Não forçando conversões
“... do Senhor vem a salvação” (Jonas 2:9).
Nós estamos todos familiarizados com o “ganhador de almas” zeloso que se precipita sobre as pessoas, massacrando por muito tempo interessados desavisados, levando-os através de uma fórmula de salvação, e insistindo com eles, até finalmente estes fazerem uma profissão, a fim de se livrarem dele. Ele regista mais um convertido e a seguir olha em volta para contar mais cabeças. Será isto evangelismo?
Temos de admitir que não. É uma forma de perseguição religiosa. Como qualquer outro serviço prestado na energia da carne, faz mais mal do que bem.
John Stott estava certo quando escreveu: "Cristo tem as chaves. Ele abre as portas. Então não entremos forçadamente, sem cerimónias, por portas que ainda estão fechadas. Temos de esperar que Ele as abra por nós. Estão constantemente a ser causados danos à causa de Cristo testemunhos rudes ou grosseiros. De facto, é correcto procurar ganhar para Cristo os nossos amigos e familiares em casa e no trabalho. Mas às vezes estamos numa pressa maior do que Deus. Seja paciente! Ore arduamente e ame muito, e espere esperançosamente pela oportunidade de testemunhar."
Podemos não concordar com muito da doutrina de Dietrich Bonhoeffer, mas poderíamos muito bem levar a peito as seguintes palavras dele: "A palavra da salvação tem os seus limites. Não temos o poder nem o direito de a forçar a outros homens ... toda tentativa de impor o Evangelho pela força, correr atrás das pessoas e proselitá-las, usar os nossos próprios recursos para organizar a salvação das outras pessoas, é fútil e perigoso ... Nós apenas depararemos com a fúria cega de corações endurecidos e entenebrecidos, e isso será inútil e prejudicial. O nosso trato fácil com a palavra de graça acessível simplesmente aborrece o mundo avesso, de modo que no final este só se volta contra aqueles que tentam forçá-la sobre quem não a quer."
A conversão real é obra do Espírito Santo. Não é "da vontade do homem" no sentido de que um homem não pode produzi-lo por seus próprios esforços, ainda que bem-intencionados. As pessoas que são pressionadas a professar Cristo sem o pleno consentimento da sua vontade tornam-se desiludidas, descontentes e muitas vezes tornam-se inimigas da cruz de Cristo.
É uma das grandes experiências da vida, quando o Espírito Santo nos usa na salvação de outra pessoa. Mas é bizarro e grotesco, quando tentamos fazê-lo na nossa própria força.



