Como nos dias de Elias
Na Primavera as chuvas eram abundantes. No resto do Verão, porém, a seca era terrível. Os vegetais pareciam ter sido cozidos. Os vidros das janelas queimavam ao mais leve contacto. O milho encontrava-se torcido, e de folhas caídas. As flores, outrora cheias de frescura e fragrância, de há muito que tinham secado, os botões por desabrochar pendiam secos da extremidade das hastes. Os poços das redondezas tinham secado todos. A sombra das árvores já não refrescava. As plantações de algodão, mais resistentes, acabaram por ser atacadas por um pequeno insecto que completou o que a seca deixou, e perderam-se também.
O sol abrasava. Nuvens de poeira completavam a desolação.
Chegou finalmente um dia de Agosto em que os animais precisavam de água, mas não a havia. Foi então que um jovem evangelista bateu à porta de um colono, dizendo:
— Não acha que devemos agir?
— Sim, mas que podemos fazer?
Com olhar perscrutador o evangelista retorquiu:
— Onde está a sua fé? Mande convocar o povo para a oração.
Dali a instantes alguns homens partiam a cavalo a fim de transmitir o convite. À hora marcada, de pé, na Igreja local, o evangelista" interrogou alguns:
— Onde estão os vossos chapéus-de-chuva?
— Chapéus-de-chuva? Para quê?
— Não vamos orar por chuva? Vejam o meu, — e mostrava um grande chapéu de algodão, — vocês vão ficar molhados até aos ossos. Não tendes fé? De entre as orações que subiram ao trono da graça, uma houve que parecia ser mais eficaz. Foi a de um homem simples, de mãos calosas, que pedia água para todos: para as crianças, para os adultos e para os animais. Até parecia que se ouviam os gemidos dos próprios animais!
Repentinamente, formou-se no horizonte um ponto negro que foi aumentando de volume, transformando-se em nuvens carregadas com rapidez incrível. Os espaços foram cruzados por fortes relâmpagos e grandes trovões. E, começou a chover torrencialmente! Os homens corriam a segurar as montadas. O povo fugia para suas casas e o evangelista abrigado pelo seu grande guarda-chuva, vendo todos encharcados, exclamava: — Onde está a vossa fé?



