Rendição absoluta

william_macdonald.jpg     “… Senhor, seguir-Te-ei para onde quer que fores” (Lu. 9:57).

     Às vezes eu acho que falamos e cantamos muito fluentemente sobre o Senhorio de Cristo, sobre o compromisso o total, e sobre a rendição absoluta. Nós papagueamos pequenos clichés claros, como: "Se Ele não é Senhor de tudo, então Ele não é Senhor de nada." Cantamos, "Tudo, ó Cristo, a Ti entrego; oh que gozo, meu Senhor!" Agimos como se o compromisso total envolvido pouco mais fosse do que frequentar a igreja todos os domingos.

     Não é que não sejamos sinceros; simplesmente não temos consciência de tudo o que está envolvido. Quando se reconhece o Senhorio de Cristo, isso significa que se está disposto a segui-Lo na pobreza, na rejeição, no sofrimento e até na morte.

     "Alguns desfalecem ao ver sangue. Um dia, um jovem entusiasta veio a Jesus com o melhor de todos propósitos possíveis no seu coração. ‘Senhor’, disse ele, 'seguir-Te-ei para onde quer que fores.’ Nada poderia ser melhor do que isto. Mas Jesus não se impressionou. Ele sabia que o jovem não entendia tudo o que estava envolvido na sua promessa. Por isso, disse-lhe que Ele próprio estava mais desabrigado do que as raposas, que podia ter que dormir sem ter comido, na encosta da montanha. Ele mostrou-lhe uma cruz um pouco tingida de vermelho, e aí aquele que estava tão ávido, caiu desfalecido como morto. Apesar de ele desejar os bens, o preço era maior do que o que ele estava disposto a pagar. Isto acontece muitas vezes. Alguns de vós não estais na luta, não porque a chamada de Cristo não apele, mas porque receais um pequeno derramamento de sangue. Portanto, dizeis de modo lamuriento: "Mas por estas armas vis, eu teria sido um soldado [frase célebre em Henry IV, de Shakespeare]" (Chappell).

     Se Jesus não se impressionou quando o jovem em Lucas 9 se ofereceu para ir com Ele por toda a parte, tenho a certeza de que Ele se impressionou quando Jim Elliot escreveu no seu diário: "Se eu quisesse salvar o sangue da minha vida - refrear-me de o derramar como um sacrifício, em oposição ao exemplo do meu Senhor - então teria de sentir sentir a dureza do rosto de Deus contra o meu propósito. Pai, toma a minha vida, sim, o meu sangue, se quiseres, e consome-os com o Teu fogo envolvente. Eu não a quero salvar, pois não é minha para a salvar. Tem-na, Senhor, tem-na totalmente. Derrama a minha vida como uma oferenda pelo mundo. O sangue só tem valor quando flui ante os Teus altares."

     Quando lemos palavras como estas, e nos lembramos que Jim derramou o seu sangue como mártir no Equador, alguns de nós percebemos o quão pouco sabemos sobre a rendição absoluta.   

William MacDonald
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