Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIX)

Cornelius R. StamO EQUIPAMENTO NECESSÁRIO

CAPÍTULO VIII

LUZ E PODER PARA CUMPRIMETO DA NOSSA COMISSÃO


Nós já vimos que os doze apóstolos não compreenderam o programa profético, que estava “escondido deles” (Lucas 9:45; 18:34), até o Senhor, num dado momento “lhes ter aberto os entendimentos, para eles poderem compreender as Escrituras” (Lucas 24:45). Também já vimos que num dado momento, “quando se cumpriu o dia de “Pentecostes”, Deus cumpriu uma promessa há muito prometida e os apóstolos e os discípulos “foram todos cheios do Espírito Santo” (Actos 2:1,4).
 

     Contudo não é assim que os crentes são iluminados e revestidos de poder nos nossos dias para a proclamação do “mistério”desde que revelado por intermédio de Paulo. Deus não nos abre os olhos para compreendermos as Escrituras num determinado momento. Pelo contrário, a compreensão da Palavra vem por meio do estudo diligente e em espírito de oração, e com uma compreensão mais plena vem o poder necessário.

     Assim, o apóstolo orava por si e por todos os santos, para que lhes fosse dada a graça de compreenderem e pudessem assim ser revestidos de poder para proclamarem a gloriosa mensagem que lhe fora entregue. Notemos este facto com brevidade em três das suas orações para os que os crentes tivessem entendimento e poder espiritual.

     Efé. 3:14-19: “Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

     “Do Qual toda a família nos céus e na terra toma o Nome,

     “Para que, segundo as riquezas da Sua glória, VOS CONCEDA QUE SEJAIS CORROBORADOS COM PODER pelo Seu Espírito no homem interior;

     “Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,

     “PODERDES PERFEITAMENTE COMPREENDER, com todos os santos qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,

     “E CONHECER O AMOR DE CRISTO, que excede todo o entendimento PARA QUE SEJAIS CHEIOS DE TODA A PLENITUDE DE DEUS”.

     Col.1:9-11: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessámos de orar por vós, e de pedir QUE SEJAIS CHEIOS DO CONHECIMENTO DA SUA VONTADE, EM TODA A SABEDORIA E INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL;

     “Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, E CRESCENDO NO CONHECIMENTO DE DEUS;

     “CORROBORADOS EM TODA A FORTALEZA, SEGUNDO A FORÇA DA SUA GLÓRIA, em toda a paciência, e longanimidade com gozo”.

     Esta “força da Sua glória” ou “poder”, não se refere ao poder para operar milagres, mas sem dúvida ao poder que Paulo se refere em I Tes. 1:5:

     “PORQUE O NOSSO EVENGELHO NÃO FOI A VÓS SOMENTE EM PALAVRAS, MAS TAMBÉM EM PODER, E NO ESPÍRITO SANTO, E EM MUITA CERTEZA; COMO BEM SABEIS QUAIS FOMOS ENTRE VÓS, POR AMOR DE VÓS”.

     Mais adiante em Colossenses 1, onde o apóstolo declara que Deus quer que os Seus santos conheçam “quais as riquezas da glória deste mistério entre os Gentios” (1:27), ele continua:

     Col.128:2,3: “a quem anunciamos, ADMOESTANDO A TODO O HOMEM, E ENSINANDO A TODO O HOMEM EM TODA A SABEDORIA; PARA QUE APRESENTEMOS TODO O HOMEM PERFEITO EM JESUS CRISTO;

     “E para isto também trabalho, combatendo segundo a Sua eficácia, que obra em mim poderosamente.

     “Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;

     “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em caridade, e enriquecidos da PLENITUDE DA INTELIGÊNCIA, para conhecimento do mistério de Deus – Cristo,

     “Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”.

     Quão diferentes estas orações são da maioria das orações frequentemente oferecidas por bebés em Cristo! O apóstolo sabia, e foi inspirado a escrever aos santos, que o poder espiritual vem da compreensão espiritual; que só quando nós somos “cheios do conhecimento da Sua vontade” é que podemos “andar dignamente do Senhor agradando-Lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra … corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da Sua glória” (Col.1:9-11).

     A igreja tem tristemente falhado em compreender o significado desta grande passagem. É constantemente interpretado que significa que nós devemos conhecer a vontade de Deus para as nossas vidas. Jovens sinceros são ensinados a pedirem a Deus para que lhes revele: “ Devo ser um missionário em África, Ásia ou Europa? Ou devo ser obreiro numa assembleia do meu país? Ou será que Ele quer que tenha um emprego secular e ajude a prover as necessidades da Sua obra?”

     Tudo isto pode ter o seu lugar, porém não o primeiro lugar, e não é a isso que a passagem acima se refere. Dizemos com profundo fervor aos que têm assim compreendido mal o seu significado: irdes para a África, Ásia ou Europa, ou permanecerdes no país como obreiros ou com empregos seculares, fará pouca diferença se não conhecerdes “A SUA VONTADE”, isto é, o que Ele está a fazer e quer que seja feito nesta dispensação da graça. Adquiri este conhecimento e podereis estar certos de que Ele conduzir-vos-á graciosamente no respeitante à Sua vontade para a vossa vida. Para conhecerdes “a Sua vontade”, deveis orar por “toda a sabedoria e inteligência espiritual”, de tal modo que compreendais a Sua Palavra para nós. Só assim sereis “corroborados com todo o poder, pelo Seu Espírito, no homem interior”.

     E à oração deve ser acrescentado diligente estudo bíblico, pois esta compreensão espiritual não é concedida por uma demonstração miraculosa em resposta apenas à oração. Pelo contrário é o resultado de obediência devota e esmerada a II Tim.2:15:

     “PROCURA (ou, ESTUDA PARA) APRESENTAR-TE A DEUS APROVADO, COMO OBREIRO QUE NÃO TEM DE QUE SE ENVERGONHAR, QUE MANEJA (ou, DIVIDE) BEM A PARAVRA DA VERDADE”.

     Quando obedecemos sinceramente a este mandamento entramos no gozo duma das bênçãos mais preciosas da vida Cristã: “a plenitude da inteligência”, ou “a plena certeza do entendimento, ou compreensão”!

     Em Heb.10:22 lemos acerca da “inteira certeza da fé”. Possessão preciosa!

     Em Heb.6:11 o apóstolo escreve acerca da “completa certeza da esperança”1. Isto é mesmo abençoadíssimo experimentar.

     Mas em Colossenses 2:2 vemos o anelo do apóstolo para que os santos gozem “a plenitude da inteligência”, ou “a plena certeza da compreensão”. Esta é a mais abençoada de todas as bênçãos, pois por ela somos capacitados e animados a proclamar a Sua Palavra no “poder do Espírito”.

     Como é que nós podemos ler com sinceridade estas três orações do Apóstolo Paulo sem anelarmos e suspirarmos fervorosamente por esta certeza e ousadia que a acompanham e que nos capacita a sermos na verdade “frutuosos em toda a boa obra”?


1 “A qual temos como âncora da alma segura e firme” (Ver.19)
C. R. Stam

 

Ver anteriores: 

Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XLI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XL)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII
I)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XXI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XVI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (XI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (X)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IX)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VIII)
Qual é a nossa Grande Comissão? (VII)

Qual é a nossa Grande Comissão? (VI)
Qual é a nossa Grande Comissão? (V)
Qual é a nossa Grande Comissão? (IV)
Qual é a nossa Grande Comissão? (III)
Qual é a nossa Grande Comissão? (II)
Qual é a nossa Grande Comissão? (I)

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