ele escreveu:

     "Eu sou pedra, e não homem, para poder ficar,
     Ó Cristo, debaixo da Tua cruz,
     E gota a gota contar,
     A perda lenta do Teu sangue luz
     E ainda assim não chorar?
     Não foi assim com o sol e a lua,
     Que esconderam o rosto num céu de breu,
     Enquanto a terra se convulsionava e gemia nua.
     Quem olhava, impassível, inamovível era só eu.
     Grande Deus, eu ali não estava, ou conheceria a ira que Ele suportou.
     Oh Senhor, peço-te, vira-Te e olha mais uma vez para quem Ele visou,
     E fere esta rocha, o meu coração que Jesus tanto, tanto amou."

     Outro escreveu num espírito semelhante:

     "Que espanto para mim eu sou! É demais!
     O amor, sangrando e morrendo ó Cordeiro,
     E eu não ver o enorme facto verdadeiro,
     Que eu seja levado a amar-te realmente mais".

     Eu admiro as almas sensíveis que ficaram tão comovidas com o sofrimento e morte do Redentor que não resistiram e choraram. Penso no meu barbeiro Cristão Ralph Ruocco. Muitas vezes, quando ele me cortava o cabelo, falava-me das angústias que o Salvador suportou. Depois, com as lágrimas a cair sobre o pano protector, ele dizia: "Eu não sei por que ele esteve disposto a morrer por mim. Eu sou um desgraçado. Contudo, Ele suportou a pena dos meus pecados no Seu corpo sobre a Cruz."

     Eu penso na mulher pecadora que lavou os pés do Salvador com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos e beijou os Seus pés, e ungiu-os com unguento (Lu. 7:38). Apesar de ela viver do outro lado da Cruz, ela foi emocionalmente mais correspondente do que eu com todo o meu conhecimento superior e privilégio.

     Porque é que eu sou como um bloco de gelo? É por eu ter sido educado numa cultura onde é considerado fraqueza chorar? Se assim é, então eu desejaria nunca ter conhecido essa cultura. Não é uma desonra chorar à sombra do Calvário; a desonra jaz no não chorar.

     Tomando emprestadas as palavras de Jeremias, eu tenho de orar doravante, "Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos em uma fonte de lágrimas! Então choraria de dia e de noite …" (Jer. 9:1); chorar, ou seja, sobre os sofrimentos e a morte que os meus pecados trouxeram ao impecável Salvador. E eu faço minhas, as palavras imortais de Isaac Watts:

     Bem eu poderia esconder meu rosto ruborescido,
     Perante a visão da Sua amada cruz;
     Derreter o meu coração profundamente agradecido, 
     E derreter-me em lágrimas a essa luz.

     Senhor, livra-me da maldição de um Cristianismo de olhos secos!  

William MacDonald
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