Como nos dias de Elias

     Estava-se no ano de 1884. A vida para os colonos do Estado de Dakota do Sul, nos EUA, era um pesadelo. Como Israel, pela manhã eles diziam: «ah! quem me dera ver a noite! À tarde: ah! quem me dera ver a manhã!» (Det. 28:68).

     Na Primavera as chuvas eram abundantes. No resto do Verão, porém, a seca era terrível. Os vegetais pareciam ter sido cozidos. Os vidros das janelas queimavam ao mais leve contacto. O milho encontrava-se torcido, e de folhas caídas. As flores, outrora cheias de frescura e fragrância, de há muito que tinham secado, os botões por desabrochar pendiam secos da extremidade das hastes. Os poços das redondezas tinham secado todos. A sombra das árvores já não refrescava. As plantações de algodão, mais resistentes, acabaram por ser atacadas por um pequeno insecto que completou o que a seca deixou, e perderam-se também.

     O sol abrasava. Nuvens de poeira completavam a desolação.

     Chegou finalmente um dia de Agosto em que os animais precisavam de água, mas não a havia. Foi então que um jovem evangelista bateu à porta de um colono, dizendo:

     — Não acha que devemos agir?

     — Sim, mas que podemos fazer?

     Com olhar perscrutador o evangelista retorquiu:

     — Onde está a sua fé? Mande convocar o povo para a oração.

     Dali a instantes alguns homens partiam a cavalo a fim de transmitir o convite. À hora marcada, de pé, na Igreja local, o evangelista" interrogou alguns:

     — Onde estão os vossos chapéus-de-chuva?

     — Chapéus-de-chuva? Para quê?

     — Não vamos orar por chuva? Vejam o meu, — e mostrava um grande chapéu de algodão, — vocês vão ficar molhados até aos ossos. Não tendes fé? De entre as orações que subiram ao trono da graça, uma houve que parecia ser mais eficaz. Foi a de um homem simples, de mãos calosas, que pedia água para todos: para as crianças, para os adultos e para os animais. Até parecia que se ouviam os gemidos dos próprios animais!

     Repentinamente, formou-se no horizonte um ponto negro que foi aumentando de volume, transformando-se em nuvens carregadas com rapidez incrível. Os espaços foram cruzados por fortes relâmpagos e grandes trovões. E, começou a chover torrencialmente! Os homens corriam a segurar as montadas. O povo fugia para suas casas e o evangelista abrigado pelo seu grande guarda-chuva, vendo todos encharcados, exclamava: — Onde está a vossa fé?

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