Cereal molhado

O seguinte incidente é uma das muitas maravilhas da resposta à oração.

     Certo crente fervoroso e de oração encomendou a Deus, numa manhã de Primavera, como habitualmente fazia, todos os seus, e em seguida pôs dois sacos de centeio em cima do carro e partiu para o moinho que ficava a algumas léguas de distância. Antes do moinho tinha que atravessar uma ponte, sem gradeamento, apenas com uns fracos resguardos nas extremidades das pranchas. A meio da ponte o cavalo parou e começou a relinchar, o condutor saltou do seu lugar e procurou acalmar o animal que continuava espantado até que as rodas traseiras do carro deslizaram por um dos lados da ponte e os sacos caíram à água. O cavalo acalmou-se então, e o carro ficou suspenso no ar pelas rodas da frente que se prenderam no resguardo. Apareceram logo alguns homens que retiraram o carro da situação crítica em que se encontrava e os sacos de centeio da água. Meia hora depois o crente regressava a casa com os sacos molhados a fim de secar o cereal e mais tarde o moer. Ninguém em casa do servo de Deus podia compreender a razão do cavalo se ter espantado, visto nunca tal ter acontecido com o animal. Além disso eram pessoas de fé no poder da oração; parecia um mistério. Pensaram então em pôr o centeio ao sol, para secar, e, ao espalhá-lo sobre panos, notaram corpos estranhos a brilhar ao sol, de mistura com o cereal, examinados os quais se verificou serem fragmentos de vidro! o bastante para causar a morte de todos os membros da família se o centeio tivesse sido moído e panificado. Deus tinha preservado a vida dos Seus filhos.

     Como explicar a presença de resíduos de vidro no centeio?

     Não foi difícil. O cereal fora durante algum tempo guardado num depósito ao ar livre; junto dele vinham os homens afiar, ou amolar as suas ferramentas, empregando às vezes nesse trabalho vidro moído, para lhes dar maior brilho, e os resíduos de vidro resultantes desse serviço foram-se acumulando no cereal, sem que ninguém suspeitasse disso.

     Não havia poder humano capaz de evitar a tragédia da morte de toda a família, se o centeio com os vidros tivesse sido moído e confeccionado.

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