Ser agradecido

william_macdonald.jpg     “… Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?” (Lu. 17:17).

     O Senhor Jesus curou dez leprosos mas só um voltou para Lhe agradecer - um desprezado Samaritano.

     Para nós, uma das experiências valiosas na vida é depararmos com a ingratidão, porque assim podemos partilhar, numa pequena escala, a mágoa de Deus. Quando damos generosamente e não recebemos nenhum reconhecimento, valorizamos mais Aquele que deu o Seu Filho muito amado a um mundo ingrato. Quando nos derramamos em incansável serviço aos outros, entramos em comunhão com Aquele que tomou o lugar de escravo por causa de uma espécie de ingratos.

     A ingratidão é uma das características repulsivas do homem decaído. Paulo lembra-nos que quando o mundo pagão conheceu Deus, não O glorificou como Deus, nem Lhe foi agradecido (Rm 1:21). Um missionário no Brasil descobriu duas tribos que não tinham palavras para "Obrigado". Se um acto de bondade lhes era manifestado eles diziam "Era isso que eu queria" ou "Isso vai-me ser útil ". Um outro missionário, trabalhando no Norte de África, constatou que aqueles a quem ele ministrou nunca expressaram gratidão por quererem dar-lhe a ele a oportunidade de ganhar o mérito de Deus. Era o missionário, que devia ser grato, sentiam eles, porque ele estava a granjear favor através da bondade que lhes revelava.

     A ingratidão permeia toda a sociedade. Um programa de rádio chamado "Centro de Trabalho do Ar" conseguiu encontrar trabalho para 2.500 pessoas. O responsável informou posteriormente que apenas dez arranjaram tempo para lhe agradecer.

     Uma professora dedicada tinha gasto a sua vida em cinquenta turmas de estudantes. Quando ela tinha oitenta anos, recebeu uma carta de um dos seus antigos alunos, dizendo quanto tinha apreciado a sua ajuda. Ela ensinou durante cinquenta anos e esta foi a única carta de gratidão que ela alguma vez recebeu.

     Dissemos que, para nós, é bom experimentarmos a ingratidão, pois dá-nos um pálido reflexo do que o Senhor experimenta permanentemente. Outra razão de ser uma experiência valiosa deve-se ao facto dela imprimir sobre nós a importância de sermos, nós próprios, agradecidos. Muitas vezes as nossas solicitações a Deus excedem as nossas acções de graças. Tomamos demasiadamente as Suas bênçãos como um dado adquirido. E muitas vezes deixamos de manifestar a nossa gratidão a outrem pela hospitalidade, instrução, transporte, provisão, inúmeros actos de bondade. Nós, na verdade, esperamos estes favores praticamente como se os merecêssemos.

     O estudo dos dez leprosos deve ser para nós uma constante lembrança de que apesar de muitos terem grandes motivos para agradecer, poucos têm coração para o reconhecer. Vamos ser um dos poucos?   

William MacDonald
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