A bênção da sentença de morte

william_macdonald.jpg     “Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Cor. 1:9).

     Paulo roçou a morte, na província da Ásia. Nós não podemos ter exactamente a certeza do que aconteceu, mas foi tão grave que, se lhe perguntássemos: "Foi questão de vida ou de morte?", ele teria dito: "de morte".

     A maioria das pessoas a quem Deus usa já teve uma ou outra experiência similar nas suas vidas. Biografias de grandes homens de Deus registam maravilhosos livramentos de doença, de acidentes, de ataques pessoais.

     Às vezes, Deus usa este tipo de experiência para chamar a atenção de uma pessoa. Talvez ela esteja na crista da onda, no que concerne à prosperidade material. Tudo se encaminha bem. Depois, de repente, ela é assolada pela doença. O cirurgião remove metros de intestinos cancerosos. Isso faz com que ela reavalie a sua vida e repense nas suas prioridades. Percebendo quão curta e incerta é a vida, ela decide dar o seu resto ao Senhor. Deus levanta-a e dá-lhe muitos anos de serviço frutífero adicional.

     Foi diferente no caso de Paulo. Ele já havia rendido a sua vida ao Senhor para o serviço. Mas havia a possibilidade perigosa de ele poder tentar servir na sua própria força, e pela sua própria inteligência. Então o Senhor levou-o à beira da sepultura, a fim de ele não poder confiar em si mesmo, mas no Deus da ressurreição. Haveria muitas vezes na sua carreira tumultuosa em que ele enfrentaria apuros para além da solução humana. Tendo já provado a suficiência do Deus do impossível, ele não se intimidaria.

     Estes encontros íntimos com a morte são bênçãos disfarçadas. Eles mostram-nos quão frágeis somos. Eles lembram-nos a inutilidade dos valores deste mundo. Eles ensinam-nos que a vida é um conto curto que pode acabar muito inesperadamente. Quando encaramos a morte, percebemos que temos de realizar as obras d’Aquele que nos enviou enquanto é dia, pois a noite vem quando ninguém pode trabalhar. Em certo sentido, todos nós temos a sentença de morte em nós mesmos - um lembrete saudável para colocar os interesses de Cristo em primeiro lugar e dependermos do Seu poder e sabedoria.   

William MacDonald
One Day at a Time

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