O réu impenitente
“… não se arrependeram das suas obras” (Apocalipse 16:11).
Caros amigos,
Imagine este cenário . . .
Um réu culpado entrou num tribunal lotado, hostil. A acusação contra ele era homicídio em primeiro grau. Não era um caso complicado. As alegações tinham sido comprovadas com pouca disputa e sem qualquer dúvida.
Era hora de ouvir a sentença. O tribunal foi chamado à ordem, o juiz tomou o seu lugar. O silêncio abateu-se sobre a audiência.
Os advogados aguardavam ansiosamente a decisão, enquanto o homem acusado olhava estoicamente para o espaço. E a seguir, exactamente antes do martelo cair para o condenar, o juiz olhou por cima dos óculos e disse: "Há algo que gostasse de dizer, antes da sua sentença ser dada?"
"Sim, Meretíssimo," respondeu o réu. "Eu só quero dizer que lamento. Porém se pudesse regredir no tempo, eu agiria precisamente do mesmo modo."
A audiência ficou quase sem fôlego. E depois, para espanto do tribunal, o juiz disse: "Mas lamenta, não lamenta?"
"Sim. Muito, lamento muito", respondeu o homem.
"Bem, então", disse o juiz, "isso é tudo que preciso de ouvir. Está perdoado! Está livre para ir."
Esta história é absurda e totalmente contrária à Palavra de Deus, no entanto muitas vezes é a forma como homens e mulheres tratam o nosso Pai Celestial quando buscam o Seu perdão. Colocando-se diante d’Ele, culpados das acusações, apresentam falsas desculpas aos Seus pés e esperam que Ele os solte como homens livres.
Porém, o verdadeiro arrependimento - o tipo que nos livra da nossa culpa e pena - não pode ser tratado de forma tão ligeira.
Paulo escreveu sobre o tipo de arrependimento que conduz à salvação: "Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte" (2 Coríntios 7:9-10).
A palavra arrependimento em si, significa uma "mudança de mente", ou mudança de direcção. Não se pode verdadeiramente arrepender a menos que se mude de ideia quanto ao comportamento e haja afastamento dele. Isso não significa que Deus não perdoe se a pessoa cair no mesmo, porque as misericórdias de Deus renovam-se cada manhã. Mas significa que o arrependimento inconsistente, frívolo, não é o que Deus deseja, nem honrará.
Deus leva de tal modo a sério o pecado que este custou a vida do Seu Filho. Então, levemo-lo também assim.
Bill Bright



