Do Marido para a Mulher

Steven James escreve:
«Nunca conseguirei compreender a minha mulher. No dia em que ela foi viver comigo depois de nos casarmos, começou a abrir e a fechar os armários da cozinha, exclamando: “Não tens papel para forrar as prateleiras! Vamos ter de arranjar papel para forrar isto antes de eu pôr aqui a minha loiça.”
“Mas porquê?”, perguntei inocentemente.
“Para manter a loiça limpa”, respondeu ela, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Eu não conseguia compreender como é que o pó iria magicamente sair da loiça só porque havia papel azul autocolante por baixo dela, mas sabia quando era melhor ficar calado.
Depois chegou o dia em que deixei a tampa da sanita levantada.
“Nunca deixávamos a tampa da sanita levantada na minha família”, repreendeu-me ela. “É indelicado.”
“Na minha família não era indelicado”, respondi eu.
Mas, a partir daí, comecei a baixar a tampa.
Além destas lições, também aprendi como deveria apertar o tubo da pasta de dentes, qual a toalha que devia usar depois do duche e onde deveriam ficar os talheres quando punha a mesa. Eu não fazia ideia. Era muito pouco instruído!
Não, nunca conseguirei compreender a minha mulher. Ela lava a loiça antes de a pôr na máquina de lavar loiça e separa a roupa em diferentes montes antes de a colocar na máquina de lavar roupa. Conseguem imaginar?
Depois, quando tivemos filhos, ela tornou-se ainda mais estranha. Começou a andar com um saco de fraldas do tamanho de uma minivan, a falar em parágrafos de uma sílaba, a cantar canções infantis a todas as horas do dia e a tirar fotografias constantemente.
Levava o nosso bebé para todo o lado — às costas, à frente, nos braços, ao ombro. Levantava-se a todas as horas para acalmar os filhos, limpava o que eles entornavam, mudava fraldas sujas, quase nunca se queixava.
Um dia, um amigo meu riu-se do autocolante que a minha mulher tinha colocado na traseira da nossa carrinha: “Ser Mãe é uma Obra do Coração.” Mas eu não me importei.
Noutra ocasião, num momento de irreflexão, disse algo que a fez refugiar-se no quarto em lágrimas. Fui ter com ela para pedir desculpa, sabendo que aquilo que tinha dito a tinha magoado.
“Perdoo-te”, disse ela.
E sabem que mais? Ela perdoou-me mesmo. Nunca mais voltou a falar nisso. Nem sequer quando ficou zangada e poderia ter usado isso contra mim. Ela perdoou e esqueceu.
Não, nunca conseguirei compreender a minha mulher.
E sabem que mais? A nossa filha está a tornar-se cada dia mais parecida com a mãe. E, se vier a ser como a mãe, um dia haverá outro homem sortudo neste mundo, que agradecerá pelo papel que forrava as prateleiras dos seus armários.»
«Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis. O coração do seu marido está nela confiado, e a ele não faltará ganho.» (Provérbios 31:10-11).



