Coisas Que Diferem - ou, Os Fundamentos do Dispensacionalismo (XXXIV)

crstam.jpgCAPÍTULO 5

OS ÚLTIMOS DIAS

O ALVO DA PROFECIA
 

     As Escrituras do Velho Testamento têm muito a dizer acerca dos “últimos” dias.  A frase aponta para o futuro, duma forma geral para a vinda do Messias e o estabelecimento do Seu reino (Gen. 49:1; Núm. 24:14; Deut. 4:30; Isa. 2:2; Dan. 2:28; 10:14; Ose. 3:5; Miq. 4:1).  Várias frases semelhantes são utilizadas em relação com os mesmos eventos, como por exemplo: “o último tempo”, “tempos do fim”, “dias virão”, “Seus dias”, “aqueles dias”.

      A vinda do Messias e o estabelecimento do Seu reino nos últimos dias são o alvo da profecia.  Na realidade, até as Escrituras Neo-testamentárias descrevem a vinda e o reino do Messias como o grande clímax do programa profético (Marcos 1:15; Lucas 1:68-75; Actos 3:21-24;  I Pedro 1:11).


PEDRO E OS ÚLTIMOS DIAS

     Quando há dezanove séculos Pedro se ergueu e declarou que os últimos dias tinham chegado (Actos 2:16-17) ele revelou que ignorava completamente o plano de Deus em introduzir a dispensação da graça antes do retorno de Cristo.

     Contudo, não devemos supor que esta ignorância se devia a alguma falha humana em Pedro, pois no dia de Pentecostes os seguidores de Cristo “foram todos cheios do Espírito Santo” (Actos 2:4).

     Além disso, o que ele disse estava biblicamente correcto.  À luz do que tinha sido revelado desde já há muito tempo, aqueles dias eram os últimos dias.  Os profetas não tinham dito nada acerca da dispensação da graça ou do corpo de Cristo.  Até então ainda não tinha havido qualquer indício de interrupção do programa profético.

     Na profecia de Joel a respeito dos últimos dias, a Pentecostes segue-se a grande tribulação e o retorno de Cristo.  Na verdade, “anteriormente”, os profetas apenas tinham testificado “os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (I Pedro 1:11.  Agora que os sofrimentos tinham passado, tudo indicava que se lhes seguiriam a glória, pois ninguém podia negar que os sinais do “dia do Senhor” tinham começado a aparecer. 1

    Assim, Pedro não ignorava o programa de Deus revelado respeitantemente ao tempo em que ele vivia.  Ensinado pelo Senhor (Actos 1:3) e cheio do Espírito Santo (Actos 2:4), ele tinha uma compreensão inteligente quanto ao local em que se situava com precisão no plano divino.  Daí o poder dinâmico da sua mensagem.

     Os apóstolos esperavam que o Espírito Santo fosse “derramado” antes da grande tribulação e do retorno de Cristo, e o Senhor prometera-lhes, ao comissioná-los, que seriam então capacitados a falar em outras línguas (Marcos 16:17).  Assim, quando o Espírito Santo veio e eles começaram a falar noutras línguas Pedro sabia exactamente o que estava a acontecer e, apontando para a profecia de Joel, disse sem reservas: “ISTO É O QUE.”

     “Estes homens não estão embriagados, como vós pensais ... Mas ISTO É O QUE foi dito pelo profeta Joel: E NOS ÚLTIMOS DIAS acontecerá, diz Deus, que do Meu Espírito derramarei ... e farei aparecer prodígios ... e sinais ... antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (Actos 2:15-20).

     Tudo isto é claro se simplesmente não nos lembrarmos de antecipar revelação; se nos lembrarmos que o propósito de Deus a respeito desta presente dispensação era então ainda um “mistério”.  No respeitante ao plano de Deus revelado, os últimos dias - os dias há muito preditos - tinham principiado.  O Messias de Israel há muito prometido tinha aparecido, morrera e ressuscitara, ascendera à mão direita do Pai e enviara o Espírito Santo para guiar e capacitar os Seus.  No programa profético, o que a seguir sucederia era o período de tribulação com o juízo das nações e o retorno de Messias, e os sinais destas coisas estavam já a começar a aparecer.


1 Se o leitor, mentalmente, retirar do primeiro quadro a secção intitulada MISTÉRIO e unir Pentecostes à Tribulação terá o programa profético como Pedro o viu.
 
CORNELIUS  R.  STAM
 
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