Renúncia

william_macdonald.jpg     “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo Qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Fil. 3:7, 8).

     É sempre notavelmente bom quando um crente faz grandes renúncias por amor de Jesus. Eis um homem cujo talento lhe trouxe riqueza e fama, mas em obediência à chamada divina, ele coloca-as aos pés do Salvador. Ou uma mulher cuja voz lhe abriu as portas das grandes salas de concerto do mundo. Porém agora ela sente que tem de viver para um outro mundo, e abre assim mão da carreira para seguir a Cristo. Afinal, o que são a reputação ou a fortuna ou as distinções terrenas quando comparadas com o lucro incomparável de se ganhar a Cristo?

     Ian MacPherson pergunta: "Haverá em algum lugar uma visão mais profundamente tocante do que a de um homem cheio de dons colocá-los voluntariamente e em adoração aos pés do Redentor? E, afinal é onde eles foram feitos para estar. Nas palavras de um velho sábio pregador Galês, "O Hebraico, o Grego e o Latim estão todos muito bem no seu lugar; mas o seu lugar não é onde Pilatos os colocou, sobre a cabeça de Jesus, mas sim a Seus pés."

     O Apóstolo Paulo renunciou à riqueza, à cultura, e ao estatuto eclesiástico e contou isso como perda por Cristo. Jowett comenta que "quando o Apóstolo Paulo considerou as suas possessões aristocráticas como grandes ganhos, ele nunca tinha visto o Senhor; porém quando ‘a glória do Senhor’ resplandeceu sobre os seus olhos maravilhados aquelas coisas desapareceram na sombra e eclipsaram-se mesmo. E o que aconteceu não foi apenas aqueles anteriores ganhos do Apóstolo terem ficado desvalorizados perante o resplendor do Senhor, e se terem revelado como nadas desprezíveis nas suas mãos; o que aconteceu foi que ele deixou de pensar em tudo aquilo. Eles desvaneceram-se completamente da sua mente, onde tinham sido tratados como depósitos supremos e sagrados".

     É estranho, então, que quando um homem abandona tudo para seguir a Cristo, alguns pensem que ele perdeu o seu juízo. Alguns ficam chocados e não compreendem. Alguns lastimam e oferecem rotas alternativas. Alguns argumentam com base na lógica e no bom senso. Poucos aprovam e são despertados para as suas profundezas. Contudo, quando uma pessoa anda por fé, é capaz de apreciar a opinião dos outros devidamente.

     C. T. Studd deixou uma fortuna pessoal, e óptimas perspectivas no seu país, para devotar a sua vida ao serviço missionário. John Nelson Darby voltou as costas a uma brilhante carreira para se tornar num evangelista, ensinador e profeta de Deus ungido. Os cinco mártires do Equador renunciaram ao conforto e ao materialismo dos Estados Unidos para levar Cristo à tribo Auca.

     As pessoas chamam-lhe grande sacrifício, mas não é sacrifício. Quando alguém tentou elogiar Hudson Taylor pelos sacrifícios que ele fez para Cristo, ele disse: "Homem, eu nunca fiz um sacrifício na minha vida." E Darby disse: "Renunciar não é nenhum grande sacrifício."   

William MacDonald
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